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Irmão Max Schmalzl, artista a serviço da evangelização

Religioso redentorista dedicou sua vida à arte sacra, deixando um legado de pinturas, ilustrações e projetos que enriquecem igrejas até hoje

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

25 JUN 2026 - 09H32 (Atualizada em 25 JUN 2026 - 11H40)

Divulgação

Max Schmalzl nasceu no dia 7 de julho de 1850 e faleceu em 7 de janeiro de 1930. Alemão de nascimento, assumiu a vocação redentorista como irmão, trabalhando como pintor, ilustrador e designer. Suas xilogravuras e ilustrações estão presentes em missais, livros devocionais e igrejas do final do século XIX e início do século XX.

Biografia

Irmão Max nasceu em Falkenstein, na região da Baviera, sul da atual Alemanha, no seio de uma família católica, muito religiosa e voltada para o mundo das artes. Seu irmão mais velho, Peter Schmalzl (1835-1874), tornou-se padre redentorista e também trabalhou como pintor. Seu sobrinho, Rudolf Schmalzl (1890-1932), foi igualmente um renomado pintor de igrejas.

Mais tarde, Max Schmalzl colaborou com seu sobrinho, especialmente na decoração artística da igreja de Halbmeile, perto de Deggendorf.

Ainda criança, frequentou a Königliche Kunstgewerbeschule (Escola Real de Artes Aplicadas), na cidade de Munique, onde foi aluno do renomado Theodor Spieß (1846-1920), recebendo excelente formação como pintor decorativo. Reconhecido por seu talento, recebeu uma bolsa real em setembro de 1871.

Após concluir sua formação artística, Schmalzl ingressou na Congregação Redentorista, na antiga abadia de Gars am Inn. Depois da formação inicial, realizou o noviciado em 1877, professando os votos religiosos em 20 de julho de 1878.

Legado e influência

Por causa de seu estilo de vida mais monástico, dado ao recolhimento, pôde dedicar-se de corpo e alma ao trabalho. Os temas artísticos que escolhia eram exclusivamente religiosos, executados em estilo devocional e cuidadosamente elaborados.

O estilo de sua obra foi inspirado na chamada Escola Nazarena, baseada na arte do início do Renascimento italiano. No entanto, com a evolução de seus trabalhos, deixou-se influenciar pela Escola de Beuron, o que os estudiosos explicam pela escolha das tonalidades, pelas composições marcadamente geométricas e pelo espírito monástico com que abordava seu trabalho.

Divulgação Divulgação Missal Romano de 1911, com ilustrações do irmão redentorista

A Escola de Arte de Beuron (Beuroner Kunstschule, em alemão) foi um movimento artístico e religioso fundado em 1868, na Abadia Beneditina de Beuron, na Alemanha. Nascido para renovar a arte sacra católica, o movimento combinava o misticismo com rigorosos princípios geométricos. A arte de Beuron caracteriza-se pelo uso de linhas retas dominantes, simetria e abstração do movimento. O objetivo era transmitir majestade, paz e contemplação mística.

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Com o passar do tempo, porém, Ir. Max Schmalzl desenvolveu um estilo próprio, permanecendo fiel a ele durante todo o percurso de sua carreira.

Apesar de seu trabalho ter se tornado conhecido e respeitado em todo o mundo católico da época, Max levou uma vida bastante reclusa no mosteiro de Gars am Inn, colocando suas habilidades artísticas a serviço da Igreja. Em um gesto de modéstia, frequentemente deixava de assinar suas obras. Nele se uniam uma vida de grande humildade, profundo senso de piedade e incansável dedicação ao trabalho, sem perder tempo, à maneira dos antigos monges medievais e conforme as orientações do fundador da Congregação.

Por causa de sua origem monástica e pelo fato de ter permanecido fiel à abordagem nazarena até sua morte, em 1930, Schmalzl foi chamado de "o Último Nazareno". No auge de sua fama, chegou a ser conhecido como "o Fra Angelico da Baviera".

Obra artística

Ao se tornar redentorista, foi persuadido por seu confrade, Padre Georg Schober, editor litúrgico da editora Pustet, de Regensburg, a ilustrar as publicações litúrgicas da casa. A grande coleção de artes que produziu representa sua obra mais conhecida, sendo muito admirada desde o seu lançamento.

Devido a essa longa colaboração com a editora de Friedrich Pustet, em Regensburg, o trabalho de Irmão Max Schmalzl tornou-se onipresente nos diversos círculos católicos. Ele produziu cerca de 150 ilustrações para obras litúrgicas, livros de devoção e artigos religiosos editados em larga escala. Embora muitas de suas ilustrações não sejam assinadas, Max Schmalzl ocasionalmente incorporava as iniciais "FMS" ou "FrMSch", ambas representando Frater Max Schmalzl.

Mais tarde, foi convidado pelo Papa Pio X para ilustrar publicações litúrgicas da Tipografia Vaticana, realizando obras de grande valor, hoje conservadas nos arquivos do Vaticano.

Obras notáveis

Além do trabalho para a editora de Friedrich Pustet, Irmão Max Schmalzl também foi responsável pela decoração e confecção do mobiliário de igrejas, projetando esculturas, altares, instrumentos litúrgicos e objetos religiosos, como relicários.

Entre suas principais obras estão a decoração da capela do mosteiro da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Vilsbiburg, na Alemanha, realizada entre 1873 e 1880, e a decoração da capela interna do convento redentorista de Gars am Inn, onde passou quase toda a sua vida, concluída em 1885.

Outro trabalho notável é a decoração da igreja paroquial de São Bartolomeu, em Kraiburg am Inn, também na Alemanha, realizada entre 1893 e 1897.

Os que visitarem a igreja de Santo Afonso, em Roma, onde se encontra o ícone original de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, poderão apreciar as magníficas pinturas executadas nas capelas laterais e nos arcos, trabalho realizado entre 1898 e 1900.

Scala News Scala News São dele os desenhos dos afrescos, vitrais, mobiliário litúrgico e diversas decorações da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Cham, na Alemanha

Em Roma, o Irmão Schmalzl realizou ainda o desenho do altar e os afrescos da Capela Bávara da igreja de São Joaquim ai Prati, obra executada em 1904.

São dele os desenhos dos afrescos, vitrais, mobiliário litúrgico e diversas decorações da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Klosterkirche Maria Hilf), em Cham, na Alemanha, seu trabalho mais intenso, realizado entre 1902 e 1909. E, por fim, o mosaico da Via-Sacra da Catedral da Assunção, em Covington, Kentucky. 

Devido a diversos problemas de saúde, Ir. Max pouco pôde realizar a partir de 1924, vindo a falecer no dia 7 de janeiro de 1930, aos 79 anos de idade. Sua magnífica obra, porém, permaneceu como testemunho para a posteridade.

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Fonte: Instituto Histórico Redentorista

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