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Como o católico deve pensar, agir e votar nas Eleições?

Em meio à polarização, a Igreja orienta os fiéis a formar a consciência, buscar a verdade e escolher com responsabilidade, tendo em vista o bem comum

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Escrito por Luciana Gianesini

28 AGO 2026 - 11H47 (Atualizada em 28 AGO 2026 - 15H05)

A12/ IA

As Eleições 2026 se aproximam. Em 4 de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher seus representantes. Em meio a diferentes posições políticas, debates acalorados e desinformação, muitos católicos podem se perguntar: o que a fé ensina sobre a maneira de pensar, agir e votar?

A Igreja Católica não indica candidatos ou partidos. Em sua mensagem para as Eleições 2026, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reafirma a importância da participação consciente dos cidadãos, à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.

A Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, da então Congregação para a Doutrina da Fé, reconhece a legítima pluralidade das opções políticas e recorda que as escolhas dos fiéis devem respeitar os princípios morais fundamentais.

A Igreja não escolhe pelo fiel

O católico não recebe da Igreja uma indicação de candidato ou de partido. A participação política dos fiéis leigos pertence à sua responsabilidade própria, enquanto cidadãos, e deve ser exercida com consciência formada.

Isso não significa que todas as escolhas políticas sejam indiferentes para a fé. A Igreja apresenta princípios para orientar o discernimento, como a defesa da vida, o bem comum, a justiça, a solidariedade, a liberdade e a paz.

Assim, ser católico não significa pertencer a um determinado partido. Há espaço para diferentes opções políticas entre os fiéis, desde que suas escolhas sejam compatíveis com a fé e a lei moral.

O que considerar antes de votar?

A CNBB orienta que o eleitor não se limite às promessas feitas durante a campanha. Na mensagem para as Eleições 2026, os bispos recomendam considerar também a trajetória de vida dos candidatos e as consequências dos compromissos assumidos.

Na prática, isso significa conhecer as propostas, verificar a experiência dos candidatos e observar a coerência entre aquilo que apresentam ao eleitor e sua atuação anterior.

add_box Esse cuidado já aparecia em uma orientação publicada pelo A12 em 2016. A matéria "10 atitudes fundamentais para ter uma consciência política" apresenta atitudes importantes para uma participação responsável, entre elas o acompanhamento dos eleitos durante o mandato.

O bem comum deve orientar a escolha

Na Doutrina Social da Igreja, a política está relacionada à busca do bem comum. O Catecismo da Igreja Católica ensina que a autoridade política deve trabalhar em favor desse bem, considerando as condições que permitem às pessoas e aos grupos alcançar sua realização.

Por isso, o eleitor é chamado a olhar além de seus interesses pessoais ou dos interesses de determinado grupo e avaliar as consequências de suas escolhas para a sociedade.

add_box O A12 já tratou desse princípio na matéria "Igreja orienta os fiéis a viverem como cidadãos que pensam o bem comum", que aborda a responsabilidade dos cristãos na construção da sociedade.

Alberto/ Adobe Stock Alberto/ Adobe Stock

Há princípios que não podem ser tratados como indiferentes

A Igreja reconhece que diferentes propostas podem existir para enfrentar problemas sociais e econômicos. Nem toda questão política possui uma única solução compatível com a fé.

Entretanto, existem princípios morais fundamentais que não podem ser relativizados. A Nota Doutrinal recorda que determinadas exigências éticas não podem ser afastadas em nome de uma suposta neutralidade política.

Entre essas exigências está a defesa da vida humana. O documento cita expressamente o aborto e a eutanásia e recorda a obrigação dos católicos de se oporem a leis que atentem contra a vida humana inocente.

A defesa da vida integra uma visão mais ampla da pessoa e da sociedade, que também considera questões como pobreza, exclusão, violência, liberdade religiosa, família, trabalho, paz e cuidado com a criação.

Discordar não significa transformar o outro em inimigo

A existência de diferentes posições políticas faz parte da vida democrática. O problema está em transformar a divergência em hostilidade permanente.

A polarização pode levar à rejeição automática de argumentos, à desumanização do adversário e ao rompimento de relações familiares, comunitárias e sociais.

add_box O A12 já abordou esse fenômeno em A polarização da sociedade traz quais riscos?, conteúdo que pode ajudar o leitor a compreender as consequências sociais das posições extremadas.

Para o cristão, a divergência política não justifica violência, ódio ou desrespeito. É possível defender convicções firmes sem transformar quem pensa diferente em inimigo.

A verdade também faz parte da responsabilidade política

Em período eleitoral, a circulação de informações falsas pode influenciar escolhas e ampliar conflitos. Por isso, verificar uma informação antes de compartilhá-la também é uma atitude de responsabilidade.

A CNBB chama atenção, em sua mensagem de 2026, para a disseminação deliberada de notícias falsas e seus efeitos sobre a convivência social e a democracia.

add_box O A12 também tratou da relação entre desinformação e religião em Ouçamos a CNBB sobre os perigos da manipulação religiosa e fake news.

Antes de repassar um conteúdo, é preciso verificar sua origem e buscar confirmação em fontes confiáveis. Uma informação não deve ser compartilhada apenas porque confirma aquilo que o eleitor já pensa.

A fé não pode ser usada para manipular o voto

A Igreja participa da vida pública ao anunciar princípios relacionados à pessoa humana e à sociedade. Isso não significa que candidatos ou partidos possam se apresentar como representantes exclusivos da fé católica.

A comunidade política e a Igreja possuem naturezas e responsabilidades próprias. Os fiéis leigos participam da política partidária sob sua própria responsabilidade, enquanto a Igreja oferece orientação moral e espiritual.

Por isso, usar a fé para pressionar o eleitor a votar em determinado candidato não corresponde à legítima autonomia da consciência cristã.

Também é preciso cuidado com candidatos que utilizam símbolos religiosos ou referências à fé durante a campanha. Esses elementos, por si mesmos, não substituem a análise de sua trajetória e propostas.

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O voto é apenas o começo da responsabilidade

A participação política do católico não termina diante da urna. Depois das eleições, permanece a responsabilidade de acompanhar a atuação dos representantes, cobrar transparência e participar dos espaços legítimos da sociedade.

add_box Essa perspectiva também foi abordada pelo A12 na entrevista de 2022 com o Padre Inácio Medeiros, C.Ss.R., intitulada “Política é para todos os cristãos”, sobre a participação dos cristãos na vida política.

Um voto consciente à luz da fé

Diante das Eleições 2026, o ensinamento da Igreja não oferece uma resposta partidária. Oferece critérios para o discernimento.

Antes de votar, o católico é chamado a conhecer os candidatos e suas propostas, considerar o bem comum, respeitar os princípios morais fundamentais e buscar informações verdadeiras.

Antes de votar, vale perguntar: conheço a trajetória e as propostas dos candidatos? Estou considerando as consequências da minha escolha? As informações que recebi foram verificadas? Minha decisão respeita os princípios fundamentais da fé e da moral cristã? Consigo defender minha posição política sem desrespeitar quem pensa diferente?

A participação política é uma responsabilidade do cidadão. Para o católico, ela deve ser exercida com liberdade, prudência, compromisso com a verdade e atenção aos ensinamentos da Igreja.

Acesse a12.com/eleicoes e estude mais sobre o assunto!

Fonte: Vatican.va/ CNBB

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