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A realidade da violência em Papua

Bem longe do Brasil, uma região que carrega uma série de conflitos entre os esquecidos do mundo e os que menos aparecem nas mídias. Confira!

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

12 JUN 2026 - 08H02 (Atualizada em 12 JUN 2026 - 08H42)

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Existe uma região do globo terrestre, localizada bem longe do Brasil, da qual muita gente não ouviu falar, que há décadas enfrenta um sério conflito colocado entre aqueles esquecidos do mundo e que pouco aparece na mídia e nas Redes Sociais.

Localizada no sudoeste do Oceano Pacífico, a região é formada por muitas ilhas caracterizadas pela diversidade biológica e cultural, famosa por suas praias e recifes de coral. No interior são encontrados vulcões ativos, uma densa floresta tropical e vilarejos de tribos locais, das quais a maioria fala sua própria língua.

Não se pode confundir. Existe a Papua, província pertencente à Indonésia e que cobre a metade oeste de uma grande ilha, e existe Papua Nova Guiné, um país independente e soberano que ocupa a metade leste da ilha e inclui outras ilhas. No passado, Papua era conhecida como Irian Jaya. Os dois territórios estão localizados na área geográfica da Melanésia, bem próxima da Austrália, lar de povos indígenas chamados de papuas, que dá nome à região.

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Colonização europeia

Depois da passagem dos portugueses pela região, fixando-se mais no Timor, a Papua Nova Guiné foi colonizada a partir de 1660, pela Companhia Holandesa das Índias Orientais. Em 1828, os Países Baixos formalizaram sua presença na porção ocidental da ilha até que, a partir de meados do século XIX, chegaram outras potências ocidentais, Reino Unido e Alemanha que dividiram a ilha.

O lado oriental que corresponde ao atual país foi dividido em duas partes com o Reino Unido colonizando o Sul a partir de 1884, que passou a ser chamado então de Nova Guiné Britânica ou Papuásia. A Alemanha ocupou o norte-nordeste em 1884, formando ali a Nova Guiné Alemã.

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Após a Primeira Guerra Mundial, o território foi entregue à administração da Austrália, que unificou as duas metades depois da Segunda Guerra Mundial e governou o país até sua independência, em 1975. Nos últimos tempos, Papua Nova Guiné passou por uma série de transformações econômicas, políticas e sociais, buscando consolidar seu papel como uma nação independente e culturalmente diversa no cenário internacional. O que atrapalha, porém, é o conflito que há décadas abala a região envolvendo a outra Papua que é parte da Indonésia.

Conflito de décadas

A parte ocidental da grande ilha, Papua, foi uma colônia holandesa até 1962, antes de ser integrada à Indonésia em 1969, por meio de um referendo no qual apenas mil representantes eleitos votaram a favor da integração, sem o voto popular. Desde então, grupos separatistas continuam a realizar uma campanha pressionando pelas demandas das populações locais.

O Movimento Papua Livre vinha conduzindo uma guerra de guerrilha de baixa intensidade contra a Indonésia alvejando suas forças armadas e policiais. Nos últimos tempos, o movimento cresceu de intensidade com tiroteios, operações de segurança visando civis, mortes de crianças, mulheres, estudantes e indígenas, com explosões de bombas perto de locais de culto.

Essa situação demonstra que a Província de Papua permanece presa em um ciclo de sofrimento que ainda não encontrou um caminho para a verdadeira paz.

As operações militares indonésias também aumentaram nos últimos anos, causando deslocamentos populacionais massivos. Desde o início de 2026, mais de 105 mil pessoas foram deslocadas internamente, na maioria das etnias papuas indígenas que fogem para as florestas. As populações locais acusam o exército de matar civis, incendiar aldeias, atacar igrejas e escolas, cometendo graves violações dos direitos humanos, enquanto os militares negam, alegando que estão lutando apenas contra os separatistas armados.

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As principais reivindicações são a independência ou pelo menos a concessão de maior autonomia, com o reconhecimento de sua identidade melanésia distinta da indonésia. A Indonésia, por sua vez, considera Papua indivisível de seu território nacional e vê o movimento como uma ameaça separatista e terrorista.

O controle sobre os recursos naturais dos quais a região é muito rica e que são explorados por grandes multinacionais estrangeiras com concessões outorgadas pelo governo central indonésio e sem benefícios de desenvolvimento para as populações locais contribui para o agravamento do conflito.

O governo central também promove há décadas uma política de transferências demográficas com a migração de pessoas de Java e outras ilhas indonésias para a região do conflito, a fim de fazer com que os papuas nativos se tornem uma minoria, ocasiona o aumento das tensões sobre o uso da terra e dos recursos.

A Igreja na Indonésia

A Igreja Católica desempenha um papel importante na defesa da dignidade humana e dos direitos humanos e na promoção do diálogo e da paz na Indonésia.

Embora minoritária em um país de maioria muçulmana, porque dos quase 250 milhões de habitantes do país, apenas cerca de 8 milhões de fiéis (aproximadamente 3% da população) professem a fé católica, a Igreja Católica é uma das seis religiões oficialmente reconhecidas pelo governo, com uma presença ativa na educação, saúde e no diálogo inter-religioso.

Reprodução/Vatican Media Reprodução/Vatican Media

A Igreja no país está organizada em 39 circunscrições eclesiásticas, incluindo 10 arquidioceses e 27 dioceses, possuindo 1,5 mil paróquias, além de outros 8,6 mil centros pastorais. A importância da comunidade católica local foi destacada pela visita do Papa Francisco ao país, em setembro de 2024. O pontífice celebrou missas e reuniu-se com líderes locais para promover a união e combater o preconceito. 

.:: Relembre: as atividades da viagem do Papa a países asiáticos

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