Por Redação A12 Em História da Igreja Atualizada em 09 OUT 2019 - 10H05

A Igreja no Império do Oriente

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O território geográfico do Império Romano do Oriente, por volta do ano 600, abrangia
grande parte da Itália, parte da África do Norte, o Egito, a Palestina, a Síria, a Ásia Menor (atual Turquia), a Grécia e grande parte da região dos Bálcãs.

Os árabes, no século VIII, conquistariam a África do Norte, o Egito, a Palestina e a Síria e, a partir do século XI, começaria a pressão dos turcos otomanos, que iriam comprimindo as fronteiras do império até a conquista final de Constantinopla, no ano de 1453.

O Império Romano do Oriente durou mil anos a mais do que o Império do Ocidente, criando uma forte tradição religiosa e política, razão esta de um constante litígio e da posterior separação com o Ocidente.

Uma Igreja Imperial

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No Oriente, como herança do espírito romano, o imperador era considerado a única e maior autoridade e o representante de Deus na terra. Para expressar a aprovação divina de sua escolha, ele era coroado pelo patriarca, devendo, como limite de seu poder, administrar segundo a justiça.

Como representante de Deus, era rodeado por um cerimonial cada vez mais sofisticado, o que o tornava sagrado e venerável. Uma vez coroado, colocava-se acima de todos, mesmo do patriarca, devendo proteger a Igreja e defender a fé. Mesmo não sendo da hierarquia da Igreja, cada vez mais adquiria poder de influenciar na escolha do patriarca que assumia após ele declarar: "Eu te promovo a patriarca".

O imperador devia, como parte de sua missão, por outro lado, aplicar as decisões dos Concílios e decidir sobre a criação de dioceses. De um modo até exagerado, se afirmava que, se o patriarca era a imagem de Cristo, o imperador era imagem de Deus Pai.

O poder do imperador sobre a Igreja pode ser visto nesta estatística: entre 381 e 1453, Constantinopla teve 122 patriarcas. Desses, 33 foram depostos e 20 renunciaram; em 36 desses 53 casos, estava por trás algum conflito com o poder imperial.

Mas o poder do imperador era controlado pela obediência à tradição eclesial: podia até mudar o patriarca, mas não obrigar o povo a aceitar uma heresia ou falsa interpretação da doutrina, pois aí seria o patriarca a pedir a sua destituição. Sua autoridade foi controlada, sobretudo, pela enorme influência dos monges, corajosos defensores da teologia, da ortodoxia e da liturgia e com forte apelo e influência sobre as massas. Numa palavra, pode-se dizer que o Imperador era Deus na terra, mas, pobre dele se fugisse da tradição ortodoxa!

A espiritualidade no Oriente Cristão

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Na Igreja do Oriente, a espiritualidade alimentava-se e fortalecia-se com a Divina Liturgia (Eucaristia e Liturgia das Horas).
A partir do século VIII, desenvolveu-se de modo definitivo a liturgia bizantina, sempre mais voltada para guardar e mostrar o mistério.

Elementos como os ícones, o incenso, os paramentos, as cerimônias, tudo se voltava para a finalidade de levar o fiel a sentir o céu na terra. A celebração dos Mistérios (Sacramentos) devia envolver os cinco sentidos e, desse modo, possibilitar uma experiência do mistério da Encarnação, ou seja, Deus desce à terra para que o homem suba até Deus.

O cristão ortodoxo, ao dirigir-se para participar do Mistério (Eucaristia), devia ter a clareza de que iria saborear realidades divinas, sair do tempo e ingressar na eternidade. E a própria grandiosidade da arquitetura das basílicas contribuía para aumentar essa sensação de pequenez do ser humano diante do divino.

Na espiritualidade ortodoxa, o fim de toda a ação cristã é a divinização do ser humano. Porque Deus se fez humano, o homem deve se fazer divino.

Os canto, as melodias, os ícones, os hinos e mosaicos, a arte em suas múltiplas expressões... tudo devia estar a serviço do mistério trinitário.

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Nesta concepção da Espiritualidade e da liturgia na Igreja do Oriente um lugar especial e uma devoção central era reservada a Maria, a “Toda Santa” (Panaghia), obra perfeita da Santíssima Trindade.

A Igreja do Oriente ou ortodoxa, como passou a ser chamada, deixou como legado grandes autores espirituais pelas suas obras e pelo seu pensamento. Entre eles podemos citar São Basílio Magno (+ 390), São Gregório de Nazianzo (+ 390), São Gregório de Nissa (+ 394), Máximo o Confessor (+ 662), São João Damasceno (+ 750) e Simeão, o Novo, que foi um grande teólogo (+ 1022), impulsionador da mística para todo o cristão.

O apego às leituras da vida de Santos, que se salientaram pela caridade e piedade, mostra como estas virtudes eram apreciadas pelo povo bizantino.

Tristemente, o Oriente também passou pelo declínio da moral cristã, tanto nos clérigos como nos leigos. A liturgia revestiu-se de um ritualismo que mal se distinguia da superstição e o apego às práticas pagãs se tornara consequência da vida numa capital cosmopolita aonde acorriam povos dos mais diversos cultos e pensamentos.

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