Um comunicado feito pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, dos Estados Unidos, em maio de 2026, classificou as facções brasileiras: Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.
Repercutiu na imprensa internacional e internamente gerou medo de uma possível intervenção militar americana no Brasil, como já aconteceu com outros países, entre eles a vizinha Venezuela.
A classificação das duas facções brasileiras não foi a primeira e nem será a última, uma vez que o próprio governo Trump já designou mais de uma dúzia de gangues latino-americanas e outros grupos internacionais como organizações terroristas, dando poderes extras de sanções econômicas contra grupos ou entidades ligadas a essas gangues, ameaçando os países com uma intervenção armada.
A simples classificação não resolverá os problemas e a solução virá mais de atitudes mais enérgicas no interior de cada país, do que de uma simples bravata internacional. Nesse ponto, é bom recordar que, apesar de todo poderio militar norte-americano, na maioria das vezes as intervenções militares feitas por eles foram um completo fracasso e, tirando suas tropas do país, tudo continua “tal e qual” era antes.
É de se recordar a opinião desfavorável da maioria das nações e a queda acentuada da popularidade do atual presidente norte-americano, com a recusa de aceitação de suas ações por integrantes de seu próprio partido político.
Helicóptero Militar
Intervenções fracassadas
As intervenções e invasões militares realizadas pelos Estados Unidos variam de grandes guerras declaradas até operações secretas com o objetivo de provocar uma possível mudança de regime. O envolvimento militar norte-americano já abrange dezenas de ações ao longo da história, sendo mais notáveis algumas guerras e conflitos globais como aconteceu no Afeganistão (2001), no Iraque (2003), Vietnã, Coreia, ou as intervenções das duas grandes guerras mundiais.
Na América Latina e Caribe, a intervenção se deu no Panamá (1989), em Granada (1983), República Dominicana, Cuba, Haiti e Nicarágua, para citar algumas. No Oriente Médio e na África, houve o caso da Síria, Iêmen, Líbia, Somália e Líbano. Mais recentemente aconteceu o conflito com o Irã, esse ainda não resolvido.
As intervenções militares às vezes têm a potência do norte como principal ator e outras com um papel mais limitado ou como parte de uma coalizão mais ampla.
Ultimamente, aliados históricos dos Estados Unidos se mostram reticentes em entrar em conflitos que não provocaram. No recente conflito com o Irã, diversos países da Europa, membros da Otan, proibiram que aviões militares dos Estados Unidos sobrevoassem seu território, fecharam bases militares de apoio e se negaram a dar qualquer contributo para sua ação militar.
Fora a Guerra do Golfo, acontecida em 1991, Washington não obteve nenhuma vitória significativa desde 1945. Sua retirada do Afeganistão e do Iraque reflete as dificuldades frente às guerras feitas em formato de guerrilhas.
Em algumas guerras de larga escala, os ianques reconhecidamente perderam ou abandonaram sem alcançar seus objetivos políticos: o Afeganistão (2001–2021) e o Vietnã (1955–1975). Embora tenham vencido algumas batalhas convencionais, falharam em estabelecer estabilidade política de longo prazo nesses países, pois as armas mais potentes que possuem não conseguem resolver outros tipos de combates.
Representação da justiça e do poder militar em um tribunal
No caso da Guerra do Golfo de 1991, o objetivo claro era expulsar o Iraque do Kuwait; nas demais, os EUA não ganharam nada de forma clara e indiscutível, porque a natureza das disputas mudou e a maioria delas agora é conduzida por grupos e diferentes organizações, algo pantanoso e difícil de detectar.
Suas poderosas forças armadas encontram imensas dificuldades em combater uma guerra de guerrilha urbana ou numa densa floresta tropical.
E por que os Estados Unidos não conseguem resolver os próprios problemas de suas grandes cidades que também estão recheadas de gangues e outros movimentos?
Os americanos não queriam outro Vietnã no Afeganistão, assim como não queriam no Iraque, como também não queriam em nenhuma das guerras que travaram entre o final do século XX e as primeiras décadas do século XXI; em todos os casos, porém, eles não foram derrotados, mas tampouco saíram vitoriosos, encontrando ao final muita dificuldade em abandonar o conflito que começaram.
Conflitos e intervenções prolongadas, como a Guerra do Iraque (2003–2011), geram enormes debates no interior do país e foram dele. As prolongadas guerras de ocupação e contrainsurgência são consideradas fracassos estratégicos por não conseguirem estabelecer instituições democráticas estáveis e seguras na região.
Para concluir, é bom lembrar que, mesmo passados mais de 50 anos, ainda hoje os norte-americanos ainda pagam um pesado preço social pela Guerra do Vietnã e, seguramente, passado o tempo de governo de seu atual presidente, toda sua estratégia geopolítica será reavaliada!
.:: Leia também: As invasões dos Estados Unidos na América Latina
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