Por Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. Em Igreja Atualizada em 29 NOV 2017 - 10H55

Conhecendo os Evangelhos: Abandonar a velha vida de pecados

Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

Abandonar a velha vida de pecados


No Império Romano, os impostos eram cobrados em todas as províncias, pois era necessário pagar as contas do imperador, mas também era umas das principais fontes de renda que manteria aquele gigante império em pé.

Para coletar os impostos das províncias, algumas pessoas eram recrutadas. Elas eram chamadas de coletores de impostos ou publicanos. Na época de Jesus, esse era um dos trabalhos mais indignos de serem feitos. Afinal, um judeu que cobrasse impostos de seu próprio povo para ajudar o Império Romano (impostor) era visto como o mais sujo entre a população.

Os publicanos, além de cobrar os impostos para o Império, aumentavam as taxas para se aproveitar dos benefícios momentâneos que a desonestidade sempre propiciou e ainda propicia. E isso encolerizava ainda mais os compatriotas judeus. Esses coletores, portanto, eram considerados os piores pecadores da época. E, segundo os Evangelhos, Mateus se encaixava nessa descrição de trabalho.

Mateus, em grego Matthaios (Ματθαιος), exercia o seu trabalho em Cafarnaum, na Galileia, – e foi ali que Jesus o chamou para uma nova vida. Com certeza, Mateus já tinha ouvido várias vezes falar do Mestre Jesus, e esse foi o seu processo de conversão. No momento em que Jesus o chama, ele já está preparado para dar uma resposta decisiva.

Segundo a Tradição, o primeiro Evangelho de nosso Novo Testamento foi redigido pelo apóstolo Mateus. Hoje, os estudiosos chegam à conclusão de que não foi o primeiro a ser escrito, apesar de ter sido o primeiro a ser amplamente aceito e usado na Igreja das Origens. O Evangelho de Mateus se dirige aos judeus convertidos ao cristianismo, e essa é a razão pela qual existem tantas citações do Antigo Testamento, visando a uma teologia do cumprimento das professias dos Livros Sagrados no Mistério da Morte e Ressurreição de Jesus.

O Evangelho de Marcos, depois de muitos séculos de estudos e pesquisas, é hoje considerado o mais antigo dos quatro Evangelhos, mas o Evangelho de Mateus, por sua linguagem mais completa, sempre foi considerado o precedente, exatamente por causa de seu uso, como já dissemos.

Alguns padres antigos nos falam a respeito de Mateus. Santo Irineu de Lion (130 – 200/202) diz o seguinte: “Mateus, de fato, produziu seu evangelho escrito entre os hebreus no dialeto deles...”. Outro padre apostólico, Pápias de Hierápolis (70 – 140/155), também afirma: “Mateus pôs por escrito a sua história, a respeito de Jesus, em dialeto hebraico e cada um traduzia segundo a sua capacidade (como podia)”. E Orígenes (185 – 253), outro padre da Igreja, fala-nos assim: “Conforme recebi da Tradição, sobre os quatro Evangelhos, eles são os únicos aceitos sem resquício de dúvidas em toda a Igreja de Deus, no mundo inteiro. O primeiro foi escrito por Mateus, aquele mesmo que fora publicano, mas depois se tornou apóstolo de Jesus Cristo. Ele redigiu o seu Evangelho para os judeus convertidos, e o escreveu em hebraico”.

Essas testemunhas ajudam-nos a entender a importância de Mateus para a nossa Igreja. Mateus, com a ajuda de seus discípulos, deixou-nos um Evangelho bonito e com imagens vivas de nosso Senhor Jesus. Que nós, cristãos verdadeiros, sejamos capazes de deixar todos os nossos antigos costumes que não nos ajudam a bem viver, e começar a seguir Jesus incondicionalmente. Largar a nossa banquinha de cobradores de impostos, que oprime o Povo de Deus, e ajudar Jesus a construir um Reino de paz, de misericórdia e acolhida aqui nesta Terra. Que São Mateus nos abençoe e nos ajude nesta difícil caminhada para a construção do Reino de Deus!


Escrito por
Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. (Arquivo Santuário Nacional)
Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R.

Redentorista, formado em Filosofia e Teologia. Pesquisador das Sagradas Escrituras e História. Acumulou experiência nas Missões Populares e no Santuário Nacional de Aparecida.

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