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Dom Carlinhos destaca o trabalho junto aos povos indígenas

Bispo redentorista relembra atuação para devolver as terras da comunidade dos Tapuias e traz ricas lembranças de suas missões

Escrito por Mário Pereira

30 JUN 2022 - 14H52 (Atualizada em 30 JUN 2022 - 15H53)

Gustavo Cabral/ A12

Eu estou feliz da vida, vivendo a minha idade avançada com muita alegria e muita disposição”. Assim se considera, aos 91 anos, o Pe. José Carlos de Oliveira, o Dom Carlinhos. Filho de Carlos de Souza Oliveira e Judite Chagas de Oliveira, nasceu em Aparecida (SP), no dia 14 de março de 1931.

A sua vocação sacerdotal veio ainda na infância, quando tinha contato com a Igreja, sendo congregado mariano e participando da Irmandade de São Benedito. A paróquia que carrega o nome do Padroeiro dos cozinheiros, inclusive, foi local da primeira comunhão e da primeira missa celebrada por Dom Carlinhos.

O Redentorista foi escolhido como Superior Provincial, da Província de São Paulo, em 1975. Quatro anos mais tarde, em 1979, foi nomeado Bispo de Rubiataba (GO), permanecendo no cargo por quase 30 anos. Na cidade goiana, ganhou notoriedade pelo seu trabalho junto aos mais pobres, sem terras, e na dedicação aos povos indígenas, em especial no trabalho junto à comunidade dos Tapuias.

Consegui, em primeiro lugar, registrar a terra dos índios, os índios Tapuios. Eram 14 fazendeiros que estavam ocupando as terras deles (...) Graças a Deus consegui registrar. Fui várias vezes na Funai, levei os índios para conhecer a Funai e graças a Deus conseguimos. Foi uma etapa difícil da vida, porque a Polícia Federal teve que ir lá e tirar os fazendeiros, e eles eram meus amigos. No entanto, na hora do julgamento, o juiz me perguntou se eu tinha amizade com eles. Eu disse que tenho (sic), mas que estava querendo deixar a ‘terrinha’ dos índios para eles plantarem e cuidarem de sua própria ‘terrinha’. Foi a minha alegria”.

Em Rubiataba, também contribuiu para a fundação da Rádio Vale FM e da Faculdade de Ciências e Educação de Rubiataba (Facer).

Reprodução/ Arquivo pessoal
Reprodução/ Arquivo pessoal
Dom Carlinhos ao lado de Dom Tarcísio A. Amaral e do Pe. Vitor Coelho de Almeida


Atentado a Nossa Senhora Aparecida

No dia 16 de maio de 1978, Dom Carlinhos estava reunido com coordenadores das Missões Populares, no local onde hoje funciona a Casa do Pequeno, quando soube do atentado à imagem de Nossa Senhora Aparecida, na Basílica Histórica.

Quando chegou à igreja, o missionário encontrou a imagem em pedaços, sendo recolhida por alguns fiéis, e o autor do atentado sendo ameaçado de linchamento. Após o restauro, em São Paulo, Dom Carlinhos voltou no carro do Corpo de Bombeiros, com a imagem restaurada.

“Eu vi aquela fileira dos dois lados da via Dutra, com o pessoal ajoelhando, cantando, levantando os braços. Fiquei comovido!”.

Amizade com Dom Orlando Brandes

Durante a entrevista, Dom Carlinhos cita mais de uma vez o Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes. O Missionário Redentorista revela que recebe a visita de Dom Orlando aos sábados, em seu quarto. Ele conta que, em uma das visitas, recebeu um pedido do amigo:

Eu tenho várias fotografias no quarto e Dom Orlando pediu que eu fizesse o possível para transformar a memória em oração. Assim, meu quartinho é um pedaço do céu. Fico recordando e agradecendo a Deus tudo o que foi possível fazer e tudo o que eu queria fazer e não fiz”.

Conheça mais da história de Dom Carlinhos:

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