A localização geográfica da Polônia fez com que o país fosse ocupado muitas vezes ao longo de sua história ou se tornasse rota de passagem dos exércitos de povos estrangeiros.
Fazendo fronteira com a Alemanha e com a Rússia, países mais poderosos e sendo o caminho mais curto para se alcançar o Mar Báltico e o Mar do Norte, era objeto de cobiça de povos estrangeiros.
Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, a Polônia foi o primeiro país invadido pela Alemanha nazista. No tempo de São Clemente Maria Hoffbauer os redentoristas que ali já estavam instalados foram expulsos do país, só podendo retornar após a morte de nosso santo, em 1820.
No período, a Alemanha não existia como país unificado, sendo formada por reinos independentes, dos quais o mais poderoso era a Prússia, que abrangia toda a parte norte, sendo majoritariamente protestante.
O protestantismo pouco penetrou na região sul da Alemanha, no reino da Baviera, de onde sairiam os missionários que viriam para o Brasil em 1894. O movimento expansionista de Napoleão Bonaparte foi freado pela junção de forças da Prússia, Áustria e Inglaterra, e a Polônia não escapou da invasão e ocupação por vários anos.
A ocupação prussiana (1796-1806)
Após o fracasso da Revolta de Kościuszko, Áustria, Prússia e Rússia assinaram a chamada “Terceira Repartição”, em 24 de outubro de 1795.
Graças a um artigo secreto, escondido no pacto de partilha de 26 de janeiro de 1797, as três potências partilhariam o território polonês e o rei da Polônia, levado para o exílio em Grodno, atual Rússia Branca, em 25 de novembro de 1795, foi forçado a abdicar.
A cidade de Varsóvia foi anexada à província da Prússia do Sul, sendo rebaixada à categoria de cidade provincial. O número de seus habitantes foi reduzido à metade do que havia sido registrado nos últimos anos do reinado.
Em 1796, Varsóvia tinha apenas 61 mil habitantes, enquanto o número de prussianos aumentou consideravelmente. A ocupação prussiana significou um período de tormento para a população que de pouco havia saído da ocupação russa.
A Prússia enviou uma guarnição de aproximadamente 12 mil soldados como força de ocupação e eles submeteram a sociedade polonesa a um processo de germanização, pelo qual as instituições polonesas foram liquidadas e cidadãos poloneses foram removidos dos cargos estatais, sendo substituídos por funcionários prussianos.
O governo prussiano também praticou uma política hostil em relação à Igreja Católica, com a imposição de inúmeras restrições administrativas.
O contato direto com Roma foi proibido, sendo necessária uma autorização especial para a promulgação de documentos da Santa Sé. Também as cartas pastorais dos bispos precisavam passar pela censura do governo.
A Vida Religiosa Consagrada foi sujeita a um controle estrito. O contato com superiores no exterior foi proibido, sendo feitas várias tentativas de colocar as ordens religiosas sob a jurisdição dos bispos.
O governo prussiano dificultou a admissão de candidatos aos seminários e conventos também foram suprimidos.
Os redentoristas durante a ocupação
Os prussianos tratavam os redentoristas com grande hostilidade por serem considerados politicamente perigosos para o Estado. No entanto, não pensaram em suprimir a igreja e convento de São Beno porque ofereciam educação gratuita em suas escolas e não pesavam economicamente para o Estado.
Através de uma carta datada de 7 de junho de 1805, as autoridades prussianas em Berlim confirmaram a autorização de residência dos redentoristas em Varsóvia com a condição de que fosse tratada como uma "Escola para jovens pobres".
Esta maré mais tranquila, porém, mudaria em poucos anos e em 1808, viria o decreto de sua expulsão.
O Governo do Ducado de Varsóvia (1807-1808) e a expulsão dos redentoristas
A ocupação prussiana de Varsóvia terminou em novembro de 1806, quando o exército francês de Bonaparte entrou na cidade. Um ano depois foi fundado o Ducado de Varsóvia que incluía os territórios anexados pela Prússia na Segunda e Terceira Repartições. À frente do ducado estava o rei saxão Frederico Augusto (1750-1827).
Apesar de uma “suposta liberdade”, a França manteve seus representantes em Varsóvia, exercendo grande influência sobre as atividades do governo do Ducado.
