Por Equipe das Missões. Em Notícias

Os desafios da ação missionária em condomínios

Nossas esperanças na evolução das atividades e na eficácia do método missionário 

A missão redentorista de Guarulhos, com a Terceira Fase realizada entre os dias 22 de outubro e 01 de novembro de 2015, foi bem diferente de todas as outras missões. A começar pelo seu tamanho. A Paróquia Santo Antônio de Pádua é muito grande. Conta com cerca de 80 mil habitantes, mas tem somente uma comunidade organizada ao redor de sua matriz. A Igreja Matriz é pequena, em vista do tamanho de sua população; comporta apenas 200 pessoas sentadas.

Sendo assim, a missão foi realizada nas ruas e principalmente nos condomínios. Ultimamente a região da Vila Augusta, localizada atrás do Shopping Internacional de Guarulhos, que é destaque na cidade, tem se verticalizado sistematicamente. Nós últimos quatro anos foram construídos na região uns 200 prédios de 20 a 30 andares. 

A missão nos condomínios em Guarulhos (SP)

A missão nos condomínios

Um dos missionários que realizou a missão nos condomínios foi o padre Luiz Carlos da Cruz, da Equipe Missionária de Tietê. Ele atendeu três grandes conjuntos de prédios, cada um com sua peculiaridade. O conjunto localizado na Rua das Palmeiras é formado por quatro torres (como eles chamam), cada uma com 30 andares, onde residem 88 famílias.

 

"Em geral, existe uma regra que serve para todos os condomínios que impossibilita a realização de qualquer movimento religioso em seu interior".

Foi muito interessante os trabalhos realizados nesse conjunto. “A senhora Andressa, uma jovem casada, mas separada, faz parte da liderança cristã do conjunto. Ela buscou o missionário na igreja matriz às 9h. Chegando ao condomínio, que é bem perto, eu fui apresentado a outras três pessoas: Dona Iracema, a jovem Lene, cujo marido é evangélico, mas não a impede de ser católica e Dona Vera. Essa comissão de quatro pessoas foi na verdade a responsável pela missão nesse condomínio”, conta padre Luiz. 

Em geral, existe uma regra que serve para todos os condomínios que impossibilita a realização de qualquer movimento religioso em seu interior. Os condôminos não podem trazer para dentro do condomínio nenhuma de suas manifestações religiosas. Sabendo disso, a equipe missionária participou da assembleia mensal dos condôminos em todas as torres, onde apresentou uma proposta especial. Os representantes foram felizes nos argumentos e o síndico não teve como não aceitar a decisão. Isso foi fundamental para que acontecesse a missão nesse conjunto de prédios. 

Visitas Missionárias

Nesse conjunto de prédios a maioria das famílias solicitou a bênção dos apartamentos. Houve também boa presença de idosos com a unção dos enfermos.

Esse trabalho de visitas se estendeu por toda a manhã. Diante do resultado, a equipe de coordenação e outras pessoas voluntárias não deixaram de demonstrar sua alegria pelo sucesso das visitas. No salão de festa do condomínio foi feito um almoço festivo, na forma comunitária; cerca de 30 pessoas participaram. Foi um momento muito bonito e de muita unidade. As pessoas em geral demonstram um profundo respeito ao padre, sobretudo pelo fato de ser missionário. Neste caso a batina redentorista identificava melhor o missionário.

“Assim que terminou o almoço, eles me levaram a outros apartamentos; assim prossegui até às 19h. A coordenadora me acompanhou de volta ao salão de festa onde foi servido um lanche para as pessoas voluntárias que estiveram no almoço. Depois, ficamos no local aguardando a chegada de outras pessoas. Aos poucos o salão ficou repleto para a missa celebrada às 20h00. Nesta Eucaristia foi enfatizada a necessidade de se viver em comunidade e o tema da pregação versou sobre o 'Amor do Pai, como projeto de Deus revelado em Jesus Cristo'. A missa foi cantada pelos presentes, com todas as rubricas litúrgicas cumpridas, pois o pároco enviou dois ministros da Eucaristia para garantir que tudo estivesse preparado. Foram cumpridas as prescrições litúrgicas, inclusive com cruz processional, ministros paramentados, mesa formada, credência e ofertório. Formamos mesmo uma pequena 'catedral' como a gente costuma brincar", relatou padre Luiz. 

Após a missa as pessoas permaneceram no salão participando de uma rodada de pizza, oferecida pelos moradores.

