Por Leonardo C. de Almeida Em Palavra do Associado Atualizada em 03 OUT 2017 - 08H41

Senhora da Penha, do Penhasco, deste “Planalto de Piratininga”: A Padroeira da cidade de São Paulo

Foto de: Nome do fotógrafo

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A milagrosa imagem trazida pelo viajante
francês em 1667

Há mais de três séculos, devotos paulistanos e dos mais variados lugares do país recorrem ao auxílio e à proteção de Nossa Senhora da Penha em seu santuário nesta Capital paulista, da qual é Padroeira e cuja tradicionalíssima festa magna se celebra aos 08 de setembro, dia da natividade da Virgem Maria.

Sabe-se que a devoção a Nossa Senhora da Penha teve início no século XV na Europa. Segundo a tradição, um monge, de nome Simão Vela, teve uma visão, em sonho, de uma imagem de Nossa Senhora que lhe apareceu no cimo de uma serra. Durante o êxtase, uma voz convidava Simão a encontrar tal imagem. Em 1434, no alto de uma serra denominada “Penha de França”, na Província de Salamanca, norte da Espanha, Simão encontrou a tão almejada imagem da Mãe de Deus. Foi, então, ali erigida uma ermida que deu origem a um grande Santuário, afamado pelos prodígios realizados pela Virgem da Penha.

No Brasil, a invocação “Nossa Senhora da Penha” surge, primeiramente, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro (sempre associada a penhascos, porém com raiz histórica diferente daquela de Salamanca). Na cidade de São Paulo a devoção à Senhora da Penha tem início em 1667. De acordo com a piedade popular, um viajante francês, passando por estas altas terras onde está o atual bairro da Penha de França, então uma região de paragem de tropeiros e peregrinos, pernoitou por aqui. Devoto da Virgem, trazia consigo uma imagem de Nossa Senhora da Penha, seu tesouro. Na manhã seguinte, prosseguiu viagem rumo ao Rio de Janeiro. Tomou consciência, já distante, que a imagem não estava consigo. Voltando, encontrou-a no local onde passara a noite. O episódio se repetira mais vezes. Atento aos sinais do Alto e à vontade de Maria Santíssima, o viajante ergueu ali, no alto daquele penhasco, uma capela em honra da Virgem da Penha, que passou a operar numerosos milagres, dando origem, mais tarde, ao Santuário e ao bairro. A versão histórica, contudo, reza que o Padre Jacinto Nunes Siqueira ergueu, em 1668, no alto da referida colina, uma capela em honra de uma imagem da Virgem da Penha, a qual originou, posteriormente, o conhecido Santuário.

Fato é que a imagem tornou-se enormemente conhecida em toda a capital e fora dela por seus poderes miraculosos (que nunca permitiram que fosse dali retirada nem mesmo por autoridades eclesiásticas) e pelas inumeráveis graças alcançadas por seu intermédio. Isso fez com que, nos séculos XVIII e XIX, a população e a Câmara Municipal recorressem à Virgem da Penha para sanar as secas e epidemias que assolavam a São Paulo de então. Os vereadores, assim, pediam autorização ao Bispo de São Paulo para que a imagem milagrosa de Nossa Senhora fosse transladada da Penha até a Catedral da Sé ou à Câmara, de onde a Mãe de Deus agia em favor da cidade, cessando as secas ou doenças - o que lhe rendeu o título de Padroeira da Cidade de São Paulo por aclamação popular (mais tarde oficializado pelo Papa São João Paulo II). Esses favores da Virgem em benefício da cidade eram "retribuídos" pela população paulistana que, no mês de setembro, ia aos milhares até o distante e antiquíssimo Santuário da Penha para participar de sua Festa, venerar sua imagem miraculosa e agradecer as graças alcançadas. É certo que a conhecida Avenida Celso Garcia, que liga a periférica Penha ao centro de São Paulo, foi aberta graças ao movimento intenso de romarias que se deslocavam à Penha e para favorecer as peregrinações da imagem à cidade quando da ocorrência de males que se abatiam sobre a capital. (Não seria oportuno que, nesta ocasião em que nossa cidade de São Paulo padece com a falta de chuvas, recorrêssemos à proteção e ao auxílio da excelsa Padroeira desta Metrópole?)

As Festas da Penha em São Paulo chegaram a reunir centenas de milhares de fiéis de toda a capital, dos mais humildes aos nobres e às autoridades, e movimentavam os mais variados setores, inclusive para além do religioso: jogatina, prostituição, hospedagem, alimentação, apresentações, comércio de artigos religiosos e de roupas, mudança na rede de transporte, politicagem, crimes. Mas é óbvio que o ápice da Festa sempre foi a majestosa procissão e o pagamento de promessas.

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O tricentenário e primeiro Santuário no alto da colina santa

Com a presença dos missionários redentoristas à frente da Paróquia da Penha, as comemorações da Padroeira, o Santuário e o bairro ganharam imensas projeções. Foi um período de florescimento espiritual com a instituição de associações religiosas, a construção de seminário, colégio, hospital e capelas que posteriormente se tornaram Paróquias e a edificação da nova Igreja Matriz (a atual e altaneira Basílica), que, junto com o antigo Santuário secular e a bicentenária Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos homens pretos, constituía  um grande centro religioso dentro da capital paulopolitana.

A Vila de Piratininga, cresceu, mostrou sua vocação para Metrópole e tornou-se a São Paulo de tantos contrastes. Entretanto continua sendo amparada, do alto do sagrado penhasco da longínqua periferia, por sua Padroeira, a Senhora da Penha. Ainda que as comemorações da Rainha e Padroeira da Cidade de São Paulo não tenham mais o brilho de seu passado glorioso, a Virgem da Penha continua (conforme atestam os muitos ex-votos e velas deixados na Sala dos Milagres da Basílica) a atrair devotos que a Ela acorrem, há quase 350 anos, no majestoso Santuário que abriga sua veneranda imagem milagrosa, para obter favores espirituais e temporais e encontrar seu Filho, o Cristo – Rocha sobre a qual está calcada nossa fé, Pedra Angular, Verdadeiro Penhasco – que Ela traz em seus braços e, como Mãe, nos apresenta docemente...

 

Leonardo C. de Almeida

Associado da Academia Marial de Aparecida 

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