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Suicídio: mitos, sinais de alerta e como prevenir

Escrito por Redação A12

14 MAI 2018 - 10H32 (Atualizada em 05 MAR 2026 - 13H26)

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A prevenção do suicídio começa com a informação correta e a desconstrução de tabus. Como vimos na discussão sobre a importância da atenção aos sinais de alerta, a saúde mental exige um olhar atento e livre de preconceitos.

Dando sequência a esse esforço de conscientização, exploramos a seguir novos esclarecimentos sobre a liberdade de escolha em casos de transtornos mentais, além de um guia prático sobre como identificar mudanças comportamentais e onde buscar ajuda especializada imediatamente.

9) O suicídio é uma decisão individual, já que todos nós temos o livre-arbítrio. Importante notar que, nas pessoas com comportamento suicida, que têm alguma forma de doença mental, esta altera profundamente a sua percepção da realidade e de seus vínculos com os outros, o que interfere em seu “livre-arbítrio”. Eticamente, somente podemos responsabilizar alguém por algum ato quando este é executado com consciência e liberdade. Nestas situações de doença mental, são exatamente estes dois importantes valores que se encontram totalmente comprometidos.

10) Quem vai tirar a própria vida não deixa sinais. Em geral, os sinais existem. Ocorre que, infelizmente, as pessoas que estão convivendo com a pessoa com este transtorno não percebem, não sabem interpretá-los ou valorizá-los. Porém, não é justo culpar por um suicídio. Alguns deles podem ser evitados, mas não todos. Em inúmeras vezes, os indícios só são descobertos e fazem sentido após a morte (bilhetes, mensagens, etc.).

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Em termos de prevenção, é importante prestar atenção aos sinais de alerta, ou seja, comportamentos que podem indicar plano de suicídio. Entre outros sinais de alerta, elencamos: 

  1. Falar em desejar morrer: expressar verbalmente a intenção ou o desejo de não estar mais vivo.
  2. Procurar formas de pôr um final à vida: buscar métodos, objetos ou informações para efetivar o ato.
  3. Perda de esperança ou propósito: relatar que não vê mais sentido na existência ou que o futuro não reserva nada de bom.
  4. Sentimento de estar "preso": falar insistentemente sobre sentir-se sem saída ou sob uma dor emocional insuportável.
  5. Sentir-se um fardo: expressar com frequência a percepção de que é um peso para familiares, amigos ou para a sociedade.
  6. Abuso de substâncias: apresentar um aumento exagerado e repentino no consumo de álcool e/ou outras drogas.
  7. Comportamento de risco: agir de modo excessivamente ansioso, agitado, impulsivo ou irresponsável.
  8. Alterações no padrão de sono: dormir muito pouco (insônia) ou passar tempo demais dormindo (hipersonia).
  9. Isolamento social: afastar-se de grupos sociais, amigos e familiares, preferindo a solidão constante.
  10. Expressão de raiva ou vingança: demonstrar sentimentos intensos de hostilidade ou falar sobre planos de revanchismo.
  11. Mudanças extremas de humor: apresentar oscilações emocionais bruscas e intensas.
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A depressão em adolescentes apresenta sinais que podem indicar a presença da doença. Entre outros, elencamos:

  1. Mudanças de personalidade: alterações bruscas e marcantes no comportamento ou nos hábitos cotidianos.
  2. Queda de rendimento: piora visível no desempenho escolar, no trabalho ou em atividades simples que antes eram realizadas com facilidade.
  3. Afastamento social: distanciamento da família e da roda de amigos, preferindo o isolamento.
  4. Anedonia (perda de interesse): deixar de sentir prazer ou interesse em hobbies e atividades que antes eram muito valorizadas.
  5. Abandono do autocuidado: descuido surpreendente e repentino com a higiene pessoal e a própria aparência.
  6. Alterações físicas inusitadas: perda ou ganho de peso significativo sem uma causa física aparente.
  7. Visão pessimista: demonstração de desesperança generalizada em relação ao futuro, às pessoas e ao mundo.
  8. Disforia marcante: presença constante de tristeza profunda, irritabilidade extrema ou acessos de raiva frequentes.
  9. Fascínio por temas fúnebres: comentários recorrentes sobre morte, interesse por pessoas falecidas ou busca constante por esse tema.
  10. Comportamento de "despedida": desligamento material, como doar pertences de valor sentimental ou financeiro, como se estivesse se preparando para partir.
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O que podemos fazer nestas situações?

No mínimo, não deixar a pessoa sozinha, mas ter sempre alguém junto. Afastar, tirar de perto armas de fogo, álcool, drogas, ou objetos cortantes. Em situações de crise, procurar ajuda, ligando para canais de ajuda que existem na comunidade, tal como o Centro de Valorização da Vida (CVV), no número 141, ou via internet, em cvv.org.br (atendimento 24h). E claro, ajudar para que a pessoa aceite o tratamento especializado de um profissional especialista em saúde mental (psiquiatra, psicólogo, psicanalista, e outros). O sofrimento é somente quando ninguém cuida, afirma Cicely Saunders, médica inglesa fundadora do moderno Hospice.

Como percebemos, sem cuidado, não existe possibilidade de vida. Este cuidado, no nível mínimo, significa o cultivo de uma boa autoestima e uma relação saudável com os outros. Frente a um transtorno sério de saúde mental, com tendência suicida, aqui o cuidado tem que ser especializado, de um profissional competente e humano. Nossa solidariedade é fundamental para ajudar a pessoa a não se sentir só e abandonada justamente nesta hora.

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