Em março de 2026, foi lançada no Vaticano a chamada Plataforma de Desinvestimento na Indústria Mineira, uma iniciativa internacional articulada pela rede "Igrejas e Mineração" com o apoio de lideranças religiosas, organizações sociais e representantes de povos originários.
O objetivo central da plataforma é incentivar instituições, fundos e investidores a retirarem recursos financeiros de empresas mineradoras envolvidas em violações socioambientais, redirecionando esses investimentos para projetos sustentáveis e economias comunitárias.
A proposta se insere em um movimento mais amplo de crítica ao modelo extrativista, especialmente em regiões onde a mineração gera impactos severos sobre o meio ambiente, os direitos humanos e a autonomia de comunidades tradicionais.
Em vez de atuar apenas pela via regulatória, a plataforma busca a lógica do desinvestimento como instrumento de transformação econômica e ética.
Dom Vicente Ferreira, defende em entrevista nos estúdios da Rádio Vaticano que as instituições devem alinhar suas finanças aos valores do Evangelho e da Ecologia
.:: Cuidar da vida em toda a criação ::.
Nesse contexto, destaca-se a participação de Dom Vicente de Paula Ferreira, C.Ss.R., bispo da diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA) e assessor da Rede Igrejas e Mineração, é uma das vozes brasileiras mais ativas no debate sobre justiça ambiental e mineração.
Sua atuação tem sido marcada pela defesa dos territórios afetados pela exploração mineral e pela denúncia dos efeitos sociais e ecológicos do modelo de desenvolvimento baseado no extrativismo intensivo.
No lançamento da plataforma, Dom Vicente reforçou a necessidade de romper com práticas econômicas predatórias e de construir alternativas fundamentadas na dignidade humana, na agroecologia e em formas de produção comunitária.
Sua presença na iniciativa também evidencia o protagonismo da Igreja latino-americana nas discussões sobre ecologia integral, em sintonia com os princípios defendidos pela Casa Comum.
Durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, o Portal a12 teve a oportunidade de conversar com Dom Vicente a respeito do tema. O bispo redentorista destacou o cuidado da Casa Comum como principal fator de desincentivo deste setor predatório da indústria:
“Isso significa que nós estamos num movimento internacional para que a gente possa tirar recursos desses empreendimentos que ferem a casa comum, que causam feridas também nos mais pobres, nas comunidades, povos originários, quilombolas. São tantas agressões causadas por esse empreendimento”.
Ao defender o desinvestimento na indústria mineradora, Dom Vicente reforça a urgência de repensar os modelos econômicos que sustentam práticas predatórias e aprofundam desigualdades.
.:: Congregação Redentorista convida a cuidar da Casa Comum ::.
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