O mês de dezembro orienta nosso olhar para o Natal do Senhor. A Igreja nos convida a contemplar o mistério da Encarnação, em que Deus assume a nossa humanidade. Como lembra o Pe. Pablo Vinícius, C.Ss.R., esse mistério revela o amor concreto de Deus que decidiu “morar no meio de nós”.
O Catecismo da Igreja Católica (n. 456-460) destaca quatro motivos essenciais para a Encarnação. Esses pilares ajudam o cristão a compreender por que o Verbo eterno se tornou homem e como isso transforma a nossa vida.
A primeira razão busca compreender o centro da fé: Deus se fez Carne para nos salvar. O pecado feriu a comunhão com Deus. Cristo, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, entrega a própria vida para restaurar essa amizade. Como reforça o Pe. Pablo Vinícius, “Jesus morreu por nós, pagando o preço, reconduzindo-nos à comunhão com Deus”.
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O segundo motivo destaca a revelação do amor divino. O Evangelho de João resume tudo: “De tal modo Deus amou o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). A Encarnação mostra que Deus não permanece distante; Ele se aproxima de seus filhos.
A terceira razão apresentada pelo Catecismo afirma que Cristo se fez homem “para ser nosso modelo de santidade”. Jesus não só indica o caminho, Ele vive cada gesto e escolha que revelam o verdadeiro sentido da vida. Assim, essa verdade lembra que a proposta do Evangelho é real, possível e diária.
add_box 1700 anos do Credo Niceno: o Verbo se fez carne
Por fim, o Catecismo ensina que Deus se fez homem “para nos tornar participantes da natureza divina”. A tradição da Igreja sempre guardou essa verdade. Santo Atanásio a expressou de forma direta: “O Filho de Deus se fez homem para nos fazer Deus”. A Encarnação abre para nós as portas da glória e nos introduz no dinamismo da vida divina.
Documentos como a Lumen Gentium, especialmente nos números 2 e 3 do Capítulo I, reforçam que toda a história da salvação encontra seu ponto alto na Encarnação. A encíclica Redemptoris Missio, de São João Paulo II, também recorda que a missão da Igreja nasce justamente do Deus que assume nossa carne para alcançar cada pessoa.
Celebrar o Natal é, portanto, reconhecer que Deus tomou a iniciativa. Ele se fez próximo, assumiu a fragilidade humana e caminhou conosco.
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