Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 21 JAN 2020 - 14H28

O Irã atual


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Importantes manifestações artísticas e culturais da Pérsia ajudaram a construir o Irã atual. Embora a arte, a cultura e outras manifestações do país fossem tradicionalmente conhecidas como persas, já faz muito tempo que o país é denominado como Irã e os seus habitantes são chamados de iranianos e não mais persas.

No entanto, o termo é mais difundido e mais popular para se referir ao período anterior à chegada do Islã, que remonta ao século VII d.C., ou seja, à época do antigo Império persa, bem como a sua pré-história.

O nome do país que hoje conhecemos como Irã é um exemplo da contribuição das diferentes culturas que, somadas, ajudaram a formar e moldar a sua atual identidade.

Um passado marcado pela descendência dos indo-europeus

Na Antiguidade, os gregos chamavam a região hoje ocupada pelo Irã como Pérsia. O idioma persa utilizava as palavras eran e aryan para designar o povo que habitava aquela região. Essas expressões faziam referência à origem étnica de uma população considerada descendente dos arianos, um povo indo-europeu que se estabeleceu na Ásia Central por volta do fim do terceiro milênio a.C.

Devido ao apreço que os reis e imperadores persas tinham pelo caráter ariano de sua língua, de sua escrita e de sua descendência, o nome Irã foi definitivamente adotado no século III d.C.

Além das inovações administrativas da antiguidade os persas haviam se notabilizado por sua arte, com suas esculturas decorativas e pela arquitetura monumental de seus palácios e jardins. Isso sempre será lembrado como recordação do tempo de seu maior poderio.

Na religião desenvolveram o zoroastrismo baseado na concepção religiosa do bem e mal, cujos pecadores seriam salvos quando viesse o messias. Os princípios da religião estavam no livro Avesta, escrito pelo legendário Zoroastro ou Zaratustra. Com a chegada do islamismo à região, o zoroastrismo forçadamente perdeu muitos de seus seguidores.

Leia MaisQuando a revolução religiosa acirra ainda mais os ânimos do IrãUma história marcada por conflitos e guerrasDa civilização Persa ao irã atual : Compreendendo a crise entre Estados Unidos e IrãMas havia outras religiões na Pérsia, como o mitraísmo que valorizava muito o bem, a vida após a morte e a reserva do paraíso para os justos, com uma moral religiosa bastante rigorosa. A divindade do mitraísmo, Mitra, teria nascido no dia 25 de dezembro, porém essa concepção religiosa é anterior ao cristianismo. Quando o cristianismo entrou em Roma lá encontrou o culto de Mitra bastante difundido.

No conjunto religioso havia ainda o gnosticismo, que buscava o conhecimento total através da graça divina e o maniqueísmo com uma origem religiosa baseado do dualismo, colocando a luz contra as trevas.

Depois da introdução do Islamismo no século VII d.C., a partir da conquista da região pelos muçulmanos em 650, o termo Pérsia venceu e prevaleceu até 1934, quando a dinastia dos Pahlevi mudou novamente o nome do país para Irã.

Região sucessivamente dominada

Já no período contemporâneo o Irã resistiu ao domínio de novas potências que retalharam o Oriente Médio formando países diferentes, divididos por fronteiras artificiais, motivo de grande parte dos conflitos que ainda hoje assola a região.

Em fins do século XIX e começo do Século XX o Reino Unido e a Rússia passaram a disputar a influência sobre o Irã. O Irã se localizava no meio das colônias desses dois grandes impérios, passando a ser também objeto de disputa até que os ingleses e russos decidiram resolver suas diferenças sem pegar em armas.

Em 1907, ingleses e russos assinaram um pacto, a chamada Entente Anglo-Russa, que pôs fim ao chamado "Grande Jogo", o conflito e a rivalidade estratégica entre o Império Britânico e o Império Russo pela supremacia na Ásia Central. O objetivo desse acordo era resolver a longa disputa entre as potências imperiais sobre o entorno de suas colônias, embora também tenha servido para combater a influência alemã que vinha crescendo naquela época.

Pelo pacto, o Reino Unido e a Rússia dividiram o Irã em três zonas de influência: o Norte ficou com a Rússia, o sudeste com a Inglaterra e o restante seria uma zona neutra. O acordo foi importante para estabelecer um alinhamento diplomático que durou até a 1ª Guerra Mundial.

Em 1941, na 2ª Guerra Mundial, o Irã foi invadido pelos Aliados. O objetivo era proteger os campos de petróleo que haviam sido descobertos no país e também as rotas de abastecimento, no chamado "Corredor Persa". Um período de muita instabilidade se seguiu ao fim do grande conflito. Entre 1947 e 1951, o Irã teve seis primeiros-ministros.

Quanto mais o Irã se afastava da Inglaterra, mais se aproximava dos Estados Unidos, o seu novo aliado. Nesta época, o mundo vivia no cenário pós-guerra, surgindo movimentos de contestação à ordem global controlada pelas potências europeias. Apesar da pressão britânica, o movimento de nacionalização continuou no Irã, e o país passou a assumir a sua indústria do petróleo.

Presença dos Estados Unidos

Depois de mais algumas crises o Irã se tornou uma autocracia com o apoio dos americanos, que se tornavam a nova potência global. O xá Reza Pahlevi ganhou plenos poderes, passando a governar o país. Começava assim um longo período de amizade com os Estados Unidos.

O Xá Reza Pahlevi deu início a uma série de reformas administrativas, agrárias, sociais e econômicas com o objetivo de modernizar o país. Essa empreitada ficou conhecida como a Revolução Branca do Xá.

Com a aproximação do Ocidente o país também importou novos costumes, se ocidentalizando cada vez mais, num movimento iniciado pelo governo anterior, do pai de Pahlevi, Mohammad Reza-Shah. Os homens foram obrigados a usar roupas ocidentais, as mulheres foram desencorajadas a usar o véu. Homens e mulheres podiam até orar juntos, violando uma das principais regras islâmicas.

Os filmes, a música e outros elementos da cultura americana invadiram o país. Tudo isso entrou em choque com o xiismo, a corrente islâmica mais rigorosa que dominava o Irã.

Oponentes foram presos, torturados e mortos. Neste contexto é que o aiatolá Khomeini, expoente da resistência xiita foi preso e exilado na França.

E os EUA foram acusados de fazer vista grossa para as violações de direitos humanos, que aconteciam no país em nome dessa amizade.

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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