Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 26 OUT 2017 - 14H13

A Reforma Católica

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA

História Moderna – 10

Desde o século XIV começou a ficar bem claro a necessidade de algumas reformas na Igreja católica para que ela pudesse ser mais fiel à sua missão. Os movimentos reformistas de Wyclif, Jan Huss e de Martinho Lutero foram demonstrações de que a Igreja moderna precisava rever seus rumos, repensar algumas práticas e sistematizar melhor sua doutrina para adaptá-la aos tempos modernos frente às novas doutrinas do humanismo e do racionalismo que surgiam.

Os concílios realizados no período imediatamente anterior da Reforma Protestante como o de Constança (1415-1418), Basíleia (1431-1449) e Latrão (1512-1515) já haviam lidado com algumas questões reformistas importantes, tentando atualizar o pensamento católico. No entanto a difusão do protestantismo nas décadas de 1520 a 1540 forçou a Igreja a atuar com mais firmeza para preservar sua mensagem e evitar a perda de mais fiéis.

Desta forma, sobretudo, depois da explosão do movimento reformista capitaneado por Lutero, Calvino e por Henrique VIII na Inglaterra, a Igreja coloca em marcha algumas mudanças que ficaram conhecidas como Contrarreforma. Esta movimentação da Igreja vai se encaminhar em duas direções principais: Reforma das ordens religiosas tradicionais, com a criação de novas ordens renovadas e convocação de um Concílio Ecumênico para tratar das principais questões relativas à Igreja neste período. O destaque fica então para a criação da Companhia de Jesus e convocação do Concílio de Trento.

A COMPANHIA DE JESUS/A ORDEM DOS JESUÍTAS

Em 1534, o militar e religioso espanhol Inácio de Loyola fundou a Companhia de Jesus.

Seis anos depois (1540), o Papa Paulo II aprovou a criação da ordem e seus Estatutos Gerais. Inspirados numa estrutura militar, os jesuítas consideravam-se “soldados da Igreja” com a missão de combater a expansão do protestantismo.

A principal estratégia dos Jesuítas foi investir na criação de escolas religiosas. Outro instrumento utilizado foi a catequese. Consolidados, os jesuítas empenharam-se em converter ao catolicismo os povos dos continentes recém-conquistados pelos europeus (americanos, africanos e asiáticos).

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O CONCÍLIO DE TRENTO

Em 1545, o Papa Paulo III deu início a um Concílio Ecumênico na cidade italiana de Trento. Seu objetivo principal era o de estabelecer uma convincente resposta da Igreja católica às posições religiosas de Martinho Lutero e de João Calvino. A intenção do Papa ao convocar o Concílio, era promover uma reforma geral na Igreja, o que de fato aconteceu – por esta razão, os historiadores preferem referir-se à Contrarreforma pelo nome de Reforma Católica.

O Concílio foi marcado por intensos conflitos políticos. As guerras entre o Imperador Carlos V (Sacro império Romano-Germânico) e o rei Francisco I (França) chegaram a retardar em vários anos a sua realização, pois fora programado inicialmente para 1537. Iniciado o Concílio, os conflitos com Carlos V aumentaram ainda mais. Enfrentamentos militares com os protestantes também influenciaram nos resultados do Concílio, tornando inviável a aproximação entre as duas partes. Ao final de dezoito anos, o Concílio foi encerrado, tendo operado mudanças profundas na estrutura da Igreja Católica, ainda que mantendo praticamente inalterado os seus dogmas.

O Concílio manteve a ideia do pecado original, a tradição dos fundadores da Igreja passou a ser mais aceita, além da Bíblia, como fonte de revelação divina, contrariando as posições protestantes. Os abusos, como a venda de indulgências, a Simonia e o nepotismo foram proibidos.


As ações do Concílio de Trento reafirmam a doutrina católica e lançam as bases para o movimento da Contrarreforma.

A INQUISIÇÃO E O INDEX LIBRORUM PROHIBITORUM

A única interpretação correta de Bíblia era a da Igreja Católica. Qualquer um que manifestasse divergências doutrinárias poderia passar a ser considerado herege. Essa medida levou ao fortalecimento da inquisição e a criação do Index Librorum Prohibitorum (lista de livros proibidos), que relacionava todos os livros que os católicos estavam proibidos de ler, sob o risco de serem acusados de heresia.

A primeira edição do Index foi publicada em 1559, e incluía, entre outros, o De revolutionibus orbium coelestium (das revoluções das esferas celestes), de Nicolau Copérnico, que expunha o sistema Heliocêntrico, além de obras de Galileu Galilei, Nicolau Maquiavel e Erasmo de Roterdã.

O index foi atualizado pela última vez em 1948, e formalmente extinto em 1966, com o Concílio do Vaticano II.

A Inquisição havia sido criada durante a idade média, mas teve sua atuação fortalecida após a reforma católica. Na Espanha, o Tribunal do Santo Ofício da inquisição foi estabelecido em 1478. Em Portugal ele data de 1536. A principal tarefa da Inquisição era a de investigar os desvios da fé dos cristãos, especialmente nos caso de cristãos-novos (judeus recém convertidos) suspeitos ainda de praticarem o judaísmo escondido (Criptojudeus). A inquisição também passou a investigar casos de desvios de conduta como bigamia ou qualquer tipo de atividade sexual “imprópria”.


Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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