De acordo com o missionário “o resultado final do primeiro condomínio visitado foi extremamente positivo e animou a todos a continuar com as visitas”, mas um dado preocupante é a pequena participação das pessoas na Eucaristia, talvez por "não terem o costume de participar de uma missa celebrada em um condomínio”, destacou o missionário. 

A missão nos condomínios em Guarulhos (SP)

Exercício de Diálogo Religioso

Nas visitas aos apartamentos famílias evangélicas aceitaram a presença do missionário e até elogiaram o trabalho, mesmo não deixando de dar umas “alfinetadas” no que diz respeito às imagens, mas isso não deixou de ser um exercício prático de ecumenismo ou de diálogo religioso.

Outro condomínio que também recebeu a Missão foi o conjunto Gopouva formado por três torres, cada uma tendo entre 10 a 15 andares. Cada torre de apartamentos abrigava cerca de 40 famílias. Neste conjunto a realidade econômica das famílias é médio-baixa. Era visível a boa reação das famílias que aceitaram as visitas de forma quase unânime. Aqui, porém, uma realidade que chama a atenção é a miscelânea de credos. Quase todas as famílias afirmaram participar em outras igrejas ou frequentar locais de culto não católicos. Uma senhora disse que se sentia muito bem “tomando passe” e participando também da comunhão na missa. Além dos prédios, o conjunto era formado também por outras casas da região, mas ali houve um conflito entre as pessoas que coordenavam o Setor Missionário e isso prejudicou bastante o trabalho missionário.

Dessa forma, foram bem diferentes os resultados do trabalho missionário realizados nesse setor. Muitas famílias não foram atingidas durante a Segunda Fase da missão, embora as visitas do missionário tenham sido bem envolventes. Se nós prédios muitas famílias não foram visitadas, nas ruas do bairro que os rodeiam quase todas foram.

Depois da visita do missionário a missa foi celebrada na garagem de uma casa, onde mais de 100 pessoas compareceram. Mas muitas pessoas também não comungaram, a exemplo da outra celebração no condomínio.

Padre Luiz Cruz contou ainda sobre um terceiro condomínio visitado por ele. “Por último, fiz um trabalho missionário no conjunto de condomínio Ville de France, também nas imediações da paróquia Santo Antônio. Formado por três torres, com cerca de 70 famílias cada uma. Nele 19 famílias foram visitadas na parte da tarde e à noite celebrei a eucaristia no salão de festa do condomínio com boa participação das pessoas”.

Nesse conjunto existiam muitas pessoas idosas, por isso muitos pediram o sacramento da unção aos enfermos. 

O que aprender desta pastoral

 

"Pude testemunhar muitas pessoas dizendo, até com emoção, que hoje, graças às missões, estão bem mais próximas daqueles que nem sabiam que eram vizinhos de apartamentos...".

Na assembleia das lideranças que normalmente acontece no penúltimo dia da Terceira Fase, os líderes dos conjuntos de prédios e dos condomínios deram um testemunho emocionado. Eles foram unânimes em afirmar que a missão foi muito importante no processo de conhecimento das pessoas, pois as pessoas que não conheciam, agora se pareciam com parentes de "sangue".

"Pude testemunhar muitas pessoas dizendo, até com emoção, que hoje, graças às missões, estão bem mais próximas daqueles que nem sabiam que eram vizinhos de apartamentos. A Missão Redentorista aproximou as pessoas e somou forças na condução dos trabalhos religiosos e mesmo da política de condução dos condomínios. Uma senhora afirmou que 'agora está muito feliz, porque pode conversar abertamente com as pessoas, sem correr o risco de maiores conflitos'. Por isso a missão nos condomínios precisa continuar", frisou padre Luiz. 

Nesta missão diferenciada, o missionário celebrou missas nos condomínios ou nas casas espalhadas pelos bairros, visitou doentes, atendeu as pessoas e se fez mais próximo da comunidade, sentindo mais a sua realidade, vivenciando na prática aquilo que o Papa Francisco pede quando afirma que precisamos ser uma “Igreja em saída”. O resultado desta missão foi bem diferente. Nas casas espalhadas nos bairros o acesso é mais facilitado e o povo é mais religioso. Nos prédios, além das dificuldades de acesso, as pessoas são menos religiosas e menos comprometidas com a comunidade.

Foi extremamente válida esta experiência missionária, mostrando que o missionário precisa ter um "jogo de cintura" para poder se adequar à cada realidade. Foi uma missão atípica, mas que alimentou nossas esperanças na evolução das atividades e na eficácia do método missionário. 

Colaborou: Pe. Luiz Carlos da Cruz, C.Ss.R.
Equipe Missionária – Tietê (SP)       

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