Na longa história dos Papas que governaram a Igreja de Jesus Cristo, há muitas histórias verídicas, existindo, porém, aquelas que não passam de meras invenções, colocadas naquilo que é chamado de “legendas”.
Trata-se de narrativas mitológicas criadas como parte do folclore, especialmente na Idade Média, ou como sátiras para depreciar a vida e as ações de determinados papas. Uma das narrativas mais famosas afirma que, em 1456, o Papa tenha oficialmente "excomungado" um cometa do céu. Chega, inclusive, a traduzir as palavras que o Papa tenha usado na ocasião: "Eu te expulso da comunhão dos corpos celestes."
Historiadores já desmentiram o fato, afirmando que tudo não passa de uma lenda histórica sem fundamento.
Conta a lenda que a passagem do Cometa Halley, muito perto da Terra, no século XV, trouxe grande pânico, sendo vista como um aviso de desgraça, como uma espada acesa no céu.
O Papa Calisto III foi convencido de que era um demônio enviado para fazer os cristãos perderem guerras ou um sinal do iminente apocalipse. Por isso, escreveu um documento oficial para amaldiçoá-lo, ordenando que os sinos de todas as igrejas deviam ser tocados para assustar e espantar o cometa.
Na verdade, o contexto era de medo, mas por outras razões. Corria o ano de 1456, com os turcos sitiando a cidade de Belgrado, hoje capital da Sérvia, na Península dos Balcãs. Como acontece a cada 75 ou 76 anos, o cometa Halley, que orbita ao redor do Sol, apareceu no céu. As pessoas que já estavam apavoradas com a possível invasão dos turcos otomanos, que eram muçulmanos, o que poderia decretar o fim da fé cristã por onde passassem, viram no cometa "um presságio otomano”.
Pacificamente, como sempre aparece, o cometa se foi, a cidade de Belgrado foi libertada, mas por 300 anos as pessoas passaram a acreditar que o som dos sinos afastava os cometas e outras formas de mal.
Hoje nós damos risadas da história, mas, ao longo dos séculos, muitos dados da ciência foram rejeitados por razões difíceis de acreditar.
Um astrônomo jesuíta, Johan Stein, examinou os documentos guardados nos arquivos do Vaticano em 1909, mostrando que não existe ato ou bula de um papa lançando excomunhão contra o cometa. Os documentos originais, tanto crônicas, observações quanto testemunhos contemporâneos, foram profundamente investigados por ele e, assim, a falsidade dessa lenda foi claramente demonstrada.
Quando o cometa apareceu em 1456, com a cidade de Belgrado sitiada, o Papa estava, sim, preocupado com a gravidade da situação. Calixto III, que governava a Igreja, ordenou que os fiéis recitassem orações e tocassem os sinos das igrejas ao meio-dia para invocar proteção divina contra os turcos, e não contra o corpo celeste.
A lenda nasceu e se espalhou séculos depois, também alimentada por interpretações distorcidas adotadas na era do Iluminismo para retratar o papado e a Igreja como hostis à ciência. O que era um pedido de apoio espiritual acabou sendo transformado em uma narrativa folclórica sobre uma tentativa de banir um corpo celeste por decreto religioso.
Mesmo sendo uma distorção histórica, o caso revela como o desconhecido gerava pânico em tempos medievais. O Cometa Halley seguiu seu curso, indiferente às ordens humanas, voltando a cada 76 anos para nos lembrar de nossa pequenez diante do cosmos. Hoje, essa lenda sobrevive como um registro de um tempo em que um simples brilho no céu podia fazer tremer as maiores autoridades do mundo.
Com o nome de Alfonso de Borja, membro da poderosa Família Borgia, nasceu em 31 de dezembro de 1378, na Espanha.
Com cerca de 66 anos, foi nomeado cardeal (1444) com o título de Santi Quattro Coronati, transferindo sua residência para Roma. Longe do luxo, manteve uma vida prudente e simples, preservando seu prestígio como eminente jurista.
Com a morte de Nicolau V, Alfonso de Borja foi eleito Papa em 8 de abril de 1455, aos 76 anos, como o 209º papa da Igreja, escolhendo o nome de Calixto III. A eleição de um papa não italiano, espanhol e catalão, foi uma saída para evitar a disputa entre os candidatos das poderosas famílias italianas de então.
Seu pontificado focou principalmente em três aspectos: a luta contra os turcos, que não despertou grande entusiasmo, mas a quem venceu; a defesa do equilíbrio político herdado e a consolidação da autoridade papal nos Estados Papais. Com sua nova dignidade, pôde concluir o processo de canonização de São Vicente Ferrer.
Em agradecimento pela vitória contra os turcos de 1456, incluiu a Festa da Transfiguração no calendário romano com a bula “Cum his superioribus annis” de 1457.
Em 6 de agosto de 1458, depois de apenas 3 anos de pontificado, Calixto III faleceu e seus restos mortais foram sepultados na capela de Santa Maria della Febbre, anexada à basílica do Vaticano. Posteriormente, foram transferidos para seu local de descanso atual, na igreja de Montserrat, em Roma.
Leia também: Fake news e o 8º Mandamento: o que a nossa fé nos ensina?
11° Romaria do Transporte Escolar reúne devotos em Aparecida
A XI Romaria Nacional do Transporte Escolar reúne motoristas e proprietários de vans em Aparecida, unindo fé, gratidão e a devoção em Nossa Senhora Aparecida!
Papa Leão XIV autoriza reconhecimento de seis veneráveis
Conheça as histórias de fé, missão e dedicação que marcaram a trajetória dos seis novos veneráveis da Igreja Católica.
Dom Mário destaca amor e reconstrução na festa de Frei Galvão
Na missa solene em Guaratinguetá (SP), o Arcebispo de Aparecida exortou o amor ao próximo, a caridade e a reconstrução da vida cristã a partir do Evangelho.
Boleto
Carregando ...
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Carregando ...
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.