Logo após a aprovação das Regras e Constituições da Congregação, em 25 de fevereiro de 1749, apenas 17 anos após sua fundação, ainda no mês de março seguinte, foram também aprovados a Missa e o Ofício das Horas do Santíssimo Redentor, próprios da Congregação.
Com esta dupla festividade, desde o início, a Congregação fundada por Santo Afonso e outros companheiros, no dia 9 de novembro de 1732, celebra um profundo agradecimento – Te Deum – por tudo o que aprendeu vivendo com e pelo Redentor.
A dupla memória da fundação da Congregação e da gratidão ao Santíssimo Redentor tem como motivação de fundo a renovação do compromisso no presente e para um futuro mais audaz no amor ao Redentor. Esta é uma festa que ensina a resgatar pessoas e fatos de nossa história para, neles fundamentados, viver melhor nossa missão e vocação hoje!
A crescente identificação com o Santíssimo Redentor gera o entusiasmo pela missão evangelizadora, mesmo nos ambientes mais desafiadores que hoje são enfrentados.
Para que um redentorista possa dizer de si mesmo que fez a opção certa pelo Cristo Redentor, precisa rever continuamente a audácia de suas iniciativas missionárias, seu dinamismo apostólico, a liberdade e a disponibilidade com que se entrega, juntamente com atitudes de humildade e cultivo dos traços do Redentor que o inspiram a viver e anunciar.
O tempo do verbo do compromisso nunca pode ser colocado no passado, pois levar o nome de Santíssimo Redentor gera consequências concretas em sua vida e na missão da Congregação. O congregado deve, por essa razão, usar o verbo no tempo presente: “Eu estou me fazendo redentorista, eu estou vivendo a minha consagração”...
Desde o nascimento do Instituto Religioso, o redentorista já tem, na bússola de sua vida, a referência que iluminará sua missão, chamado que é a continuar o compromisso assumido em sua opção, com sua mentalidade, costumes e sentimentos.
A festa do Santíssimo Redentor, que sempre é celebrada no terceiro domingo de julho, integra-se com a festa do dia 9 de novembro, levando cada redentorista a renovar seu compromisso e propósito de ser um propagador da “Copiosa Redenção”.
A Copiosa Redenção explicita o amor de Deus Pai pela humanidade
Na celebração do Santíssimo Redentor e na revisão dos quase 300 anos de fundação da Congregação, a cada ano se explicita melhor o sentido de seu lema: “Copiosa apud eum Redemptio” (Junto d'Ele a Redenção é abundante), tão bem colocado na Constituição 6 da Congregação.
Pela regra de vida que assumiu no dia de sua profissão religiosa, o redentorista declara que o que o motiva para a vida toda é a missão de anunciar, com a vida, com palavras e com a integridade de seu ser, a Copiosa Redenção, o amor de Deus Pai, “que nos amou primeiro e nos enviou seu Filho, como propiciação pelos nossos pecados e que, pelo Espírito Santo, vivifica a todos os que nele creem”.
Conformados com o Redentor, os redentoristas “se obrigam a serem, entre os homens, servos humildes e audazes do Evangelho de Cristo, Redentor e Senhor”.
Naquilo que constitui o cerne da vocação redentorista, encontram-se o ser e o fazer, sem dicotomia: espelhar-se no Redentor, estar unido a Ele, continuando sua obra de Redenção, sobretudo pelo anúncio aos mais pobres e abandonados.
Em virtude disso, propagar a Copiosa Redenção é o modo de ser e de viver do redentorista, uma vez que “a Redenção atinge o homem todo e aperfeiçoa e transfigura todos os valores humanos” (Const. 6).
Levando o anúncio do amor misericordioso e transformador de Deus aos oprimidos e humildes, junto com a alegre notícia de que este amor é para eles, provoca-se o início de uma vida plena, um novo céu e uma nova terra, aqui e na vida futura.
Um redentorista, a exemplo dos santos, beatos, mártires e bem-aventurados da Congregação, não foge das “coisas mais difíceis”, expressão da cruz que é o lugar mais específico de sua vida. Não vale simplesmente o sofrimento, mas a abundância de bens e de dons que procedem desta árvore da vida.
É muito significativo visitar uma cidade ou paróquia, encontrando em sua parte mais elevada ou em algum lugar mais destacado um grande cruzeiro que ali foi plantado no encerramento de uma Missão e nele escritas as significativas palavras: “Unidos em Cristo”.
O Santo Cruzeiro recorda que naquela comunidade se viveu um tempo de graças e de bênçãos. Lembra também que o tempo mais intenso das missões já passou, com as atividades desenvolvidas na terceira fase, mas que a Redenção continua sendo abundante em cada cristão missionário.
A cruz se torna gloriosa no suor e na vida doada de tantos que consumiram seus dias para atualizar a Copiosa Redenção.
O Santíssimo Redentor e o brasão redentorista
A Congregação Redentorista é mundialmente identificada pelo brasão, cujos primeiros rabiscos foram feitos na parede do forno onde se assava o pão da comunidade, na cidadezinha de Scala, lugar de seu nascimento.
O brasão, como símbolo, em todos os seus elementos simbólicos, resume e apresenta figuradamente tudo aquilo que o redentorista é e o que faz.
Nos elementos figurativos que mostram a Paixão e o sofrimento de Cristo, derramando seu sangue da cruz, vem a compreensão da atualidade da salvação que dela brota para toda a humanidade.
Servidores deste divino mistério, os redentoristas são chamados a encaminhar os canais da salvação para todos os abandonados, de ontem e de hoje, a fim de que a vida de Cristo seja para todos o início de uma vida que um dia será em plenitude.
Quantos redentoristas, ao longo desses quase 300 anos, foram fiéis distribuidores das riquezas da graça de Deus, consumindo os seus dias! E todos os que hoje vivem são convidados a levar adiante o ideal como um estandarte, recordando uma antiga canção que se cantava nos seminários, agradecendo a Deus por esse dia de dupla festividade, para que sejamos fortalecidos e animados a continuar a obra da salvação iniciada na cruz redentora.
Fonte: Instituto Histórico Redentorista
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