O Papa Leão XIV aprofundou a Constituição Pastoral Gaudium et Spes durante a Audiência Geral desta quarta-feira (02). O documento do Concílio Vaticano II trata da relação entre a Igreja e o mundo contemporâneo.
A catequese faz parte do ciclo dedicado aos documentos do Concílio Vaticano II. Antes da Gaudium et Spes, o Papa havia refletido sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium.
A Audiência Geral voltou à Praça São Pedro após quatro semanas na Basílica Vaticana. Cerca de 15 mil fiéis acompanharam o encontro com o Pontífice.
Promulgada em 1965, a Gaudium et Spes apresenta a visão da Igreja sobre a sociedade e os desafios do mundo moderno.
O documento parte da realidade vivida pelas pessoas. Logo no início, afirma que a Igreja compartilha “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem” (GS 1).
Segundo o Pontífice, a Igreja precisa observar os acontecimentos e compreender os desafios de cada época. Por isso, não pode assumir uma postura distante diante das transformações sociais.
“Essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja, é uma partilha que nos convida a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que hoje vivemos. Não é possível permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se.”
Leão XIV também destacou a responsabilidade dos cristãos diante do sofrimento humano. A Gaudium et Spes cita situações como injustiça, discriminação e violência.
O documento conciliar afirma ainda que a Igreja tem o dever de analisar as mudanças de cada período histórico.
A Constituição recorda o “dever de a Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho” (GS 4).
Para o Papa, essa orientação continua atual diante das rápidas transformações da sociedade.
Durante a catequese, Leão XIV apresentou alguns dos contrastes presentes no mundo contemporâneo. Entre eles está o avanço científico e tecnológico. Embora amplie as possibilidades da humanidade, seus benefícios não chegam da mesma forma a todas as pessoas.
O Papa também mencionou a distribuição desigual das riquezas. Outro ponto destacado foi a relação entre consumo e preservação do planeta.
Nesse contexto, Leão XIV chamou atenção para a dificuldade de abandonar comportamentos que geram consumo excessivo. Também citou a ideia de que a guerra poderia ser usada para alcançar a paz.
A Gaudium et Spes apresenta uma visão diferente. O documento propõe uma atuação da Igreja diante das questões que afetam a humanidade.
Ao concluir a reflexão, Leão XIV destacou a missão da Igreja em um período marcado por mudanças profundas.
Segundo o Papa, essas transformações geram “desequilíbrios preocupantes”. Por isso, a Igreja deve estar próxima das pessoas e acolher suas questões.
O Pontífice afirmou que a missão passa por escutar os anseios mais profundos do ser humano. Também deve apresentar Cristo como referência para compreender a história.
Leão XIV citou a própria Gaudium et Spes, que apresenta Cristo como “a chave, o centro e o fim de toda a história humana” (GS 10).
Ao final da Audiência Geral, o Papa deixou uma mensagem sobre a identidade da Igreja no mundo atual:
“Queridos irmãos e irmãs, que a alegria e a esperança – gaudium et spes – sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo.”
Leia mais: Concílio Vaticano II transformou Igreja Católica
Fonte: Vatican News
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