Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 20 FEV 2018 - 10H44

Paz da Westfália encerra Guerra dos 30 Anos

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA

História Moderna – 14

O que no começo parecia apenas um conflito religioso, acabou se tornando uma grande luta pelo poder na Europa, com a afirmação da supremacia das grandes nações modernas com o poder concentrado nas mãos dos grandes reis.

Leia MaisA Guerra dos 30 anosAs consequências da Reforma ProtestanteO Concílio de TrentoA Reforma CatólicaA Guerra dos Trinta anos começou no dia 23 de maio de 1618, na Boêmia (hoje República Tcheca). Nobres protestantes invadiram o castelo da capital e jogaram os representantes do imperador pela janela, com a intenção de demolir duas igrejas luteranas, contrariando a tão propalada liberdade religiosa. Este episódio ficou conhecido como a Defenestração de Praga. A este fato somou-se a recusa da Liga Evangélica em aceitar a eleição do imperador católico radical Ferdinando II (1578–1637). Em represália, coroou o protestante Frederico V (1596–1632) rei da Boêmia. É importante aqui lembrar que o Sacro Império Romano da nação germânica havia sido formado por Otto, o Grande, sagrado imperador pelo papa João XII em 962 – o que marcou o começo do 1º Reich, que seria dissolvido apenas em 1806.

Depois que as tropas imperiais invadiram o território boêmio e derrotaram os protestantes, Ferdinando II condenou os revoltosos à morte e confiscou os domínios de Frederico V, cancelou seu direito de príncipe eleitor, declarou abolidos os privilégios políticos e a liberdade de religião. Os demais principados protestantes do Sacro Império Romano Germânico sentiram-se ameaçados e entraram no conflito.

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O Cardeal Richelieu influenciava fortemente a política estatal na França, aproveitando-se da debilidade do rei

Na segunda fase, a guerra tomou proporções internacionais, com o ingresso da Dinamarca e da Noruega. A fase seguinte envolveu a Suécia, que acabou sendo derrotada. A última etapa da guerra envolveu diretamente a França, governada pelo rei, mas com a política fortemente influenciada pelo cardeal Richelieu, cuja política externa visava transformar a França na maior potência na Europa. A França já havia apoiado os dinamarqueses e suecos e declarou guerra à Espanha em 1635.

O conflito estendeu-se até 1648, quando a Espanha, bastante enfraquecida, aceitou a derrota. Mercenários holandeses, ingleses e espanhóis pilharam, incendiaram casas, e mataram milhares de pessoas. Quem conseguiu se livrar da morte por assassinato correu o risco de morreu de fome ou de epidemias. Os próprios soberanos reconheceram que com o avançar dos conflitos ninguém sairia vitorioso e resolveram organizar o armistício em duas frentes.

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A cidade de Munster, Alemanha foi uma das escolhidas para sediar as tratativas de paz

A cidade de Münster que era católica e a luterana Osnabrück foram escolhidas como sedes das tratativas de paz em 1641. Então, a partir de 1644, 150 delegados começaram seus trabalhos nas duas cidades. Mensageiros viajavam constantemente entre ambas, e também eram direcionados a Viena, Roma e outras capitais europeias.

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A guerra dos 30 anos e a Paz de Westfalia ajudaram a moldar o rosto moderno da Europa

A Alemanha saiu arrasada da guerra, com sua população reduzida de 16 para 8 milhões. No império constituído por 300 territórios soberanos, quase não sobrou mais nenhum sentimento nacional comum.

A França foi a grande vitoriosa a guerra: anexou a Alsácia e consolidou o caminho para sua expansão. Mas, a Espanha, por sua vez, prosseguiu sua luta contra os franceses até que, derrotada pela aliança franco-inglesa, aceitou a Paz dos Pirineus, em 1659, o que confirmou o declínio de sua supremacia como havia acontecido no século XVI.


Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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