Espiritualidade

Busca pela verdade: o testemunho de uma conversão ao catolicismo

No dia de Santo Agostinho, aprendamos com o exemplo de conversão e fortalecimento da fé em Jesus Cristo e na Igreja Católica. Leia um depoimento inspirador!

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Escrito por Maria Luise Brey

28 AGO 2026 - 15H31 (Atualizada em 28 AGO 2026 - 16H59)

Mongkolchon/ Adobe Stock

Para Santo Agostinho, a conversão não terminava no momento em que se encontrava a verdade. Ela continuava ao longo da vida, como um retorno constante a Deus.

Desde o pontificado do Papa Francisco, em 2013, a Igreja Católica observa o número de fiéis batizados crescer. Dessa forma, nos últimos anos, a conversão ao catolicismo também passa por um crescente aumento, principalmente entre adolescentes e jovens adultos.

No dia de Santo Agostinho, um dos maiores teólogos do catolicismo, o A12 traz um depoimento forte de um recém-convertido que relata suas dúvidas e descobertas sobre a Santa Igreja, a Eucaristia, a Virgem Maria e os santos.

É sob esse ponto de vista que o engenheiro civil Guilherme Ernando Simões de Oliveira, de 28 anos, recorda o caminho que o levou à Igreja Católica após crescer em uma cultura protestante.

Início da conversão ao catolicismo

Em 2024, Guilherme sentiu o chamado do Espírito Santo para buscar o entendimento sobre as doutrinas da Igreja Católica.

Nascido em uma família protestante, ele não sabia identificar o motivo de seguir aquela religião e se via sem respostas:

“Eu cresci em um lar evangélico puramente, mas eu não sabia justificar nenhum dos motivos dos meus pilares de fé. Ou seja, eu não sabia dizer o porquê eu era evangélico.”

Foi a partir dessa indagação que ele buscou estudar mais sobre a Igreja Católica por meio de livros, aulas e vídeos no YouTube. Ele conta que um vídeo em específico do professor e mestre em Filosofia, Guilherme Freire, chamou sua atenção:

“E eu lembro que tem um vídeo dele no YouTube que fala exatamente assim: ‘Por que sou católico?'. E ele sabia justificar todos os pontos de fé dele. E isso para mim sempre foi uma coisa muito relevante, pelo critério de ser muito racional. Eu acho que, durante toda a minha vida, eu fui bastante racional, e saber justificar cada um dos pilares da fé que eu via ele fazendo, isso para mim era fantástico, porque fé é uma virtude [...] um dom, na verdade, que Deus nos dá.”

Exemplo dos santos

Outra fonte de conteúdo para seus estudos foram os ensinamentos que os santos deixaram nos livros, como os de São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, que de forma racional, explicam a existência de Cristo.

Claudio Coello/AdobeStock Claudio Coello/AdobeStock

Só se ama aquilo que se conhece”, diz Santo Agostinho sobre a importância de entender a Igreja e suas tradições para aumentar a fé em Cristo.

Confira algumas citações de Santo Agostinho:

“Voltai. Onde? Ao Senhor. É pronto todavia. Volta primeiro a teu coração; como em um desterro, andas errante fora de ti. Te ignoras a ti mesmo e vais em busca de quem te criou?” (TEJ 18,10).

Tarde te conheci; tarde te amei, ó Beleza sempre antiga e sempre nova! Ó tempo infeliz em que não te amei!” (C 10, 27).

Conheça a obra “Coração Inquieto”, de Santo Agostinho, pela Editora Santuário.

A Eucaristia como divisora de águas

Guilherme conta que, mesmo após seus estudos, ainda faltava algo que o fizesse se converter completamente. Foi compreendendo o catecismo da Igreja Católica e, principalmente, o sacramento da Eucaristia, que sua decisão foi definida.

“E quando eu estudei, de fato, a Eucaristia, entendi o que ela representava, aí foi um ponto de virada que eu não consegui voltar mais atrás. [...] Quando eu compreendi o que era a Eucaristia, quando eu compreendi o que era o catecismo da Igreja Católica.”

Por meio do estudo e da vontade de entender o rito da Santa Missa, ele buscou compreender mais o significado desse sacramento e conta que, mesmo antes, sem entender, já sentia a magnitude do momento da transubstanciação do pão e vinho em Corpo e Sangue de Cristo.

Somente na Igreja Católica presenciamos esse sacramento diariamente em qualquer lugar do mundo. É ao comungar que nos tornamos parte de Cristo, nos unimos espiritualmente a Ele e aos nossos irmãos. A Eucaristia é a memória viva e eterna da paixão, morte e ressurreição de Cristo.

Entenda como a hóstia é feita.

A mudança de sua percepção sobre Maria e os santos

O engenheiro conta que, antes de sua conversão, não entendia a posição da Virgem Maria na Igreja Católica. Esse discernimento só aconteceu quando entendeu que Deus, em sua magnitude, poderia ter vindo à Terra de qualquer forma, mas escolheu vir no ventre de uma mulher e viver o processo da vida como todos nós:

“Ele queria evidenciar duas coisas muito claras: a importância da família para Deus e a importância da maternidade e da paternidade. Porque Jesus veio como um bebê e, quando a gente pensa no caráter biológico mesmo, a formação dentro do útero de Maria, ela formou literalmente o homem encarnado, o Deus encarnado. Então, como um ser desse não pode ser divino? No mínimo, tem que ser o ser mais próximo da divindade que existe na Terra, não teria outra explicação.”

Guilherme também conta que outra revelação que viveu foi a desmitificação do preconceito de que Maria seria citada inúmeras vezes durante a Santa Missa, em vez do foco ser Jesus Cristo: “A missa, de fato, ela girava em torno do sacrifício de Cristo, da Eucaristia. Isso mudou completamente a minha perspectiva. É como se fosse um preconceito, um véu que saiu da minha visão.

Após o discernimento mariano, a compreensão do papel dos santos veio de forma natural. Para ele, São Tomás de Aquino e Santo Agostinho foram exemplos de pessoas que buscaram a santidade em vida.

“A gente pode seguir esses passos, né? Como se fossem faróis para gente estar se guiando nas dificuldades do dia a dia. Para a gente enfrentar as dúvidas espirituais.”

Dois anos depois de sua entrada na Igreja Católica, tendo recebido os sacramentos do Batismo, Primeira Eucaristia, Crisma e Matrimônio, Guilherme vive sua conversão como um caminho que continua. É justamente nesse ponto que seu testemunho encontra Santo Agostinho: converter-se é voltar continuamente para Deus, acolher Sua graça e permitir que a verdade do Evangelho transforme a própria vida

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