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Suicídio: Superando mitos e agindo na prevenção

Entenda por que falar abertamente sobre saúde mental e desmistificar conceitos errados é o caminho mais eficaz para salvar vidas em risco.

Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal (Arquivo Pessoal)

Escrito por Pe. Leo Pessini (in memoriam)

19 ABR 2018 - 13H28 (Atualizada em 05 MAR 2026 - 13H24)

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Uma verdade que precisamos torná-la mais conhecida em nosso meio é que podemos prevenir o suicídio, em muitas circunstâncias, através de uma série de ações e cuidados para com as pessoas em crise ou em situações de abalo de sua saúde mental.

Como vimos anteriormente, dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que cerca de 90% das pessoas que se suicidam possuem transtornos mentais. Elas poderiam ser tratadas e cuidadas terapeuticamente. Antes de tudo, temos que nos livrar dos mitos sobre o suicídio, conhecer alguns sinais de alerta e entender a depressão em adolescentes, para viabilizar uma ajuda eficaz.

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Alguns mitos que temos de prestar atenção:

1) "Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir uma pessoa a isso". Questionar sobre ideias suicidas de maneira sensata, franca e ética fortalece o vínculo com a pessoa, que se sente acolhida, aceita e respeitada. Além disso, gera conscientização a respeito do problema.

2) "Ele(a) ameaça com o suicídio somente para chamar a atenção e manipular a gente". Muitas pessoas que tiram a própria vida dão sinais verbais ou não verbais de sua intenção para os amigos, familiares ou médicos. Não se pode deixar de considerar a existência deste risco. A regra geral é levar a sério ameaças suicidas e, ao mesmo tempo, não se sentir refém delas.

3) "Quem deseja se matar, vai se matar mesmo, não tem nada a fazer". Esta ideia pode conduzir ao imobilismo. As pessoas que pensam em suicídio frequentemente estão ambivalentes entre viver ou morrer. Prevenir é impedir os casos que são evitáveis.

4) "Uma vez suicida, sempre suicida". A elevação do risco de suicídio costuma ser passageira. Pessoas que já tentaram o suicídio podem viver uma longa vida saudável.

5) "O suicídio é hereditário". Não existem fatos científicos que provem este fato. No entanto, uma história familiar de suicídio é um fator de risco importante, bem como a existência de tentativas anteriores. Isso pode estar relacionado com um luto inacabado na infância, um comportamento aprendido diante de situações limite ou a existência de um tabu familiar sobre o tema.

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6) "As pessoas que se suicidam são egoístas e covardes". Em geral, as pessoas que tiram a própria vida o fazem para acabar com um sofrimento intenso, do qual não veem outra saída que não seja a morte. Trata-se, na maioria das vezes, de um ato de desespero, condição que reduz opções, vínculos com pessoas queridas e esperança no futuro.

7) "Quem tenta se suicidar sempre tem um distúrbio mental". Estudos mostram que cerca de 90% das pessoas que se matam sofrem de algum transtorno mental. Por outro lado, a maioria das pessoas que sofrem de problemas deste tipo não coloca fim à própria vida. Portanto, os distúrbios mentais têm um papel fundamental na grande maioria dos casos, mas o que pode levar ao suicídio é a fatal combinação com outras circunstâncias pessoais e ambientais adversas.

8) "Quando a pessoa sobrevive a uma tentativa, está fora de perigo". O período após a tentativa é muito perigoso, uma vez que existe maior possibilidade de a pessoa tentar novamente. Existem muitas pessoas, porém, que, após uma tentativa de suicídio, conseguem se reestruturar, aceitando um acompanhamento psiquiátrico e/ou psicológico, e aprendem a lidar e a conviver com o sofrimento. Em casos de depressão, estima-se que entre 35% e 50% das pessoas com comportamento suicida têm a doença. O momento inicial de tratamento requer muito cuidado, já que a pessoa ainda está doente, não curada, mas volta a ter iniciativa, o que pode levar ao suicídio. 

(continua)

Escrito por:
Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal (Arquivo Pessoal)
Pe. Leo Pessini (in memoriam)

Professor, com Pós-doutorado em Bioética no Instituto de Bioética James Drane, da Universidade de Edinboro, Pensilvânia, USA, 2013-2014. Conferencista internacional com inúmeras obras publicadas no Brasil e no exterior. Foi religioso camiliano e Superior Geral dos Camilianos.

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