Dentro da história da Igreja, vemos que a questão do dualismo sempre foi algo desafiador e que levou a vários debates e conflitos. O dualismo é algo que nasce na filosofia grega de Platão, com a questão do mundo inteligível e o mundo sensível, ou seja, o mundo das coisas sensíveis (materiais) é um reflexo do mundo inteligível (das ideias) que era perfeito. Também Aristóteles, ao tentar explicar a relação da razão com o corpo, leva a um dualismo.
O problema do dualismo, que queremos tratar nesta reflexão, se dá na questão entre o conservadorismo e a Teologia da Libertação, que vemos principalmente na Igreja presente no Brasil.
Vemos um intenso debate dentro das comunidades e seminários em relação às correntes tanto conservadoras quanto libertárias, que padres e leigos seguem dentro da Igreja. Entre uma liturgia ultraconservadora e uma liturgia ultralibertária existe um abismo imenso onde caiu a liturgia como ela é em si. A liturgia é apenas um exemplo daquilo que expressa essa dualidade dentro da Igreja.
Leia MaisSobre a educação domiciliar – estamos prontos?Movimento “Escolhemos a vida”, reúne milhares de pessoas em RomaVemos que grupos conservadores levam à risca as rubricas do missal romano, não abrindo espaço para uma inculturação; ou, ainda, buscam utilizar de uma liturgia pontifical que não cabe em nossa cultura e esquecem-se das riquezas culturais de nosso país, que podem, sim, ser colocadas dentro da liturgia. Já do lado contrário, vemos uma importação deturpada de liturgias africanas, latino-americanas, que se misturam para formar uma “inculturação” brasileira dentro da liturgia, mas que, no final, se torna um abuso daquilo que é essencial.
Em ambos os casos, há uma incompreensão daquilo que o Magistério da Igreja pede a respeito da liturgia, bem como a respeito de todo o Magistério dos Papas, desde João XXIII até Francisco. O dualismo presente na Igreja hoje não defende a tradição ou a opção pelos pobres, mas defende suas próprias visões e interpretações do que é a tradição e do que é a opção preferencial aos pobres.
Logo, os males causados por este dualismo acabam por ser o motivo de rupturas e separações. São males destrutivos, pois ao defender uma visão e interpretação, esquece-se do sentido último do Evangelho e da vida de Jesus, que é o amor e a construção do Reino. Uma forma de curar este mal? O diálogo e a busca pela compreensão de ambas as partes.
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