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Papa em visita ao Iraque vai encontrar bispo redentorista

Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

04 MAR 2021 - 14H26 (Atualizada em 04 MAR 2021 - 16H17)

Ajuda à Igreja que Sofre bashar_warda_ajuda_igreja_sofre (Ajuda à Igreja que Sofre)

A primeira viagem do Papa Francisco desde o início da pandemia será no Iraque entre os dias 5 e 8 de março. Neste país, ele vai visitar a Arquidiocese de Erbil, onde o bispo redentorista Bashar Warda exerce o seu ministério.

Esta é a segunda visita do Papa a um país do Oriente Médio. A primeira visita aconteceu em fevereiro de 2019, quando ele esteve por alguns dias nos Emirados Árabes. Sua visita busca uma maior aproximação entre as religiões, trazer mais paz à região, obtendo maior liberdade para os cristãos. O primeiro fruto desta primeira viagem foi a promulgação do Dia Internacional da Fraternidade Humana, celebrado pela primeira vez em fevereiro de 2021, e a criação de um prêmio a pessoas ou instituições que mais contribuem com a fraternidade entre os seres humanos.

Católicos na Península Arábica

Hoje há cerca de 3,5 milhões de cristãos no Golfo, dos quais cerca de 75% são católicos, a maioria deles trabalhadores expatriados migrantes, sobretudo, das Filipinas e da Índia.

Há mais de um milhão de católicos na Arábia Saudita, cerca de 350 mil no Kuwait, 80 mil no Bahrein e entre 200 mil e 300 mil no Catar, embora não haja números oficiais.

Quase um milhão de católicos vive nos Emirados Árabes Unidos, que pertence ao vicariato apostólico da Arábia do sul, que inclui os Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmen.

No Iraque, perseguições contra os cristãos

No Iraque, também localizado no Oriente Médio, 95% de sua população adota o islamismo como religião. Sua prática religiosa baseia-se nos ensinamentos de Maomé, fundamentada no livro sagrado do Alcorão.

Desde o ano 750, existe uma minoria cristã no país e seu número vinha crescendo nos últimos tempos, o que chamou a atenção das autoridades islâmicas do país. A partir do ano de 2000, foram estabelecidas leis restritivas aos cristãos com uma série de proibições, o que dificulta muito a vida dos cristãos no Iraque. Por outro lado, a um muçulmano é expressamente proibido se converter ao cristianismo e, caso isso aconteça, a pessoa pode ser morta juntamente com os que o batizaram, passando também a sofrer uma série de restrições.

Como a liberdade religiosa não existe na maioria dos países da região, hoje ainda ocorrem perseguições em massa contra cristãos que são ameaçados, sequestrados, forçados a imigrar, assassinados ou tratados como agentes ocidentais que não são dignos da confiança iraquiana.

Para complicar ainda mais a situação, o desenvolvimento do Estado Islâmico cujos membros do são jihadistas que fazem uma interpretação extrema do Alcorão, acreditando serem os únicos fiéis, complicou ainda mais a situação, fazendo aumentar as perseguições. Para os membros do Estado Islâmico, o resto do mundo é infiel que precisa ser eliminado por quererem destruir sua religião. Desta forma, atacam muçulmanos e não muçulmanos. Decapitações, crucificações e assassinatos em massa são os métodos usados para aterrorizar os inimigos.

Com isso, ocorreu uma sensível redução no número de cristãos no Iraque, porque muitos foram obrigados a buscar segurança em outras regiões. Em 2003 estima-se que havia por volta de 1,5 milhão a 2 milhões de cristãos no Iraque. Hoje eles não passariam de 200 mil.

A presença redentorista no Iraque

A Congregação Redentorista fundada por Santo Afonso Maria de Ligório tem presença nos cinco continentes, com sua ação redentora em mais de 80 países, entre eles o Iraque.

No presente momento há uma comunidade redentorista de Rito Caldeu na capital Bagdá onde atende a Paróquia de São Jorge. Um dos redentoristas é o padre Meyasser Behnam que também leciona na Universidade Católica do Iraque. Também o arcebispo católico, de Rito Caldeu de Erbil, Mons. Bashar Warda é redentorista.

Em 27 de junho de 2016, foi inaugurada uma nova igreja dedicada à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Ankawa, bairro de maioria cristã na cidade de Erbil. Neste bairro encontraram abrigo muitos cristãos que fugiram de Nínive e outras regiões dominadas pelo Estado Islâmico.

Em meio a tanto sofrimento e perseguições os redentoristas procuram ser um sinal de esperança para toda essa gente, aguardando com alegria a visita do Papa Francisco que virá para confirma-los na fé e na caminhada missionária.

Reprodução
Reprodução
Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Ankawa


Presente para o povo iraquiano

Para dom Bashar, a visita papal é um presente para todo o povo iraquiano e da qual ele está pedindo orações e expressa sua esperança por resultados positivos. Ele dará as boas-vindas ao Papa no domingo, quando chegar à região autônoma do norte do Curdistão iraquiano.

A arquidiocese de Erbil hospeda a maior comunidade de cristãos iraquianos deslocados. As comunidades têm raízes antigas que remontam a quase dois mil anos. Eles sofreram enormemente durante os anos de guerra e ocupação. “Estamos muito felizes e entusiasmados com a celebração da Eucaristia em Erbil, onde nos uniremos a Sua Santidade, orando a Deus para abençoar nosso país”, ressalta Dom Warda, também para apoiar os esforços de “reconciliação e coexistência pacífica entre todos os iraquianos”.

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