De acordo com alguns médicos e psiquiatras idealizadores da ideologia de gênero, sexo biológico, gênero, orientação sexual, identidade de gênero e expressão de gênero, elementos que formam o comportamento sexual humano, não são opções divididas apenas entre o feminino e o masculino. São gradações e podem ser combinadas, dando origem a inúmeras possibilidades.
O conceito de gênero é definido como “um sistema de papéis e relações entre o homem e a mulher, que não é determinado biologicamente, mas depende do contexto social, político e econômico. Assim como a sexualidade biológica é nata, assim o ‘gender’ é um produto resultante da educação”.
Quando a criança nasce, não deve ser considerada do sexo masculino ou feminino; depois ela fará esta escolha como processo de construção social. Essa é a chamada identidade de gênero ou ideologia de gênero. A identidade de gênero resulta do modo como a criança foi educada, por isso, às vezes é diferente da sexualidade biológica. Um dos objetivos dessa ideologia é eliminar as diferenças sexuais entre o masculino e feminino, que são determinadas por diferenças biológicas entre homem e mulher.
Existem escolas para crianças na Suécia e na Holanda, onde não se pode chamar o aluno de menino ou menina; chama-os apenas de crianças, porque eles devem decidir quando crescerem se serão homens ou mulheres. Uma popular rede social está expandindo a identificação dos usuários para além da dicotomia homem/mulher, ou seja, em vários países, como os Estados Unidos e a Argentina, passaram a usar os pronomes adequados para cada identidade de gênero escolhida. Agora existem 56 opções de gênero e não mais as duas opções, masculino e feminino.
Certos grupos dos movimentos feminista e gay sustentam que as diferenças comportamentais entre meninos e meninas não passam de construções culturais que a sociedade machista lhes impõe. Porém, existem hoje muitas evidências científicas a sugerir que as diferenças comportamentais entre os sexos não são artificiais.
Das preferências de meninos e meninas por certos brinquedos e até por cores, tudo parece ter um dedo da biologia, mais especificamente de uma combinação dos genes com a exposição a hormônios durante a gravidez. Não é que não haja espaço para a cultura operar, mas ela não consegue transpor alguns dos limites que a biologia coloca (Cf. Hélio Schwartsmann - Ideologia de gênero. Jornal Folha de são Paulo, 26/06/2015).
A ideologia de gênero, portanto, não apresenta nenhuma fundamentação científica e, por isso, chama-se ideologia.
Leia MaisPor que a Igreja Católica não aceita a pena de morte?Casei, mas não quero ter filhos!Tem diferença entre ser cristão e ser católico?Uma associação de pediatras dos Estados Unidos declarou, por meio de seu site na internet, que “a ideologia de gênero é nociva às crianças” e que “todos nascemos com um sexo biológico”, sendo os fatos, e não uma ideologia, que determinam a realidade.A declaração da American College of Pediatricians expõe 8 razões para os “educadores e legisladores rejeitarem todas as políticas que condicionem as crianças a aceitarem” a teoria de gênero (Fonte: American College of Pediatricians - Gender Ideology Harms Children - September 2017).
Em um artigo publicado em 7/03/2017 no site Posición.pe, intitulado “Sobre a ideologia de gênero”, a doutora Pamela Puppo, doutora em biodiversidade, genética e evolução, afirma que “não aceitar ideologia de gênero não é discriminação, não é ser intolerante nem homofóbico”, mas “é simplesmente biologia”. A especialista ressalta que “isto não é discriminação, é simplesmente biologia”.
A doutora sublinhou que, contrariamente aos princípios da ideologia de gênero, “o fato de nascer homem ou mulher não é um fato cultural, é biológico”. “Não me digam que, quando uma mulher que está grávida faz o ultrassom para saber o sexo do bebê e pergunta ao seu médico se é menino ou menina, ela está sendo homofóbica?”
Além disso, a especialista adverte que “a ideologia de gênero não promove a igualdade entre os sexos; a ideologia de gênero promove a assexualização do ser humano”. Entretanto, assinala: “o sentimento não supera a natureza”.
Ao finalizar seu artigo, a dra. Puppo sublinhou que “a igualdade não é conquistada negando as nossas diferenças sexuais, a igualdade é alcançada por meio do respeito das diferenças de cada sexo e o que cada sexo contribui para a sociedade”.
O Papa Francisco afirma que “a ideologia de gênero é um erro da mente humana que provoca muita confusão”. “Portanto, a família está sendo atacada.” Em vez de reconhecer que Deus criou as pessoas como homens e mulheres, a ideologia afirma que (o ser homem e o ser mulher) são constructos sociais e que agora nós podemos decidir o que seremos.
A doutrina católica não pode ficar indiferente diante de uma ideologia que tem como objetivo atacar a família, o matrimônio, a maternidade, a paternidade, a moral na vida sexual e a vida pré-natal.
Deus criou o homem e a mulher, as duas sexualidades distintas, mas iguais, instituiu o matrimônio e a família, bem como as leis que regulam a moral. Portanto, os cristãos devem defender a cultura que enfatiza e respeita as diferenças entre homens e mulheres e o valor da família.

O Papa Francisco afirma ainda que, “Isso é colonização ideológica”, ou seja, “coloniza-se as pessoas com uma ideia que quer mudar uma mentalidade ou uma estrutura.” Nesta colonização, existe o plano para implantar a ideologia de gênero nas escolas por meio dos “Planos Municipais de Educação”.
Os bispos católicos do Estado de São Paulo (Regional Sul 1 da CNBB) declaram que “as consequências da introdução dessa ideologia na prática pedagógica das escolas contradizem frontalmente a configuração antropológica de família, transmitida há milênios em todas as culturas". Isso submeteria as crianças e jovens a um processo de esvaziamento de valores cultivados na família, fundamento insubstituível para a construção da sociedade.
Diante dessa grave ameaça aos valores da família, esperamos dos governantes do Legislativo e Executivo uma tomada de posição que garanta para as novas gerações uma escola que promova a família, tal como a entendem a Constituição Federal (artigo 226) e a tradição cristã, que moldou a cultura brasileira.
O Catecismo da Igreja Católica, no número 2333, ensina que: “Cabe a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar sua identidade sexual”. Este é o ideal cristão e o ensinamento da Igreja.
Temos que considerar também algo importante, o Catecismo também reconhece que existem pessoas com várias tendências sexuais, e que devem ser acolhidas e respeitadas.
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