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Santo Padre

Leão XIV destaca a Palavra de Deus viva na Tradição da Igreja

Na Audiência Geral, o Papa Leão XIV explicou como a Sagrada Escritura e a Tradição formam um único "depósito" da Palavra que está nas mãos da Igreja

Escrito por Redação A12

28 JAN 2026 - 08H40 (Atualizada em 28 JAN 2026 - 11H54)

Vatican Media

Durante a Audiência Geral desta quarta-feira (28), o Papa Leão XIV aprofundou a relação entre a Sagrada Escritura e a Tradição.

A catequese deu continuidade à leitura da Constituição Conciliar Dei Verbum, documento central do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina.

Escritura e Tradição caminham juntas

Ao refletir sobre duas passagens do Evangelho, a aparição de Jesus aos discípulos no Cenáculo e o envio missionário na Galileia, o Papa destacou a ligação entre a Palavra de Cristo e sua evangelização ao longo dos séculos.

Segundo Leão XIV, essas cenas mostram que a Palavra anunciada por Jesus permanece viva na história da Igreja.

O Papa recordou o ensinamento do Concílio Vaticano II presente na Dei Verbum, número 9:

A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim”.

A Palavra de Deus na história da Igreja

Leão XIV afirmou que a Tradição eclesial atravessa os séculos por meio da Igreja: “A Tradição Eclesial percorre o caminho da história através da Igreja, que conserva, interpreta e encarna a Palavra de Deus”.

Ele também recordou que, segundo o Concílio, a “tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo”.

A Constituição Dei Verbum, no número 8, afirma: “A Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpétua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita”.

A Escritura cresce com quem a lê

Na catequese, o Papa citou São Gregório Magno: “A Sagrada Escritura cresce com aqueles que a leem”. Também recordou Santo Agostinho: O discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados”.

Leão XIV explicou que a Palavra de Deus trata-se de uma realidade que está viva, que se desenvolve na Tradição e é compreendida ao longo da história sob a ação do Espírito Santo.

O desenvolvimento da doutrina cristã

O Papa mencionou o pensamento de São John Henry Newman, especialmente a obra "Ensaio sobre o desenvolvimento da doutrina cristã".

Segundo Leão XIV, Newman descreve o cristianismo como uma realidade dinâmica. Uma experiência comunitária que cresce, assim como a semente da parábola evangélica, graças a uma força vital interior.

O depósito da fé confiado à Igreja

Leão XIV recordou a exortação do apóstolo Paulo a Timóteo: “Timóteo, guarda o depósito da fé”. A Dei Verbum retoma essa expressão ao afirmar:

“A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus, confiado à Igreja”, interpretado pelo “magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo”.

O Papa explicou que o termo “depósito” possui origem jurídica. Ele implica a responsabilidade de preservar e transmitir intacto o conteúdo confiado, que é a fé.

O ‘depósito’ da Palavra de Deus está ainda hoje nas mãos da Igreja, e todos nós, nos diversos ministérios eclesiais, devemos continuar a guardá-lo na sua integridade, como uma estrela-guia para a nossa jornada através da complexidade da história e da existência”, afirmou.

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Escritura, Tradição e Magistério

Ao concluir a catequese, Leão XIV convidou os fiéis a escutar novamente o ensinamento da Dei Verbum:

A sagrada Tradição, a sagrada Escritura e o magistério da Igreja se unem e se associam que um sem os outros não se mantém, e todos juntos, cada um a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas”.

Papa recorda vítimas do Holocausto

Ao final da Audiência Geral, o Papa recordou o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro.

Na saudação aos fiéis de língua italiana, o Pontífice lembrou que o Holocausto “ceifou a vida de milhões de judeus e várias outras pessoas”.

“Nesta ocasião anual de dolorosa lembrança, peço ao Todo-Poderoso a dádiva de um mundo sem antissemitismo e sem preconceito, opressão e perseguição para qualquer ser humano. Renovo meu apelo à comunidade das nações para que esteja sempre vigilante, para que o horror do genocídio não se abata mais sobre nenhum povo e para que se construa uma sociedade baseada no respeito recíproco e no bem comum.”

São Tomás de Aquino é recordado pelo Papa

Durante as saudações em diferentes idiomas, Leão XIV recordou a memória litúrgica de São Tomás de Aquino.

Na saudação em alemão, afirmou: “Com suas obras, ele nos ajuda a compreender cada vez melhor a Revelação divina”.

Em francês, destacou que o santo guia os fiéis na compreensão das Escrituras para que possamos entender o quanto Deus nos ama e deseja a nossa salvação”.

Na saudação em italiano, definiu São Tomás de Aquino como um autêntico mestre de vida e santidade”.

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O Papa concluiu com uma bênção especial:

“Que a intercessão deste Santo Doutor da Igreja obtenha para vocês, queridos doentes, a serenidade e a paz que provêm do mistério da Cruz, e para vocês, queridos recém-casados, sabedoria de coração, para que possam cumprir generosamente a sua missão na sociedade.”

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Fonte: Vatican News

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