Por Carmen Novoa Silva Em Palavra do Associado Atualizada em 03 OUT 2017 - 08H36

Os Cravos da Cruz

jesus cristo - semana santa - XI Estação:  Jesus é pregado na cruz

 

*Carmen Novoa Silva

Cravos da cruz... Se a cada um de vós, permitido fosse assumir a condição humana e fazer parte do povo que viu as mãos que hoje atravessais, a muitos curando e a outros poderosamente levantando de mortal sono...

A Daquele povo que sensibilizada viu mãos chamando a Si todos os inocentes e em profunda humildade, também Iavarem os pés da traição...

Cravo impiedoso da cruz... Pequena haste sem domínio que se deixa arrojar pela inconsciência, sem atentar em quem cruelmente te cravarias! Não vês, ser vendida a Realeza pelo valor de um escravo, sendo tu pertencente à linhagem daquela escravatura moral presa aos ferros, soberanos unicamente em condenar e ofender e de morte ferir?

Se a essas mãos houvesses seguido e presenciado seus firmes movimentos, na ordem do acalmar das tempestades, multiplicando os pães e nos montes em convincentes gestos, arrastar multidões ao promulgar bem-aventuranças; Se a essas mãos, hoje dilaceradas, houvesses seguido, seriam elas que na paz e para sempre te prenderiam e não tú, frágil poder da violência física a prendê-las por apenas passageiros momentos!

E se nesse não tão impossível sonho, em vez de insensível cravo, homem fosses, desejarias por certo, ser mais um a compartilhar do que os séculos pela Verdade tornaram Memorial do Senhor; e a ti consentido, a escolha de um lugar àquela sacra mesa, serias outro a recostar a cabeça no peito Daquele, a quem agora a matéria feres e matas.

Sim, porque no desejo humano de imortalidade, a vibração contínua dos sentimentos maiores, diria que alguém sendo então onda errante de um mar sem praias, somente ali haveria de achar. Na agitação dos interesses efêmeros, algo eterno onde repousar.

Descansar em Sagrado Peito... A quem é permitido, não sem antes conseguir a transformação da natureza insensitiva de um duro metal, em substância branda e tema do coração?

Ali, ninguém descansará, sem antes haver sido a fogueira que nas matas sabe, com sua luz colocar a distância os ataques das feras noturnas.

Sem antes compreender e pôr em prática, a mensagem de vida dos pássaros, cujo ideal consiste em jamais cessar seu alegre canto, mesmo na árdua tarefa da tessitura dos ninhos.

E se eu, que te exorto cravo ferino, a possuir alma crente e vibrátil fui em egocentrismo o negror das cavernas onde o sol nunca penetra, ao invés de luz em densa floresta...

Se aos ininterruptos gorjeios da aves, preferi abrir ouvidos aos três cantos do galo apregoando que suficiente fé não tenho...

E fui a folha de outono caindo inerte ao solo num simples soprar de brisa em lugar, do evangelho de glória e êxtase daquelas árvores a tingir de verde, o branco das baixas temperaturas.

Se minha ciência de luz não foi igual a dos grandes astros a todos doando o seu refulgir, mas a de cometa errante brilhando apenas para o vazio.

E, se com alma e fibras, ainda assim, deixei de ter a firmeza dos penhascos aos quais nem a fúria do mar revolto pode abater e sou a prepotência e a força daquela pedra de avalanche, deixando para trás rastros de dor e no entanto seu destino é o chão dos precipícios.

Se tudo isso fui, Senhor!... Então nada mais sou que um componente do suplício da cruz.

Mas uma intuição e ânsia misteriosa à humanidade revelam que á, no Gólgota, Tuas mãos estendidas continuam ávidas de buscar até os duros metais, para ao Teu contacto, sejam convertidos na substância santa e terna do coração.

E ali, em Tuas mãos sempre abertas, - sinal de infinita misericórdia - os homens podem enfim encontrar algo Eterno onde repousar, ainda que sejam eles, Senhor. os cravos, os crudelíssimos cravos a trespassá-las na cruz... 

 (Do mMaria ao pé da cruzeu 1º Livro TRILHOS DE PRATA)

MARIA NO CONTEXTO DO GÓLGOTA – Ali ao pé da cruz onde estava à morte seu Filho o seu coração gritava: “Eu, tua mãe, te guardei no meu ventre por nove meses. Eu te ensinei, a andar cuidava de teus afazeres e ensinava a Bíblia. Estava feliz em ver-te crescer em Idade, Sabedoria e Graça”.

Mas sua mente rememorava angustiada: “Bem o disseram quando eras recém-nascido, o Simeão a porta do Templo em tom de profecia que uma espada atravessaria meu peito”.

 

TRINIDADEFANIA – E seus olhos viram o passado retornar. Maria então disse: “Mensageiro de Deus, Gabriel, sei que serei sacrário do filho de Deus que será chamado Jesus. Sei também que sou a primeira a receber o poder trinitário de Deus – Pai que te enviou, do Deus – Espírito Santo que descendo sobre mim me tornaria mãe do Deus – Filho. Completaria assim o mistério da Santíssima Trindade”.

Maria olhou o Filho à morte. Olhou a sua volta e aos pés da cruz soldados romanos jogavam dados. Tiravam a sorte a fim de saber para quem ficaria aquela túnica tão bem tecida fio a fio. A túnica que ela fizera a seu Filho. A TÚNICA INCONSÚTIL sem nenhuma costura, íntegra por isso valiosa. Escutou do crucificado o “Filho eis ai Tua mãe” e o “Mãe eis ai teu filho”. Daí por diante não sofria mais. Passou a ser por todos os séculos custodia fiel e vigilante no doar-se à humanidade especialmente própria do SER MÃE. Amor materno que encontrou sua expressão em sua singular proximidade ao homem em todas as suas vicissitudes como a grande intercessora diante de Deus a THEOTOKOS que sempre diz em suas aparições. “Fazei o que ÊLE vos disser”...

 

Carmen Novoa Silva é membro da Academia Amazonense de Letras
e da Academia Marial                                                                                                                                        

e-mail: novoasilva@yahoo.com.br

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