A princípio, a população recebeu o exército francês com entusiasmo, mas o “fogo logo se extinguiu”, porque os soldados se comportaram exatamente como todos os invasores: roubando, matando, abusando de mulheres e meninas, saqueando obras de arte e colocando a população polonesa em estado de pavor.
Napoleão Bonaparte provocou um “arroxo” na economia do país, cobrando impostos e contribuições cada vez mais pesados.
O governo do Ducado de Varsóvia, tendo membros da maçonaria em postos chaves da administração, tentou subjugar a Igreja, fazendo com que todos os regulamentos anticlericais anteriormente emitidos pelas autoridades prussianas permanecessem em vigor.
A expulsão dos redentoristas
Os Missionários redentoristas, como todo o povo polonês, esperaram com ansiedade o momento da libertação de Varsóvia da ocupação prussiana: "Graças a Deus, temos liberdade", escreveu Pe. John Podgórski (1775-1847) a seus confrades na Suíça, quando os prussianos deixaram a cidade, mas a realidade logo mudou.
Em junho de 1808, São Beno foi suprimida e toda a comunidade expulsa de Varsóvia, tendo que abrigar-se em outros países como Áustria e Suíça.
Segundo narra a história (História da Congregação, II, I, pág. 415), a expulsão dos redentoristas foi preparada secretamente pela polícia, mas a notícia vazou graças a um funcionário que informou São Clemente, que por sua vez alertou a comunidade.
Os redentoristas prepararam seus pertences pessoais, receberam dinheiro para a viagem, levaram relíquias, livros sacros e paramentos litúrgicos e queimaram documentos importantes.
Na manhã do dia 17 de junho, uma comissão do governo foi a São Beno, reuniu os 37 membros da comunidade (17 padres, 11 clérigos e noviços, 9 irmãos) e leu o decreto de expulsão.
Posteriormente, os comissários revistaram e selaram as salas principais e fecharam a igreja, proibindo os serviços religiosos públicos.
Os redentoristas foram informados de que seriam tratados como prisioneiros até sua partida de Varsóvia e que não teriam permissão de contatos com o exterior. Os edifícios foram ocupados pelo exército e cercados pela polícia.
Saindo de casa, os comissários levaram os padres Clemente Hofbauer, Jestershein e Blumenau-Kwiatkowski ao Ministério da Polícia, onde os ministros Potocki e Łuszczewski reiteraram o decreto de expulsão.
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Foi especificado que os redentoristas só poderiam levar consigo pertences pessoais e que as despesas de viagem seriam arcadas pelo governo.
Com a distância do tempo, percebe-se que a expulsão dos redentoristas de Varsóvia em 1808, foi determinada por fatores de natureza política e ideológica, relacionados ao contexto da Era Napoleônica e às transformações que estavam em curso em toda Europa e, por tabela, também na Polônia:
A expulsão dos redentoristas foi o resultado de uma combinação de suspeitas políticas, acusações de dissidência e hostilidade mais ampla em relação às ordens religiosas por círculos liberais e napoleônicos que buscavam afirmar um controle mais secular sobre o Estado e a sociedade, mas nada havia que pudesse mostrar contrariedade à vivência do carisma afonsiano ou com a prática pastoral e comunitária da numerosa comunidade.
As autoridades de Varsóvia, temendo a reação popular à expulsão dos redentoristas, decidiram manipular a opinião pública. No dia 18 de junho, dois jornais "Gazeta Warszawska" e "Gazeta Korespondenta Warszawskiego i Zagranicznego" publicaram idênticos artigos acusando os redentoristas de exercer influência perigosa, subverter costumes com rituais supersticiosos, conspirar politicamente, instigar a população e se opor às autoridades.
Os artigos implicavam que mais evidências seriam reveladas no futuro. Nada, porém, fez por diminuir a aceitação, aprovação e bem querer do povo da Polônia em relação aos filhos de Santo Afonso.
Na celebração do 150º aniversário da expulsão, a igreja de São Beno foi reconstruída e consagrada, sendo mais uma vez confiada aos Redentoristas. Os edifícios de São Beno haviam que haviam sido destruídos nos bombardeios da Segunda Guerra entre agosto e setembro de 1944, depois de 1950 foram devolvidos em ruínas e em 22 de junho de 1958, os redentoristas puderam consagrar a igreja reconstruída.
Fonte: Tradução livre: Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R.
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