Antes de falar, andar ou dizer o próprio nome, o bebê já vive um processo decisivo: a construção do seu “eu”. Esse caminho começa ainda no útero e se estende pelos primeiros meses de vida. É nele que a criança passa a sentir que existe, separada do mundo ao redor.
O livro “Virando Gente: A história do nascimento psíquico”, publicado pela Editora Ideias & Letras propõe um olhar sobre essa etapa silenciosa e profunda do desenvolvimento infantil.
Escrito por Ivanise Fontes, Maïsa Roxo, Maria Cândida S. Soares e Sara Kislanov, o livro convida mães e pais a compreenderem o chamado “nascimento psíquico”. Trata-se de um processo diferente do nascimento biológico. É o momento em que o bebê começa a sentir que existe como sujeito.
Para mães e pais, a leitura oferece uma pergunta: como ajudar o filho a se sentir seguro na própria pele? O livro sugere que esse caminho começa muito antes das primeiras palavras.
O personagem Bruno narra suas experiências desde o útero materno até cerca de 1 ano e 3 meses de vida. Ele descreve sensações corporais que ajudam na construção da consciência de si.
Ao longo desse percurso, surgem as primeiras distinções entre “eu” e “não eu”. É nesse caminho que Bruno “vira gente”.
O relato apresenta a chamada “gestação psíquica”. Segundo a narrativa, o bebê precisa garantir a continuidade da própria existência diante de cada separação vivida. A primeira delas acontece no parto. Outras ocorrem ao longo dos meses iniciais.
Cada nova experiência corporal exige do bebê uma confirmação interna: estou vivo, estou seguro.
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A obra destaca a importância da figura materna como ponto de partida. É do corpo da mãe que o bebê realiza sua primeira separação. O pai surge como apoio essencial à dupla mãe-bebê.
O conceito central apresentado é o de continência. Trata-se da capacidade do cuidador de oferecer sustentação emocional e corporal. Essa base permite ao bebê desenvolver confiança em sua sobrevivência psíquica.
Ao final do processo, forma-se o que os autores chamam de um “envelope corpóreo-psíquico”. Ele protege contra angústias primitivas, como a sensação de queda ou fragmentação. Com essa integração, o "eu" emerge. Alguns autores descrevem essa percepção como esférica. Não por acaso, muitas crianças desenham círculos ao se representarem.
O livro está dividido em quatro partes:
1. A narrativa de Bruno sobre sua construção psíquica.
2. Um texto técnico para aprofundamento teórico.
3. Bibliografia especializada sobre o tema.
4. Um QR Code com animação das principais cenas da evolução do eu.
Ao citar a psicanalista Myriam David, referência no cuidado institucional de bebês, as autoras reforçam a ideia central da obra: o bebê passa de um estado de vida sem consciência para um despertar atento, capaz de sentir prazer e desprazer.
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