Comunicação

Inteligência Artificial: solução, problema ou alerta para a humanidade?

Mariana Mascarenhas

Escrito por Mariana Mascarenhas - Redação A12

18 ABR 2023 - 08H00 (Atualizada em 16 MAI 2023 - 11H38)

maxuser/Shutterstock

Nas últimas semanas de março, uma foto inusitada do Papa Francisco viralizou nas redes sociais em diferentes partes do mundo, ocasionando as mais diversas reações dos internautas. A imagem exibia o pontífice em um extenso casaco branco de aspecto estiloso. Para alguns, tratava-se de uma montagem de mau gosto; para outros, uma brincadeira cômica e houve quem acreditasse na fotografia, pensando que o Papa resolvera mudar completamente seu estilo de se vestir.

A questão é que se tratava de uma fotografia produzida por um recurso de inteligência artificial (IA), responsável por gerar imagens a partir de algoritmos, usando técnicas especiais de aprendizagem e processamento de informações. Tais imagens podem ser completamente novas, ou serem criadas com base naquelas já existentes, porém com algumas mudanças para formar uma nova imagem. Sendo assim, não se trata de uma reprodução fiel da realidade, mas de uma interpretação computacional de dados existentes.

Além desse recurso, outra ferramenta está sendo muito comentada e, como a anterior, causando preocupação pela possibilidade de substituir várias tarefas humanas. É o Chat GPT, modelo de linguagem artificial lançado em novembro de 2022 pela OpenAI, com a habilidade de entender e responder diversas perguntas de usuários em formato de diálogo, utilizando um grande banco de dados como fonte de informação.

Em março deste ano, houve mais uma novidade: a OpenAI lançou o Chat GPT 4, uma versão ainda mais aprimorada do Chat GPT capaz de gerar imagens juntamente com o conteúdo textual produzido. Além disso, novos modelos de inteligência artificial já surgiram e ainda estão por vir.

Recentemente, uma carta aberta foi assinada por milhares de especialistas em ciência da computação, cientistas e empresários de tecnologia, solicitando uma pausa de seis meses no treinamento de inteligência artificial semelhante ao GPT-4. A justificativa para esta solicitação é que os laboratórios de IA estão em uma corrida frenética para criar e implantar mentes digitais cada vez mais poderosas, que poderiam se tornar incontroláveis e ultrapassar o controle de seus criadores.

Diante de tudo isso, podemos voltar no tempo e refletir sobre como as grandes inovações, no decorrer dos séculos, sempre causaram controvérsias em suas fases iniciais. Alguns exemplos estão na própria popularização e avanços da internet, a qual foi se tornando o acervo principal de pesquisa das gerações atuais, principalmente, substituindo as tradicionais bibliotecas e enciclopédias.

Já as redes sociais começaram a substituir muitos encontros presenciais com suas inúmeras e ágeis relações virtuais. Todavia, encontros presenciais, bibliotecas e livros não entraram em extinção devido às mudanças digitais. Estas simplesmente trouxeram novos recursos para otimização de muitas tarefas já realizadas.

A questão é o uso que se faz dessas ferramentas, pois, infelizmente, muitos desses recursos, ao serem mal utilizados, acarretam a propagação de inverdades como as diversas fake news que contribuem para a criação de bolhas digitais, alimentadas por falsas realidades paralelas, como temos acompanhado a todo momento.

Com as inovações proporcionadas pelos recursos de Inteligência Artificial, por exemplo, acontece situação semelhante. Afinal, quem souber utilizá-los poderá otimizar muitas tarefas. Um exemplo é o Chat GPT, que auxilia o usuário com sugestões de escrita, ideias para a elaboração de um planejamento de trabalho e muito mais. No entanto, é importante atentar para o fato de que se trata um auxílio. O protagonista da atividade deverá ser o homem e não a máquina.

Não é viável, por exemplo, solicitar a elaboração de um artigo completo em tal ferramenta, sem um trabalho de pesquisa, análise e interpretação de dados, entre outras questões demandadas para a elaboração de um texto. Isso não somente porque nem sempre todas as informações elaboradas por tais recursos serão 100% verdadeiras, demandando um olhar mais aprofundado do autor, como também por acarretar o risco de transformar determinadas informações duvidosas ou inverdades em realidade. Por isso, é preciso sempre olhar criticamente.

E quanto ao uso de tais recursos para o aprimoramento da comunicação na Igreja? Da mesma maneira que eles podem otimizar diferentes tarefas, o mesmo ocorre no processo comunicacional entre os fiéis e até mesmo na evangelização por meio de materiais formativos, esclarecimento de dúvidas, aprimoramento do atendimento etc.

Ao perguntar ao Chat GPT sobre como usar a IA para melhorar a comunicação na Igreja, ela me trouxe as seguintes sugestões:

chevron_right Chatbots baseados em IA para fornecer respostas automáticas a perguntas comuns que os membros da igreja possam ter, como horários de serviço, localização da igreja, eventos futuros etc.

chevron_right Análise de sentimentos para analisar o conteúdo de postagens de redes sociais e comentários de membros da Igreja, a fim de entender melhor como eles estão se sentindo, permitindo que a liderança da Igreja aborde problemas antes que se tornem maiores.

chevron_right Recomendações personalizadas para membros da Igreja com base em seu histórico de atividades e interesses. Isso pode ajudar a incentivar a participação em eventos e programas que possam ser do interesse do indivíduo.

chevron_right Tradução automática de mensagens e documentos da Igreja em diferentes idiomas, tornando-os acessíveis para aqueles que falam outros idiomas. Isso pode ajudar a aumentar a inclusão e a diversidade dentro da Igreja.

chevron_right Ferramentas de colaboração como salas de bate-papo e fóruns on-line, podem ser usadas para permitir que membros da Igreja colaborem e se comuniquem de maneira mais eficiente. Isso pode ajudar a criar uma comunidade mais forte e coesa dentro da igreja.

A partir de tais respostas, percebemos como a IA pode nos beneficiar se soubermos fazer bom uso dela. No caso das soluções acima, podem se tratar de excelentes sugestões desde que a realidade de cada comunidade e/ou paróquia seja considerada, primeiramente.

A partir das necessidades locais é que será possível aprimorar a comunicação. Lembrando que, cada vez que solicito tal sugestão ao Chat GPT, por exemplo, ele me oferece uma solução diferente. Além disso, a própria ferramenta ainda concluiu ao final: É importante lembrar que a IA não é uma solução mágica para todos os problemas de comunicação da Igreja.

É importante usar a tecnologia com cuidado e sempre colocar as necessidades e preocupações dos membros da igreja em primeiro lugar. Uma dica da própria IA para mostrar que a essência das tarefas humanas jamais poderá ser completamente substituída e que tudo é questão de bom senso.

Escrito por
Mariana Mascarenhas
Mariana Mascarenhas - Redação A12

Jornalista e Mestra em Ciências Humanas. Atua como Assessora de Comunicação e como Articulista de Mídias Sociais, economia e cultura.

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