Espiritualidade

Santa Edwiges: a protetora dos endividados

João Antonio Johas Leão (Arquivo pessoal)

Escrito por João Antônio Johas Leão

22 OUT 2021 - 06H00 (Atualizada em 22 OUT 2021 - 09H26)

Shutterstock Santa Edwiges (Shutterstock)

Todos nos lembramos da passagem na qual Jesus manda dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Nesse trecho bíblico, fica claro que a vida cristã, ou seja, a vida daquele que quer seguir a Cristo, não exclui a realidade material, mas a coloca em seu devido lugar, priorizando sempre aquilo que é de Deus sobre o que é dos homens. Isso não é fácil de se fazer, porque muitas vezes, a realidade material parece ser mais urgente que a espiritual. Mas a vida de santos como a de Santa Edwiges nos mostra que com a graça de Deus é possível.

Ela foi de uma família nobre, com muitas posses. Mas desde pequena se mostrava desapegada desses bens em favor dos pobres. Além disso, mostrava que tinha suas prioridades bem definidas, mostrando um grande zelo pelo espiritual. Isso se mostra, por exemplo, quando decide com seu marido viver, dentro do casamento, um voto de abstinência sexual. Dedicando-se muito à caridade, ajudava os presos que muitas vezes eram encarcerados por terem contraído dívidas. Edwiges saldava essas dívidas com o próprio dinheiro e ainda procurava conseguir um emprego para essas pessoas. Por isso ficou conhecida como a protetora dos endividados.

Leia MaisPreciso de dinheiro!Não existe nada de errado em pedir a Deus ajuda com as necessidades materiais

Confiar na intercessão dessa santa que em vida procurou ajudar as pessoas que precisavam é certamente positivo, mas é preciso ter cuidado para não cair em uma espécie de devoção materialista.

Os bens materiais nos servem para podermos ter uma vida digna e para permitir que nós mesmos possamos servir aos demais. Eles não são um fim, mas um meio. Quando fazemos dos bens materiais um fim, somos nós quem servimos ao dinheiro e não ele que nos serve. Ficamos escravizados. E Santa Edwiges, quando ajudava esses endividados, era para que pudessem retornar a liberdade dos filhos de Deus, não para que se apegassem a seus bens.

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Em outra passagem famosa, Jesus conta uma parábola sobre um administrador infiel e em certo momento diz:

“Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.  (Lc 16,13)

Vale a pena perguntar-nos a quem estamos servindo realmente quando pedimos apenas as coisas materiais. Porque, embora elas possam parecer muito urgentes (e podem ser muito urgentes mesmo), mais urgente é cuidar da nossa vida espiritual, da nossa salvação. Porque de que vale ganhar o mundo inteiro se perdermos a nossa alma?

Isso não quer dizer que não devemos pedir. Como disse a princípio, a realidade material faz parte da nossa vida, mas em seu devido lugar. Aliás, é preciso pedir com insistência, como escutamos na passagem da viúva e do juiz, na liturgia do domingo passado. Deus concede, por intercessão de santos como Santa Edwiges, tudo o que necessitamos para a nossa vida e para a nossa salvação. Precisamos confiar cada vez mais nisso. É preciso apenas o cuidado de não inverter as nossas prioridades e passar a servir o dinheiro antes que Deus.

Santa Edwiges nos mostra exatamente isso sendo desapegada de seus tantos bens. O possuir bens não gerou, em sua vida, uma escravidão. Pelo contrário, dando exemplo de como todos os cristãos deveriam agir, serviu-se dos bens para fazer de sua vida uma vida de serviço ao próximo na caridade. Que possamos seguir seu exemplo, confiando na providência divina que nunca esquece de seus filhos.

Escrito por
João Antonio Johas Leão (Arquivo pessoal)
João Antônio Johas Leão

Licenciado em filosofia, mestre em direito e pedagogo em formação. Pós-graduado em antropologia cristã e entusiasta de pensar em que significa ser cristão hoje.

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