Por Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R. Em Redentoristas Atualizada em 03 AGO 2017 - 12H17

A Congregação Redentorista no Brasil

No Brasil chegaram os primeiros Redentoristas em 1893 (padres e irmãos da Providência de Amsterdam) e em 1884 (padres e irmãos da Província de Munique). Eram os primeiros anos depois da libertação dos escravos e do advento da República, em 1889. Esta República, talvez sem ter a intenção política para tanto, libertou o povo cristão do Brasil da escravidão e dependência do poder político pela separação entre a IGREJA e o ESTADO.

Foto de: Arquivo da Província de São Paulo.

Pioneiros alemães chegaram ao Brasil em 1894.

Pioneiros alemães da Província de Munique. 

 

De 1500 até 1889 valeu no Brasil a famosa Lei do Padroado pela qual o rei de Portugal e, mais tarde, o imperador do Brasil e seus governos faziam praticamente todas as nomeações eclesiásticas e tomavam quase todas as decisões administrativas importantes.

Desta forma os governos controlavam toda vida da Igreja. Durante os quatro séculos de Brasil-Colônia-Império, a Igreja vivia atrelada à política do Estado. Para dar uma ideia como isto funcionava vejamos o que segue. O Estado pagava, a partir do dízimo que exigia de todos, as despesas do culto e os salários dos bispos e dos párocos. Para o Estado era vantajoso ter poucos párocos e poucos bispos, pois de outra forma a folha de pagamento ficava grande demais. Logo, o governo da colônia não se interessava em ter muitos bispos e párocos. Além disto valia na escolha das pessoas para cargos superiores não tanto a suas qualidades de incrementar a fé no meio do povo, mas muito mais sua capacidade de executar as políticas governamentais.

Na chegada da República havia no imenso Brasil, após 400 anos de padroado, somente uma dezena de bispados. No ano de 2002, depois de somente 110 anos de Igreja livre, tínhamos mais de 250 bispados. O sistema do Padroado ficou mais pesado para a Igreja do Brasil quando a partir de 1750 a mentalidade dos governos da Europa e consequentemente também das colônias, se tornaram anticlericais e regalistas. Faziam questão de interferir diretamente na vida religiosa da Igreja. No Brasil imperial chegaram a proibir noviciados e entrada de missionários e missionárias estrangeiras (inclusive dos Redentoristas em 1848). Pela LEI DE SEPARAÇÃO DA IGREJA E ESTADO a Nova República deu a Igreja, sem o querer talvez, o presente maior possível: a LIBERDADE. A Igreja, “liberta, apesar de tarde”, da ingerência do Estado, começou a parti de 1889 a traçar seus próprios rumos.

Os Redentoristas participaram no lento trabalho de chamar de volta e organizar o rebanho disperso e abandonado. Quando chegaram ao Brasil encontraram uma Igreja Católica, povo e Hierarquia, ainda mal-acostumados a uma administração pública, republicana militante, leiga e controlada pela maçonaria e, de outro lado, uma sociedade em que o positivismo e o agnosticismo filosófico pertenciam ao bom tom. Sem as certezas econômicas do passado e sem saber como se entender com as novas formas de administração pública e sem ter descoberto ainda o valor de sua liberdade, era o discurso eclesiástico marcado muitas vezes por um saudosismo estéril e irreal.

Padre Júlio MariaBem diferente, ensinando os aspetos positivos da nova situação da Igreja no Brasil, foi o Pe. Júlio Maria de Morais Carneiro, padre secular de 1891 até 1905 e Missionário Redentorista de 1906 até 1916 quando faleceu. Nas pregações, conferências e palestras que fazia pelo Brasil afora, de Norte a sul, desmistificou ele o positivismo reinante, levantou a bandeira da luta operária conforme as indicações da Encíclica Rerum Novarum de 1891 e convocou os católicos a melhorar a situação da Igreja Católica através da participação real na democracia. Colocando tudo isto junto, podemos imaginar como foi difícil para os padres e irmãos holandeses e alemães encontrar seu caminho em meio a tudo isto. A preparação dos missionários era feita na linha das Missões Populares, que eram adaptadas ao povo simples e mais pobre do interior, mas não dirigidas à fina camada de pessoas instruídas que comandavam o país em todos os sentidos.

O Pe. Júlio Maria, pela formação jurídica que teve, além da formação teológica, era em tudo preparado pala falar justamente com este povo das elites. Quando mais tarde o mesmo Pe. Júlio Maria entrou na congregação, não precisamos ter muita fantasia para prever como foi quase impossível harmonizar o sistema rígido das pregações das Missões Populares com o estilo livre do conferencista – orador aplaudido nas salas de conferências e nas catedrais do Brasil inteiro.

Fica para todos nós uma pergunta que ainda não sabemos responder: Como foi que os nossos confrades Redentoristas tanto holandeses como os da Alemanha interpretaram os acontecimentos ligados a Canudos e a figura de Antônio conselheiro no ano 1897, pouco tempo depois de sua chegada ao Brasil?

Na primeira parte do século XX século os Redentoristas da Vice-Provincia do Rio de Janeiro marcaram presença através das MISSÕES POPULARES; os da Vice-Provincia de São Paulo e Goiás através da pastoral das Missões e dos SANTUÁRIOS e também das PARÓQUIAS. Na segunda parte do século, de modo especial sob influência do sopro dinamizador do Concílio Vaticano II, Equipes Redentoristas do Norte e do Sul ajudaram as comunidades católicas nas periferias das grandes cidades e também do interior a dar nova forma a sua vida cristã. O grande meio para tanto foi e é ainda a renovação do método das Santas Missões e o apoio às Comunidades Eclesiais. No meio do efeito desagregador e da exclusão econômica, da violência, do desemprego e da falta de condições humanas de vida as Missões Populares são um momento valioso na dinamização da comunidade cristã.

Foto de: Arquivo da Província de São Paulo.

1938: Santas Missões de Avaré, em 1938. Na foto, a Equipe Missionária. Da esquerda para a direita, o segundo é padre Victor Coelho de Almeida e os dem

Santas Missões de Avaré, em 1938.

 

Apesar de todo tipo de restrições aceitaram quase todas as Províncias e Vice Províncias Redentoristas muitas paróquias. Existe um elemento questionador nisto no sentido de que a formação era para o trabalho abundante e passageiro das Missões Populares, enquanto o paroquiato supõe um trabalho estruturado e de longo alcance, na linha da conservação paroquial, enquanto os Redentoristas são chamados a um estilo de pastoral mais inovador e renovador.

Existem atualmente no Brasil 09 unidades da Congregação sendo 05 Províncias (Porto Alegre (RS), Campo Grande (MS), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Goiás), 04 Vice Províncias (Salvador, Recife, Fortaleza e Manaus), com aproximadamente 600 membros e comunidades presentes em cidades de quase todos os estados brasileiros.

Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R.
Vice Provincial

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