"Que haja paz na Terra Santa"! Esta é a síntese da declaração final do Conselho Episcopal permanente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) publicado em setembro de 2025. Na ocasião, o conflito entre Estados Unidos e Irã ainda não havia começado e nem o choque brutal entre Israel e o Líbano com a atual intensidade.
No documento, os bispos pediram com veemência que cessasse toda forma de “violência inaceitável contra um povo inteiro e que os reféns sejam libertados”. Segundo os bispos italianos, a perspectiva de dois povos e dois Estados continua sendo o caminho mais aceitável para um possível futuro de paz. Além disso, os bispos incentivavam o governo italiano e as instituições europeias a se comprometerem concretamente com o cessar de todas as hostilidades.
Esta é também a posição adotada pelo Papa Leão XIV, que por diversas vezes tem afirmado que só a constituição de dois estados garantirá a paz definitiva na região.
Vários governos, como o da França, reconheceram a necessidade de criação do Estado Palestino como nação independente. Na ocasião, o governo italiano vinha sendo duramente criticado por não fazer parte dos esforços de paz para a região. E o plano de paz proposto pelo Presidente Trump dos Estados Unidos estava sendo acusado de não ser igualitário, sendo mais favorável ao próprio país e a Israel.
Mapa da divisão de Gaza e Israel
A ação do grupo Hamas, com o apoio que recebia de outros grupos e países como o Irã, inimigo mortal de Israel e a manutenção da prisão de vários reféns continuam sendo alguns dos complicadores para o estabelecimento de um plano de paz permanente para a região. E quando algumas iniciativas estavam sendo feitas, a situação desandou com o conflito entre Estados Unidos, Irã, Israel e Líbano, com as iniciativas de acordo ainda distantes de terem um bom resultado.
É preciso lembrar que o conflito entre Israel, palestinos e mais alguns países vizinhos como Síria e Egito é consequência do imperialismo e da dominação imposta na região por países como Inglaterra e França, domínio que se estendeu até a Segunda Guerra Mundial. São eles os responsáveis por boa parte da violência que reina na região. Mas nada justifica o massacre que vem sendo imposto aos palestinos, especialmente na Faixa de Gaza, completamente arrasada!
Como o Papa Leão tem clamado, nada justifica nenhuma forma de guerra ou violência!
Origens do conflito
O conflito entre Israel e palestinos representado pelo Grupo Hamas tem origem na disputa por territórios que já foram ocupados por diversos povos, como hebreus e filisteus, dos quais descendem israelenses e palestinos. Em diferentes momentos, devido a guerras e ocupações, eles foram expulsos, retomaram terras, ampliaram e as perderam.
Os conflitos que são travados entre Israel e os demais povos que ocupam a região cresceram, sobretudo, a partir da década de 1940, remontando ao surgimento do movimento sionista, que defendia a fundação de um Estado Judeu na Palestina.
Com a criação do Novo Estado de Israel patrocinado pela ONU em 1948, a Faixa de Gaza junto com a Cisjordânia foram reservadas aos palestinos que já ocupavam a região.
A Faixa de Gaza, desde então, apesar de ser um minúsculo território de apenas 41 km², serve como abrigo para um grande número de pessoas que fugiram da Palestina após a fundação do Estado de Israel. Seu território é considerado o mais densamente povoado do mundo, por abrigar cerca de 2,5 milhões de pessoas em tão minúsculo território. E hoje, depois dos intensos bombardeios que puderam ser acompanhados pelos Meios de Comunicação, grande parte das cidades e vilas virou escombros e a reconstrução durará anos para ser concluída.
Israel e Palestina após bombardeio
Problemas e dificuldades
Os principais entraves que obstruem a assinatura de um acordo são as questões de fronteira, segurança, direitos marítimos, o status da cidade de Jerusalém e a liberdade de acesso a locais religiosos. E o maior complicador é a existência e a ação do Grupo Hamas que, segundo as autoridades israelenses, tem justificado os pesados bombardeios sobre uma extensa faixa do território do Líbano.
Com sede na Cidade de Gaza, o Hamas também tem presença na Cisjordânia, o maior dos dois territórios palestinos, onde seu rival secular, o Fatah, exerce controle. O grupo foi criado para ter uma participação mais ativa na resistência contra a ocupação de Israel com a 1ª intifada realizada a partir de dezembro de 1987.
O grupo tem no Irã, inimigo mortal de Israel, o seu principal apoiador. Teerã fornece armas, treinamento e financiamento a seus membros. O Hamas também recebe recursos do Catar, de expatriados palestinos e de doadores privados no Golfo Pérsico, além de instituições islâmicas.
Tudo passa por um emaranhado de ligações e conchavos políticos, o que somente vem reforçar ainda mais a necessidade do estabelecimento de uma paz duradoura para toda a região. As crianças, as mulheres, os idosos e doentes, que são os mais atingidos pela guerra, agradecerão!
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