O historiador da Congregação Redentorista, Pe. Fabriciano Ferrero, descreveu com acerto as duas claves fundamentais para compreender a vida do nosso confrade, o Beato Januário Maria Sarnelli: o profetismo e a páscoa.
Há cerca de 30 anos, no dia 12 de maio de 1996, em uma praça de São Pedro abarrotada de gente, o que podemos considerar o primeiro sacerdote italiano da Congregação depois do nosso fundador, foi beatificado pelo Papa João Paulo II.
A Igreja celebrava assim a sua Páscoa, a santificação de um homem chamado por Deus a ser Cristo, mesmo para seus contemporâneos, por ser "semelhante a Ele" (cf. 1 Jo, 3,2).
A glória do Ressuscitado brilhou em sua personalidade, em seus feitos e escritos, em seu legado, e a celebração litúrgica de sua festa é a manifestação da fé pascal na obra do Espírito Santo naqueles que se deixam conduzir por Ele.
Januário María Sarnelli, amigo e companheiro de Santo Afonso, foi um "evangelho vivo" para o povo que o conheceu.
Santo Afonso, seu primeiro biógrafo, destaca como edificava a todos com seu espírito de oração, como impressionava a seus contemporâneos com sua paixão, como iluminava a obscuridade de seu tempo com seus escritos.
Ambos, Afonso Maria e Januário Maria, são santos de Nápoles em uma Igreja que sonhava em se renovar, missionários populares cheios de zelo e vontade de corrigir os angustiantes problemas de seu tempo.
A profecia vivida torna-se um novo impulso para a Congregação
As relíquias do Beato Sarnelli são veneradas na Igreja da Santíssima Trindade adjacente à Casa Mãe de Ciorani.
A paz desta casa, hoje Noviciado da Província da Europa Sul, contrasta com a vitalidade desse redentorista atípico, cuja característica principal foi o ardor na ação apostólica.
Seus biógrafos falam dele como um redentorista esgotado devido a sua constante atividade constante, idealista e espontâneo.
As vezes seu importante papel, tanto na consolidação da fundação da Congregação depois do abandono dos primeiros companheiros de Afonso em Scala, como também na fundação da primeira casa canônica da Congregação.
Em outras apresentações do perfil do nosso protagonista, não se destaca o suficiente seu caráter reflexivo, sua disponibilidade para com as responsabilidades assumidas, sua pericia na direção espiritual e sua vivência prática de fé.
É um redentorista que viveu sua vocação em movimento, com versatilidade: entre a realidade e o ideal evangélico, entre suas responsabilidades sacerdotais e suas convicções missionárias.
Tudo para ajudar o ser humano a recuperar e viver o sentido profundo da própria dignidade humana no Capelas do Entardecer.
Beato Januário incentivou a meditação em comum junto aos leigos, ao publicar "O Mundo Santificado"
Raízes profundas de uma frondosa árvore
É sempre importante destacar os paralelismos que existem entre Santo Afonso e o Beato Januário María Sarnelli: nobres, doutores em leis, sensíveis na luta contra a marginalidade, ativistas da formação dos leigos para o apostolado com as Capelas do Entardecer, membros da sociedade sacerdotal das Missões Apostólicas, escritores e divulgadores da doutrina cristã, reformadores dos costumes do clero, místicos enamorados da Eucaristia e da Mãe de Deus.
O Beato Januário María é uma das raízes fortes da frondosa árvore da Congregação, embora não se reconheça um protagonismo de primeiro plano, é sem dúvida, parte das figuras sem as quais não se pode entender a Santo Afonso nem o caminho espiritual que o levou a fundar os Redentoristas.
Sarnelli foi um profeta, um herói do amor a Deus e ao próximo, em busca de uma nova sociedade, um sacerdote sintonizado com as necessidades de reformas na Igreja.
Januário continua a ser profético porque, como dizia Pe. Chiovaro: "ele possui o raro privilégio de poder falar ainda hoje aos homens e mulheres de nosso tempo".
Por quê? Sobretudo, porque as palavras do Evangelho eram transformadas em ações concretas na vida cotidiana de Sarnelli, onde todos os dias se encontrava com os pobres, enfermos, marginados, penitentes e pessoas desorientadas.
Também porque este redentorista inspira a jovens que querem viver o Evangelho como uma verdadeira alternativa no mundo de hoje.
Outra razão é porque estava totalmente apaixonado por Cristo e vivia uma profunda comunhão com Ele.
Porque seu nome aparece em atividades sociais da Congregação, em todo o mundo, sempre unido com a luta contra a marginalização, a exploração das pessoas de qualquer condição e de qualquer tipo de violência contra inocentes.
Porque, como destacou o Papa em sua Beatificação: “possuía uma sensibilidade desenvolvida contra a pobreza e a injustiça”.
Após sua entrada para a Congregação, Beato Januário se dedicou sem restrições às missões paroquiais e a escrever
Ciorani, guarda de sua herança
Após os 30 anos de sua beatificação, a Igreja Redentorista de Ciorani, que desde 2022 é o Santuário Diocesano do Beato Januário Maria Sarnelli, celebrou solenemente este aniversário, desejando que sua canonização aconteça.
Alguns Redentoristas pregaram o tríduo de preparação da festa do Bem-Aventurado, inspirando os participantes com suas experiências pessoais com o Beato Sarnelli.
Os pregadores foram o coordenador do PJVR da Província Europa Sul, Pe. Daniele Carta, o pároco da casa histórica de Scifeli, Pe. Habib Badran, quem também pregou o tríduo da preparação para a declaração do santuário diocesano; Mons. Alfonso Amarante, reitor da Universidade Lateranense que recordou aos presentes que esteve presente em sua cerimônia de beatificação como acólito em 1996, e mons. Antonio De Luca, bispo de Teggiano-Policastro, que traçou um perfil redentorista para o evangelizador atual.
Ciorani, o antigo feudo dos Sarnelli, guarda com carinho a história desta família, e celebra com orgulho os redentoristas cujas relíquias são guardadas em sua igreja.
Além das celebrações eucarísticas, uma solene procissão com a imagem do Beato percorreu as ruas decoradas com bandeiras nas cores do Vaticano.
Também as personas mais ativas da paróquia, o grupo missionário, catequistas e os jovens, cada tarde ofereceram momentos de festa, música e comida para honrar o Apóstolo dos marginalizados de Nápoles.
Todo isso também em recordação do Pe. Antonio Marrazzo, que trabalhou como ninguém para que o Beato Januário Maria se tornasse conhecido e amado pelos Redentoristas e pelo povo por quem deu sua vida.
Pe. Laureano Del Otero Sevillano, C.Ss.R.
Fonte: Tradução livre: Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R.
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