Durante a Audiência Geral desta quarta-feira (28), o Papa Leão XIV aprofundou a relação entre a Sagrada Escritura e a Tradição.
A catequese deu continuidade à leitura da Constituição Conciliar Dei Verbum, documento central do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina.
Ao refletir sobre duas passagens do Evangelho, a aparição de Jesus aos discípulos no Cenáculo e o envio missionário na Galileia, o Papa destacou a ligação entre a Palavra de Cristo e sua evangelização ao longo dos séculos.
Segundo Leão XIV, essas cenas mostram que a Palavra anunciada por Jesus permanece viva na história da Igreja.
O Papa recordou o ensinamento do Concílio Vaticano II presente na Dei Verbum, número 9:
“A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim”.
Leão XIV afirmou que a Tradição eclesial atravessa os séculos por meio da Igreja: “A Tradição Eclesial percorre o caminho da história através da Igreja, que conserva, interpreta e encarna a Palavra de Deus”.
Ele também recordou que, segundo o Concílio, a “tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo”.
A Constituição Dei Verbum, no número 8, afirma: “A Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpétua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita”.
Na catequese, o Papa citou São Gregório Magno: “A Sagrada Escritura cresce com aqueles que a leem”. Também recordou Santo Agostinho: “O discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados”.
Leão XIV explicou que a Palavra de Deus trata-se de uma realidade que está viva, que se desenvolve na Tradição e é compreendida ao longo da história sob a ação do Espírito Santo.
O Papa mencionou o pensamento de São John Henry Newman, especialmente a obra "Ensaio sobre o desenvolvimento da doutrina cristã".
Segundo Leão XIV, Newman descreve o cristianismo como uma realidade dinâmica. Uma experiência comunitária que cresce, assim como a semente da parábola evangélica, graças a uma força vital interior.
Leão XIV recordou a exortação do apóstolo Paulo a Timóteo: “Timóteo, guarda o depósito da fé”. A Dei Verbum retoma essa expressão ao afirmar:
“A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus, confiado à Igreja”, interpretado pelo “magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo”.
O Papa explicou que o termo “depósito” possui origem jurídica. Ele implica a responsabilidade de preservar e transmitir intacto o conteúdo confiado, que é a fé.
“O ‘depósito’ da Palavra de Deus está ainda hoje nas mãos da Igreja, e todos nós, nos diversos ministérios eclesiais, devemos continuar a guardá-lo na sua integridade, como uma estrela-guia para a nossa jornada através da complexidade da história e da existência”, afirmou.
Ao concluir a catequese, Leão XIV convidou os fiéis a escutar novamente o ensinamento da Dei Verbum:
“A sagrada Tradição, a sagrada Escritura e o magistério da Igreja se unem e se associam que um sem os outros não se mantém, e todos juntos, cada um a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas”.
Ao final da Audiência Geral, o Papa recordou o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro.
Na saudação aos fiéis de língua italiana, o Pontífice lembrou que o Holocausto “ceifou a vida de milhões de judeus e várias outras pessoas”.
“Nesta ocasião anual de dolorosa lembrança, peço ao Todo-Poderoso a dádiva de um mundo sem antissemitismo e sem preconceito, opressão e perseguição para qualquer ser humano. Renovo meu apelo à comunidade das nações para que esteja sempre vigilante, para que o horror do genocídio não se abata mais sobre nenhum povo e para que se construa uma sociedade baseada no respeito recíproco e no bem comum.”
Durante as saudações em diferentes idiomas, Leão XIV recordou a memória litúrgica de São Tomás de Aquino.
Na saudação em alemão, afirmou: “Com suas obras, ele nos ajuda a compreender cada vez melhor a Revelação divina”.
Em francês, destacou que o santo guia os fiéis na compreensão das Escrituras “para que possamos entender o quanto Deus nos ama e deseja a nossa salvação”.
Na saudação em italiano, definiu São Tomás de Aquino como “um autêntico mestre de vida e santidade”.
O Papa concluiu com uma bênção especial:
“Que a intercessão deste Santo Doutor da Igreja obtenha para vocês, queridos doentes, a serenidade e a paz que provêm do mistério da Cruz, e para vocês, queridos recém-casados, sabedoria de coração, para que possam cumprir generosamente a sua missão na sociedade.”
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Fonte: Vatican News
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