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Livro explica que bebê ‘vira gente” após nascimento psíquico

Entenda como acontece a independência do bebê e por que os primeiros meses de vida são decisivos para a formação do "eu" e da segurança emocional

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Escrito por Beatriz Nery

06 MAI 2026 - 14H59 (Atualizada em 06 MAI 2026 - 15H56)

Miri García/Adobe Stock

Antes de falar, andar ou dizer o próprio nome, o bebê já vive um processo decisivo: a construção do seu “eu”. Esse caminho começa ainda no útero e se estende pelos primeiros meses de vida. É nele que a criança passa a sentir que existe, separada do mundo ao redor.

O livro “Virando Gente: A história do nascimento psíquico”, publicado pela Editora Ideias & Letras propõe um olhar sobre essa etapa silenciosa e profunda do desenvolvimento infantil.

Escrito por Ivanise Fontes, Maïsa Roxo, Maria Cândida S. Soares e Sara Kislanov, o livro convida mães e pais a compreenderem o chamado “nascimento psíquico”. Trata-se de um processo diferente do nascimento biológico. É o momento em que o bebê começa a sentir que existe como sujeito.

Para mães e pais, a leitura oferece uma pergunta: como ajudar o filho a se sentir seguro na própria pele? O livro sugere que esse caminho começa muito antes das primeiras palavras.

Mariana Joffre/A12 Mariana Joffre/A12

A história é contada por Bruno

O personagem Bruno narra suas experiências desde o útero materno até cerca de 1 ano e 3 meses de vida. Ele descreve sensações corporais que ajudam na construção da consciência de si.

Ao longo desse percurso, surgem as primeiras distinções entre “eu” e “não eu”. É nesse caminho que Bruno “vira gente”.

O relato apresenta a chamada “gestação psíquica”. Segundo a narrativa, o bebê precisa garantir a continuidade da própria existência diante de cada separação vivida. A primeira delas acontece no parto. Outras ocorrem ao longo dos meses iniciais.

Cada nova experiência corporal exige do bebê uma confirmação interna: estou vivo, estou seguro.

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O papel dos pais no nascimento psíquico

A obra destaca a importância da figura materna como ponto de partida. É do corpo da mãe que o bebê realiza sua primeira separação. O pai surge como apoio essencial à dupla mãe-bebê.

O conceito central apresentado é o de continência. Trata-se da capacidade do cuidador de oferecer sustentação emocional e corporal. Essa base permite ao bebê desenvolver confiança em sua sobrevivência psíquica.

Ao final do processo, forma-se o que os autores chamam de um “envelope corpóreo-psíquico”. Ele protege contra angústias primitivas, como a sensação de queda ou fragmentação. Com essa integração, o "eu" emerge. Alguns autores descrevem essa percepção como esférica. Não por acaso, muitas crianças desenham círculos ao se representarem.

we.bond.creations/Adobe Stock  we.bond.creations/Adobe Stock

Estrutura da obra

O livro está dividido em quatro partes:

1. A narrativa de Bruno sobre sua construção psíquica.

2. Um texto técnico para aprofundamento teórico.

3. Bibliografia especializada sobre o tema.

4. Um QR Code com animação das principais cenas da evolução do eu.

Ao citar a psicanalista Myriam David, referência no cuidado institucional de bebês, as autoras reforçam a ideia central da obra: o bebê passa de um estado de vida sem consciência para um despertar atento, capaz de sentir prazer e desprazer.

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