Por Elisangela Cavalheiro Em Notícias Atualizada em 13 JUN 2019 - 16H52

Dom José Salles: ser mais bispo com o povo migrante e refugiado

“Essa é uma realidade que me emociona muito e eu tenho dito que eu vou aprendendo a ser cada vez mais bispo a partir dessas situações, dessa realidade que tenho vivido”, disse o bispo redentorista Dom José Luiz Ferreira Salles, C.Ss.R, durante a assembleia da CNBB, na última quarta-feira (08), ao falar sobre a questão que envolve o acolhimento de imigrantes e refugiados no Brasil.

Ivan Simas/A12.com
Ivan Simas/A12.com
Dom José Luiz Ferreira é bispo referencial do Setor Mobilidade Humana da CNBB.


Bispo da Diocese de Pesqueira, que fica no Agreste de Pernambuco, desde o ano de 2012, Dom José é referencial do Setor Pastoral da Mobilidade Humana da CNBB e da Pastoral do Povo de Rua.

Em seu trabalho no Setor de Mobilidade Humana, Dom José trabalha com a sensibilização para a acolhida e também com a promoção e defesa dos direitos das pessoas em mobilidade. Estão neste grupo imigrantes, refugiados, vítimas do tráfico de pessoas, pessoas nômades como ciganos, circenses e parquistas, entre outros. Dom José atua diretamente com realidades que exigem olhar de perto para poder compreender o drama que cada pessoa vive.

Dom José ainda enfrenta, em sua diocese, a questão da seca. De lá, ele lembra o trabalho da Cáritas Diocesana, que desenvolve programas voltados para a convivência com o semiárido e também agricultura familiar, economia popular e solidária, segurança alimentar e nutricional, entre outras campanhas e projetos.

A partir deste trabalho de grande atuação social e transformadora, o bispo destaca a recente adesão da diocese ao projeto da Cáritas Brasileira ‘Caminhos de Solidariedade’ de acolhimento a imigrantes e refugiados. A diocese foi uma das dez do país a se candidatar para receber os venezuelanos vindos de Roraima e acolhe, desde fevereiro, duas famílias.

“Nós estamos com duas famílias. São cinco pessoas que estão vivendo no interior de Pernambuco. Tem sido um trabalho muito bonito de preparação das pessoas, de organização da casa, tivemos que envolver até o Poder Público nessa missão. A grande dificuldade agora é conseguir emprego, para que possam manter suas famílias. O nosso sonho é acolher mais pessoas na nossa diocese, mas dentro da nossa pobreza, da questão da seca, a gente tem que ir devagarinho para acolher bem”, disse o bispo.

Assista a coletiva de imprensa completa:


Para Dom José, a crise venezuelana suscita respostas para ajudar essas pessoas que estão enfrentando uma separação forçada de suas casas e até mesmo de suas famílias. “Eu me lembro da história de uma senhora que foi acolhida em Fortaleza, que teve que deixar o marido com câncer em Roraima. Isso machuca e dói muito no coração, porque a gente vê que ela foi forçada sair e teve um sonho interrompido. Essa é uma realidade que me emociona muito e eu tenho dito que eu vou aprendendo a ser cada vez mais bispo a partir dessas situações, dessa realidade que tenho vivido”, assinala.

Como pastor, Dom José acredita que é preciso ter compaixão para com essas pessoas e mostrar solidariedade, a exemplo de Jesus Cristo. “Toca o coração da gente essa questão da imigração e refúgio. São realidades que nos questionam, nos levam a olhar para o Cristo crucificado e nos dizem que temos que nos abaixar, lavar os pés e cuidar dos nossos irmãos”, finaliza. 

O fluxo de venezuelanos ocorrido nos últimos anos para o Brasil é um dos eventos migratórios mais importantes da América Latina e uma das histórias de mobilidade humana mais impactantes de todos os tempos na região. Cerca de 3,7 milhões de venezuelanos abandonaram seu país nos últimos quatro anos, incluindo centenas de indígenas.

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