Na celebração da Santa Missa, cada elemento tem seu significado. Entre eles está o vinho, que, junto ao pão, faz parte da celebração do sacramento da Eucaristia. Conhecido como vinho canônico, ele precisa atender a critérios específicos estabelecidos pela Igreja Católica, desde sua composição até sua conservação.
Mas o que torna esse vinho diferente dos demais? A resposta está nas normas litúrgicas que orientam sua produção e utilização, além dos cuidados necessários para garantir sua qualidade e conservação.
O vinho canônico é aquele destinado à celebração da Eucaristia e que atende às exigências estabelecidas pela Igreja. De acordo com o Código de Direito Canônico, no cânon 924, o vinho utilizado na Missa deve ser natural, proveniente da uva e não corrompido.
Cân. 924 — § l. O sacrossanto Sacrifício eucarístico deve celebrar-se com pão e vinho, a que se há de juntar uma pequena quantidade de água.
§ 2. O pão deve ser de trigo puro e recentemente confeccionado, de modo que não haja nenhum perigo de corrupção.
§ 3. O vinho deve ser natural, do fruto da videira, e não corrompido.
A Instrução Redemptionis Sacramentum, publicada pela Santa Sé, reforça essas orientações e determina que o vinho seja puro, sem mistura de substâncias estranhas, e conservado adequadamente, para que não se transforme em vinagre.
[50.] O vinho que se utiliza na celebração do santo Sacrifício eucarístico deve ser natural, do fruto da videira, puro e dentro da validade, sem mistura de substâncias estranhas. [127] Na mesma celebração da Missa, se lhe deve misturar um pouco d’água. Tenha-se diligente cuidado de que o vinho destinado à Eucaristia se conserve em perfeito estado de validade e não se avinagre.[128] Está totalmente proibido utilizar um vinho de quem se tem dúvida quanto ao seu caráter genuíno ou à sua procedência, pois a Igreja exige certeza sobre as condições necessárias para a validade dos sacramentos. Não se deve admitir, sob nenhum pretexto, outras bebidas de qualquer gênero, que não constituem uma matéria válida.
O vinho está ligado à instituição da Eucaristia por Jesus Cristo, durante a Última Ceia. Nos Evangelhos, Jesus toma o cálice, dá graças e o entrega aos discípulos, associando-o à Nova Aliança selada com seu sangue.
Na celebração da Missa, o pão e o vinho são apresentados no altar e, pela consagração, tornam-se o Corpo e o Sangue de Cristo. Esse mistério está no centro da fé católica e recorda o sacrifício de Jesus pela salvação da humanidade.
add_box O que é a transubstanciação na Santa Eucaristia?
A produção do vinho envolve conhecimentos técnicos sobre o cultivo da uva, a fermentação, a qualidade da bebida e as condições adequadas de armazenamento. Nesse processo, o trabalho do enólogo (profissional especializado na elaboração e no controle da qualidade dos vinhos) contribui para que o produto apresente as características desejadas.
No caso do vinho destinado à Eucaristia, é necessário observar também os requisitos próprios de sua finalidade litúrgica, incluindo a composição e a conservação adequadas.
Além dos cuidados técnicos, a origem do produto também merece atenção. Em nota publicada em 2023, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destacou a importância de considerar os critérios éticos envolvidos na produção, recomendando a escolha de vinhos cuja procedência não suscite dúvidas quanto ao respeito à dignidade humana.
Conhecer o vinho canônico ajuda a compreender melhor os elementos presentes na celebração da Santa Missa. Sua produção e utilização envolvem cuidados que respeitam a tradição e as orientações da Igreja para a liturgia.
Para nós, católicos, esse conhecimento também pode ser uma oportunidade de aprofundar a compreensão da Eucaristia, sacramento que ocupa o centro da vida da Igreja. Cada celebração convida os fiéis a recordar o amor de Cristo, que se entrega por nós e nos reúne à mesa da comunhão.
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Fonte: Código de Direito Canônico/ Redemptionis Sacramentum
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