Na Audiência Geral desta quarta-feira (17), na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV retomou os principais momentos de sua recente viagem apostólica à Espanha e afirmou que a acolhida recebida no país revela uma grande necessidade da sociedade atual: reencontrar a unidade sobre um fundamento verdadeiro, capaz de superar interesses particulares e contraposições ideológicas.
O Pontífice recordou sua passagem por Madri, Barcelona, pela Abadia de Montserrat e pelas Ilhas Canárias. Também agradeceu ao povo espanhol, ao rei, às autoridades civis, aos bispos e às comunidades eclesiais pela recepção.
Segundo Leão XIV, a participação expressiva dos fiéis não foi algo previsível, mas um sinal de que muitos desejam reencontrar um sentido comum para caminhar juntos:
“Isso demonstra a necessidade generalizada de estarmos unidos sobre um fundamento verdadeiro e profundo, não ideológico nem baseado em interesses particulares. Esse fundamento, que só Cristo, em última instância, pode assegurar.”
Ao refletir sobre a viagem, o Papa explicou que uma das missões próprias do Sucessor de Pedro é promover a comunhão, o diálogo e a unidade na diversidade, sempre atento às diferentes realidades eclesiais e sociais encontradas pelo caminho.
Leão XIV também destacou a riqueza espiritual e cultural vista durante a visita, especialmente nos encontros realizados em grandes catedrais, nos estádios, na oração do Terço na Abadia de Montserrat e na Missa celebrada na Basílica da Sagrada Família.
Para o Papa, esse encontro entre tradição e realidade atual mostra que a herança cristã da Europa continua viva e pode ajudar a responder aos grandes desafios do mundo de hoje. Segundo ele, esse patrimônio precisa ser preservado e colocado a serviço de temas urgentes, como a paz, a ecologia integral, o desenvolvimento equitativo e sustentável e o respeito pela dignidade humana.
Durante a catequese, o Santo Padre afirmou que, em diferentes encontros, percebeu a necessidade de anunciar a esperança a uma humanidade ferida. Ele mencionou especialmente crianças, pobres, vítimas de abuso, reclusos, jovens e migrantes.
“Esta necessidade, que se expressou nos muitos testemunhos que pude ouvir – testemunhos por vezes comoventes, por vezes edificantes –, reconheci-a também e sobretudo nos rostos das crianças e dos pobres que encontrei: da criança que, na paróquia, me leu a sua carta; de algumas vítimas de abuso, que pedem para ser ouvidas; dos reclusos que me esperavam na prisão; dos jovens cheios de inquietude e de projetos; dos migrantes nos centros de acolhimento nas Ilhas Canárias.”
Papa Leão XIV, ao fazer um balanço de sua viagem apostólica à Espanha
Ao falar das Ilhas Canárias, o Papa reconheceu a complexidade do fenômeno migratório e a necessidade de respostas articuladas. Mesmo assim, afirmou que essa realidade também pode ser lida à luz do Evangelho, como chamado ao encontro, à fraternidade e à construção da “civilização do amor”.
"E um desses frutos é precisamente o diálogo entre as pessoas e entre os povos, o encontro num espírito de fraternidade, que permite descobrir e apreciar mutuamente os valores de que o outro é portador. Este caminho não é fácil, requer boa vontade e a ajuda de Deus, mas é o caminho que conduz à civilização do amor.”
Ao concluir a catequese, Leão XIV retomou o lema da viagem apostólica, Alzad la mirada, que significa “Levantai os olhos”, inspirado nas palavras de Jesus aos seus primeiros discípulos.
“Levantemos os nossos olhos! Aprendamos com Jesus a olhar para o próximo, para as pessoas e para o mundo ‘com os olhos de Deus’, isto é, com amor, respeito e compaixão.”
O Papa agradeceu ainda a todos que rezaram pelo êxito da viagem, com menção especial às comunidades de religiosas contemplativas presentes na Espanha, e pediu que continuem a rezar para que, pela intercessão da Virgem Maria, as sementes lançadas durante a visita produzam frutos abundantes.
Ao final da Audiência Geral, Leão XIV também voltou seu olhar para conflitos que preocupam o mundo. O Papa manifestou satisfação pelo acordo entre Irã e Estados Unidos, chamado “Memorando de Islamabad”, que será assinado em 19 de junho, em Lucerna, na Suíça. O acordo recebeu esse nome por causa da mediação do Paquistão.
O Pontífice acolheu o entendimento como “resultado encorajador de um trabalho paciente de diálogo e negociação” e agradeceu aos países que colaboraram para tornar possível esse passo diplomático, expressando o desejo de que o acordo contribua para fortalecer a confiança, a segurança e a estabilidade no Oriente Médio.
O Papa também demonstrou tristeza diante das notícias dolorosas vindas da Ucrânia: “Tantas vítimas inocentes, socorristas mortos, igrejas e locais do patrimônio cultural devastados pelas chamas.”
Por fim, Leão XIV pediu oração pelo fim da guerra e por uma paz justa e duradoura:
“Convido todos a rezarem para que esta guerra termine. Peçamos ao Senhor que abra caminhos de diálogo, que apague o ódio e que torne possível uma paz justa e duradoura.”
Papa Leão XIV, Ao término da Audiência Geral desta quarta-feira, 17 de junho de 2026
Fonte: Vatican News
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