Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 22 FEV 2018 - 14H12

Estilo Barroco: Igreja Impulsiona Arte Sacra

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA

História Moderna – 15

Os conflitos políticos e religiosos que aconteceram na Europa do século XVI acabaram por influenciar fortemente no estilo de arte então existente. Com isso, o estilo renascentista passou a ser substituído pela arte que ficou conhecida como Estilo Barroco. Este estilo de arte surgiu na Itália no fim do século XVI, estendendo-se pelo século XVII, período em que ocorreu uma série de mudanças econômicas, sociais e religiosas na Europa. Da Itália este estilo se espalharia por outros países ganhando características próprias em cada região. Um dos países em que esta arte ganhou mais proeminência foi a Espanha, pais não atingido pela Reforma Protestante por causa da ação forte de sua monarquia.

Após o período do renascimento, com as reformas religiosas de Martinho Lutero e João Calvino, a Igreja católica foi perdendo seu poder, pois a força da razão libertava o homem do autoritarismo imposto seja pela religião como pelas muitas tradições herdadas da Idade Média. Para reconquistar seu prestígio e poder, a Igreja católica organizou a chamada Contrarreforma, reafirmando e difundindo sua doutrina especialmente após o Concílio de Trento.

Uma dos sinais mais fortes e mais decisivos desta ação da Igreja na Contrarreforma se deu com a criação da Companhia de Jesus, conhecida popularmente como ordem jesuíta que tinha como objetivo difundir a fé católica entre os povos não-cristãos, especialmente nos continentes periféricos recém-conquistados. A supremacia do religioso sobre o “pagão” era demonstrada com a construção de grandes igrejas. E é nesse processo de construção e decoração que nasceu a arte barroca.

A igreja de Gesù (Igreja de Jesus) dos jesuítas foi a primeira de estilo barroco, construída em Roma por um dos mais importantes arquitetos italianos: Giacomo della Porta, entre 1571 e 1575, e pertencia à Companhia de Jesus. Este tipo de arquitetura rompia com os valores da racionalidade e simplicidade, marcas renascentistas, ao mesmo tempo em que demonstrava os conflitos de todo tipo vividos pelo home moderno.

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A igreja de Gesú, dos jesuítas, em Roma é o principal exemplo da transição entre o estilo renacentista e o barroco na Itália

Características do Estilo Barroco

Leia MaisPaz da Westfália encerra Guerra dos 30 AnosA Guerra dos 30 anosAs consequências da Reforma ProtestanteAos poucos a arte barroca foi se propagando, ganhando adeptos e demonstrando as suas principais características:

Templos transformados em espaços cênicos. Arquitetos, pintores e escultores tinham como "missão" transformar as igrejas em espaços cênicos para a representação de uma espécie de "teatro sagrado". A meta era converter ao catolicismo todas as pessoas. Em geral, o rosto das pessoas retratadas nos diversos exemplares demonstrava a conflitividade existente no mundo exterior.

Cenas religiosas representadas de forma dramática. No Renascimento pregava-se a força da razão sobre a emoção e as figuras eram representadas de forma estática, como se estivessem posando para um retrato. No Barroco o conceito é outro. Para exaltar os sentimentos, as cenas são representadas de forma teatral, isto é, nas pinturas os personagens parecem estar em movimento e a religiosidade é expressa de forma dramática, de forma a atingir, inclusive, a emoção de quem observa o quadro. A luz também dá a intensidade do drama à cena, destacando os elementos mais importantes do quadro.

Esculturas marcadas pela sensação de movimento. Assim como nos quadros religiosos, a carga dramática e a sensação de movimento vão aparecer também nas esculturas.

Temas religiosos, cenas mitológicas e do cotidiano. O equilíbrio entre arte e ciência, um dos objetivos do artista renascentista, sofre uma ruptura no barroco que, além de temas religiosos, também retrata cenas mitológicas e do cotidiano, sempre com o predomínio da emoção sobre a razão.Também apresenta como característica a oposição entre o poder humano e o poder divino, o céu e o inferno, o antropocentrismo e o teocentrismo.

O Barroco na Europa

O estilo barroco saiu da Itália onde começou e difundiu-se por vários países europeus, chegando até mesmo na América onde marcou a cena artística brasileira com as obras de Aleijadinho e outros representantes de menor expressão.

Devido às suas características de composição mais "livres", o barroco permitiu que elementos de culturas locais fossem representados em seus quadros. Na Holanda, por exemplo, houve uma preferência da parte de Rembrandt, um de seus maiores representantes em retratar cenas do cotidiano. Na América espanhola, elementos da cultura indígena foram incorporados à decoração de igrejas.

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As obras do mestre Aleijadinho nos mostra o que existe de mais representativo do Barroco no Brasil

Certos exageros tornaram-se muito patentes na arquitetura barroca que se tornou majestosa, excepcional, ao combinar elementos clássicos e renascentistas (como colunas, arcos e capiteis) de maneira inovadora, escolhendo adotar os efeitos curvos em proporções maiores. Com isso, abriria espaço para que a escultura e a pintura também entrassem nesta nova forma de se planejar e proporcionar a sensação de maior magnitude e amplidão possíveis nos espaços, sobretudo, religiosos.

Enquanto a Espanha, um dos países de maior fervor católico da Europa, passava por transformações artísticas, as instituições eclesiásticas viram nos "excessos" do Barroco um conveniente meio de consolidar o processo de combate às ideias da Reforma Protestante, que despontara na Alemanha, Suíça e Países Baixos. Com isso, os espanhóis passaram a construir e enriquecer as igrejas, conventos, catedrais e palácios, assim como também o fez Portugal, amparado pelo absolutismo monárquico.

Na arte tudo deveria ser uma manifestação de grandeza, do que, na verdade, conceitualmente, viria dos céus. A exemplo do Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, com sua exuberante arquitetura, cujo início de construção remonta à Renascença, temos a Espanha o Mosteiro do Escorial, Palácio de Filipe II em San Lorenzo de El Escorial, símbolo arquitetônico da majestade e do poderio espanhóis.

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O El Escorial une numa imensa construção palácio, mosteiro, biblioteca e museu como expressão do poderio da monarquia espanhola

Nos países onde a Reforma Protestante não entrou com força, a ligação entre a Igreja e o império ainda continuaria por bastante tempo, como é o caso da Península Ibérica. Passado o seu período de apogeu o Barroco ainda sobreviveria séculos afora na influência de gerações de artistas nas mais variadas linguagens visuais como Pablo Picasso e Salvador Dalí, ótimos exemplos disso; na arte religiosa até os dias de hoje, e ainda no imaginário de cada pessoa quando pensa em outra realidade, sublimada pelo ideal de beleza maior, como pela alegria, poder e imensidão da vida.

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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