Espiritualidade

Por que o meu pedido 'nunca' é atendido por Deus?

Padre Felipe Peligrinelli Duarte (Arquivo pessoal)

Escrito por Pe. Felipe Peligrinelli Duarte

13 OUT 2021 - 13H54 (Atualizada em 13 OUT 2021 - 15H07)

Artit Fongfung AF/Shutterstock homem rezando ajoelhado ao lado da cama (Artit Fongfung AF/Shutterstock)

Em situações de grandes dores e aflições, é comum pensarmos que Deus “não nos escuta”, que Ele “nunca atende aos nossos pedidos”. A tristeza e a angústia, assim como a astúcia do Maligno, nos levam, muitas vezes, a pensar assim. É como se repetíssemos, interiormente, aquelas dramáticas palavras do salmista:

«Será que Deus vai rejeitar-nos para sempre? E nunca mais nos há de dar o seu favor? Por acaso, seu amor foi esgotado? Sua promessa, afinal, terá falhado? [...] Eu confesso que é esta a minha dor: a mão de Deus não é a mesma: está mudada!» (Salmo 76,8-9.11)

Façamos, primeiro, um breve exercício: eliminemos da nossa pergunta inicial o advérbio 'nunca', pois não é verdadeiro! Apesar da dor que possamos estar atravessando agora, somos capazes de recordar não poucos momentos de graça e consolação que o Senhor nos concedeu ao longo da nossa vida, não é verdade? Um pouco de memória ajuda muito na hora da dor. Sendo assim, reformulemos melhor a pergunta:

Por que o meu pedido (às vezes) não é atendido por Deus?

Resposta simples: porque, não poucas vezes, pedimos mal; pedimos o que não nos convém em ordem à nossa conversão e santificação; pedimos com “segundas intenções”, sem um verdadeiro amor pelo Senhor e pela realização da Sua Santa Vontade sobre nós.

Na Carta de São Tiago, lemos: «Pedis sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois o que pedis, só quereis esbanjá-lo nos vossos prazeres» (Tg 4,3). Quando o nosso pedido, portanto, é mundano, nocivo para a nossa alma, Deus nunca nos atenderá, pois Ele quer sempre o nosso bem.

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No entanto, outra é a situação de quem, com pureza de coração, pede o que realmente convém, o que é justo aos olhos de Deus. Nestes casos, a resposta do Senhor sempre chegará, ainda que não necessariamente nos modos e tempos que desejaríamos. Aqui, é importante cultivar aquela plena disponibilidade do coração, aquela abertura sincera e confiada na Providência do Nosso Pai amoroso.

Há quem logo é atendido pelo Senhor, e há também aqueles que só recebem a graça tanto suplicada depois de muito tempo e esforço. Em tudo isso, Deus não é caprichoso e arbitrário, mas nos trata de uma maneira realmente muito pessoal, dando a cada um o necessário, segundo a sua inefável Sabedoria e Misericórdia.

Leia MaisPor que, no fim da vida, as pessoas se arrependem de não ter realizado mais? Por que fazer novenas?Assim foi o caso, por exemplo, de São Paulo. O Apóstolo havia implorado ao Senhor que o libertasse de uma dolorosa aflição, mas não foi atendido do jeito que ele queria:

«A esse respeito, roguei três vezes ao Senhor que o afastasse de mim. O Senhor, porém, me disse: “Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente» (2Cor 12,8-9).

Paulo queria livrar-se daquela aflição ─ pedido legítimo! ─, mas acabou recebendo do Senhor outra graça: a de sofrer e viver bem a fragilidade daquele momento para o bem da Igreja, para a salvação das almas.

Portanto, se a sua oração não está sendo atendida no momento, não se desespere, não se entristeça. Tenha paciência. Persevere. Faça um humilde exame de consciência e averigue, com sinceridade, se o que você está pedindo é realmente algo bom, útil para a sua conversão e santificação. Verifique também se, no fundo do seu coração, você está realmente desapegado e disponível para fazer a Vontade do Pai. Se assim for, tenha a certeza de que, no momento oportuno, como e quando Ele dispuser, você será muito bem atendido.

Escrito por
Padre Felipe Peligrinelli Duarte (Arquivo pessoal)
Pe. Felipe Peligrinelli Duarte

Pe. Felipe Peligrinelli Duarte nasceu em Volta Redonda (RJ), em 1977. É membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1995. É Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Lateranense (Roma) e Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Exerceu por alguns anos o cargo de Instrutor e Capelão do Centro de Formação do Sodalício, em Lima, Peru. Atualmente, exerce o seu ministério em Petrópolis (RJ), como Capelão do Movimento de Vida Cristã.

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