Por Martín Ugarteche Fernández Em Espiritualidade Atualizada em 12 MAR 2019 - 10H27

Faço tudo errado

Há alguns anos sou professor de lógica, uma matéria que à primeira vista não tem muito a ver com o nosso dia a dia. Porém, com o passar do tempo fui percebendo o quanto esta matéria pode nos ajudar a viver melhor, evitando preocupações e conflitos desnecessários, que muito nos desgastam emocionalmente.

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Um dos tópicos da lógica é o das maneiras equivocadas de raciocinar, ou seja, de tirar conclusões a partir de premissas insuficientes ou falhas. Entre as citadas falácias, uma tem muito a ver com o título da nossa reflexão de hoje: generalização apressada. A generalização apressada é quando você deduz uma espécie de lei universal a partir de algumas situações concretas. Trata-se de uma espécie de salto mental, que não se justifica, pois, para afirmar uma lei seriam necessárias muitas mais instâncias concretas.

:: Tenho vontade de sumir

:: Quero me encontrar

Por que damos esse salto, então? A causa se encontra provavelmente na carga emocional que acompanha certos acontecimentos do nosso dia a dia, que faz com que se fixem de maneira mais estável na nossa memória e em nosso coração. São fatos que ressaltam mais, que nos impactam mais, devido às emoções que os acompanham.

Ao avaliarmos as nossas ideias, os nossos pensamentos e juízos mentais, que podemos ruminar silenciosamente, sem emitir uma palavra, é importante que não esqueçamos dos sentimentos que os acompanham. A relação entre pensamentos e sentimentos é de retroalimentação. Na origem de um pensamento se encontra Deus nos fala também através dos nossos pensamentos e sentimentos. muitas vezes um sentimento. Mas o contrário também acontece, há pensamentos que despertam em nós diversos sentimentos.

:: "Não acredito em Deus"

Para nós cristãos é muito importante entender esta dinâmica, pois Deus nos fala também através dos nossos pensamentos e sentimentos, assim como o diabo, quando nos tenta. Se você é alguém que está se esforçando para viver a sua fé, para abrir seu coração à graça de Deus, perseverando nos Sacramentos e tentando assumir fielmente a sua vocação, é muito provável que o diabo esteja tentando desanimá-lo, semeando sentimentos negativos, de desolação. Neste caso, o Espírito Santo agirá consolando e alentando, fortalecendo seu coração para perseverar no bom caminho.

Pensamentos como o da nossa reflexão de hoje podem ser avaliados então pelo seu “sabor”, ou melhor, pelos sentimentos que o acompanham. Como você se sente quando repete essa frase interiormente? Você se desanima, sente como se o estivessem puxando para baixo, impedindo-o de se levantar? Lembre-se então que este não é o modo de agir do Espírito Santo, que nunca desanima, nunca acusa, mas, pelo contrário, é o nosso defensor.

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Trata-se, na verdade, de um pensamento mentiroso, pois, pensando friamente [serenamente], ninguém faz tudo errado. Há muitas coisas simples, pequenas, que podemos fazer pelo nosso bem e o do nosso próximo, como, por exemplo, fazer a nossa cama, ordenar o nosso quarto, ter um gesto caridoso com alguém que encontramos em nosso caminho, sorrir quando cumprimentamos, entre outros. Estes pequenos atos, se bem que costumem passar desapercebidos, têm um potencial enorme para unir-nos mais ao Senhor, se os fizermos na sua presença, elevando o nosso coração a Ele.

Os erros, por outro lado, estarão sempre presentes em nossa vida. E não somente os erros, mas também os pecados. O importante é que eles não nos levem a fechar-nos em nós mesmos, mas a abrir-nos à graça de Deus, que quer perdoar-nos e se fazer presente até mesmo em nossas fragilidades. Aproveitemos os nossos momentos de fragilidade para renovar a nossa confiança em Deus e para colocar as nossas vidas em suas mãos, para reconhecer, como Pedro quando afundava nas águas, que precisamos Dele para nos salvar.


Escrito por
martín ugarteche (Arquivo Pessoal)
Martín Ugarteche Fernández

Nasceu em Lima, Peru, no ano de 1978. É membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1996. Desde 2001 mora em Petrópolis, na Comunidade Sodálite "Mãe da Reconciliação", onde desenvolve diversos projetos de formação e evangelização da cultura. É professor de filosofia na Universidade Católica de Petrópolis, onde leciona Ética, Lógica e Filosofia da Natureza.

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