A Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, acolheu nesta quinta-feira (23), a celebração eucarística em ação de graças pelos 200 anos de relações diplomáticas do Brasil e a Santa Sé. A missa solene foi presidida pelo Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, em língua portuguesa.
A celebração integra a agenda oficial do Bicentenário das Relações Diplomáticas Brasil–Santa Sé e reuniu autoridades religiosas, civis e diplomáticas dos dois Estados, além da presidência da CNBB. A parte musical ficou a cargo da Camerata Antíqua de Curitiba, com repertório que destacou obras do Pe. José Maurício Nunes Garcia, referência da música sacra no Brasil Colonial.
Entre os presentes estavam o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, o Cardeal Rolandas Makrickas, arcipreste da basílica, cardeais brasileiros, o cardeal Lorenzo Baldisseri e representantes do corpo diplomático brasileiro e vaticano.
Na homilia, o Cardeal Parolin definiu o bicentenário como uma data simbólica que se trata de uma história viva, marcada pela fé do povo brasileiro.
“Duzentos anos não são apenas uma medida cronológica, mas uma trama de encontros, de palavras pronunciadas e, às vezes, silenciadas, de gestos discretos e decisões corajosas que contribuíram para construir pontes onde o mundo frequentemente ergue muros”.
O secretário de Estado recordou que a relação começou com o reconhecimento do Império do Brasil pela Santa Sé. O primeiro plenipotenciário brasileiro em Roma foi Monsenhor Francisco Corrêa Vidigal. Em 1829, Dom Pietro Ostini tornou-se o primeiro internúncio apostólico no Brasil. Desde então, 34 representantes pontifícios passaram pelo país.
Parolin destacou o espírito que sustentou essa relação ao longo dos séculos:
“Desejamos, portanto, agradecer por estes dois séculos de diálogo, respeito mútuo, cooperação paciente e fecunda, não apenas registrados nos documentos da história, mas sobretudo na carne viva de um povo que crê, na sua cultura, nas suas esperanças e nas suas provações.”
Inspirado nas leituras bíblicas do dia e em um recente discurso do Papa Leão XIV ao Corpo Diplomático, o cardeal explicou o sentido da diplomacia da Igreja.
“A diplomacia da Igreja não nasce da busca de vantagens políticas, mas de uma visão moral e espiritual da história, na qual o diálogo prevalece sobre o conflito, a paciência sobre a opressão e a consciência sobre o interesse imediato”.
Parolin reforçou que, ao longo desses 200 anos, o Brasil não encontrou na Igreja uma potência estrangeira, mas uma parceira atenta às feridas sociais, aos desafios educacionais e à promoção da justiça e da paz.
O secretário de Estado destacou o simbolismo de celebrar o bicentenário em uma basílica dedicada à Virgem Maria e citou a Padroeira do Brasil:
“Sob o seu olhar maternal, a diplomacia torna-se um exercício de escuta, de custódia e de paciente tecelagem de laços. O Brasil, que tem uma profunda devoção a Nossa Senhora Aparecida, encontra em Maria uma ponte espiritual privilegiada com a Sé de Pedro”.
Ele recordou ainda os três Papas que estiveram em solo brasileiro: São João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Todos os Pontífices também visitaram o Santuário Nacional de Aparecida.
Ao concluir, deixou um convite:
“Em um mundo marcado por tensões, conflitos e novas formas de pobreza, a missão da Igreja e o serviço da diplomacia não podem prescindir da busca sincera da paz, dom de Deus e fruto da justiça. Portanto, que estes duzentos anos não sejam um ponto de chegada, mas um limiar, o início renovado de um compromisso comum em favor do homem e da sua vocação transcendente.”
Ao final da Missa, o embaixador do Brasil junto à Santa Sé, Everton Vieira Vargas, afirmou que a celebração foi uma oportunidade para renovar compromissos em um cenário global de incertezas. Ele destacou o valor do diálogo contínuo, do respeito recíproco e da cooperação construtiva entre o Brasil e a Santa Sé.
Segundo o diplomata, o Bicentenário convida a recordar a trajetória histórica e, ao mesmo tempo, a assumir uma vocação para o futuro.
“Celebramos a trajetória histórica e nos conscientizamos da vocação para o futuro. Ao celebrarmos esse Bicentenário, somos convidados a não apenas recordar o passado, mas a renovar um projeto comum de futuro, um futuro no qual a diplomacia seja instrumento de aproximação entre os povos, no qual a ética e a solidariedade sejam vigas mestras das decisões internacionais e reforcem a esperança.”
Embaixador brasileiro junto à Santa Sé, Everton Vieira Vargas
Por fim, também expressou o desejo de que a missa fortaleça uma relação baseada no diálogo franco, na confiança mútua e na cooperação.
“E que as décadas vindouras de nossa história comum sejam marcadas por ainda maior convergência em favor da paz, da justiça social, da dignidade humana e do cuidado com a vida em todas as suas formas”.
Diretamente de Roma, a jornalista e apresentadora da TV Aparecida Camila Morais conversou com Dom João Justino de Medeiros Silva, primeiro Vice-Presidente da CNBB e Arcebispo de Goiânia, sobre a importância das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé para o país e para os cristãos. Assista:
O Cristo Redentor, grande símbolo de fé do povo brasileiro, vestiu a camisa com o logo comemorativo desenvolvido em parceria com a PUC-Rio para recordar os 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.
Em uma postagem na rede social Instagram, a Arquidiocese do Rio de Janeiro afirmou que “ao celebrarmos este bicentenário, resgatamos a memória e reafirmamos o desejo de que as gerações presentes e futuras saibam que a amizade entre o Brasil e a Santa Sé se constrói no respeito, na cooperação e na confiança recíproca, a serviço do ser humano criado para a liberdade, a comunhão e a esperança”.
add Por que a presidência da CNBB visita o Papa e os dicastérios?
Fonte: Vatican News
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