Por Valquíria Vieira Em Redentoristas

Novo Arcebispo de Pouso Alegre (MG) fala sobre a expectativa para a nova missão

O Papa Francisco nomeou, no final do mês de maio, Dom José Luiz Majella Delgado, como arcebispo de Pouso Alegre (MG), transferindo-o da diocese de Jataí (GO).

Dom José Luiz Majella Delgado é natural de Juiz de Fora (MG), nascido em 19 de outubro de 1959. Membro da Congregação do Santíssimo Redentor, Dom José Luiz recebeu no dia 29 de junho, em Missa presidida pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro no Vaticano, a imposição do “Palio”.Dom José Luiz Majella é Missionário Redentorista

Em entrevista ao portal A12.com, o novo arcebispo de Pouso Alegre que toma posse no próximo dia 02 de agosto, falou sobre as expectativas, desafios e projetos para a nova missão.

A12 - Qual o seu lema episcopal e como pretende honrá-lo na Arquidiocese de Pouso Alegre?

Dom Majella - “Per caritatem servire”, “servir por amor” (cf. Gl 5,13). Desejo concentrar o ministério episcopal no serviço por amor, isto é, não entregar tudo passivamente às mãos da Providência, mas empenhar-me arduamente, sobretudo no trabalho apostólico. O “amor serviço aos outros” é o projeto de Deus revelado em Jesus Cristo, que no lava-pés (cf. Jo 13,1-12) se traduz em ação concreta. Porém, o “lava-pés” de Jesus se prolonga até a cruz, e nela tem seu ponto culminante. É a expressão máxima do amor: “dar a vida”. É na pequenez “dos servos amigos de Jesus” que desejo tecer relações de encontro e confronto com os sacerdotes e todo o povo na construção de uma sociedade sempre mais próxima do Reino do Deus.

A12 - Qual a expectativa do senhor para a Arquidiocese de Pouso Alegre?

 

"Como Igrejas missionárias precisamos sempre avançar para as águas mais profundas – sem medos – em busca de tantos destinatários do Evangelho".

Dom Majella - É uma nova experiência, o que gera inquietações e ansiedades. Tenho consciência das minhas fragilidades, por isso busco o refúgio no Senhor que nos diz: “Eu conheço aqueles que escolhi” (Jo 13,18). É Nele que busco forças, pois a oração é o meu alimento, em especial a Eucaristia. Desejo caminhar junto com todos os que já trabalham na Arquidiocese, clero, religiosos (as), agentes das Pastorais e Movimentos eclesiais, seminaristas, sempre em comunhão com a Igreja, com o Santo Padre, com os Bispos do Regional Leste II da CNBB, e com as equipes de trabalho, ministérios, associações religiosas e com todo o povo e autoridades dos 45 municípios que compõem a Arquidiocese de Pouso Alegre. Quero com muito respeito caminhar com as Dioceses sufragâneas, Campanha e Guaxupé, assumindo as suas histórias. Como Igrejas missionárias precisamos sempre avançar para as águas mais profundas – sem medos – em busca de tantos destinatários do Evangelho. Quero que o meu ministério, nesta região do Sul de Minas chegue às “periferias existenciais e pastorais”, sendo um “serviço à Esperança” neste mundo de tantos desencantos. Peço a oração de todos para que, através do meu pastoreio, seja feita a vontade de Deus nessa Arquidiocese.

A12 - Como a espiritualidade redentorista influenciará no seu episcopado em Pouso Alegre?

Dom Majella - A espiritualidade redentorista é continuar o exemplo de Jesus Cristo Salvador. É ser presença. Por isso que é essencialmente missionária. Desejo seguir o exemplo do Senhor atendendo de modo especial os pobres, os humildes e os sofredores. Almejo continuar empenhando para expressar em minha vida o zelo apostólico de Santo Afonso de Ligório, o fundador da Congregação do Santíssimo Redentor. Tenho consciência de que sou chamado a continuar a presença de Cristo e sua missão de Redenção no mundo, por isso escolhi a pessoa de Cristo como centro de minha vida. É meu desejo ser transparência do Redentor. Assim quero pautar a minha vida de bispo na Arquidiocese de Pouso Alegre. O Papa Francisco, no discurso aos bispos do CELAM, no Rio de Janeiro por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, disse o que deve ser (e não ser) o Bispo: “Ele deve guiar, que não é o mesmo que dominar”. Continuando o pensamento do Papa: “os bispos devem ser Pastores, próximos das pessoas, pais e irmãos, com grande mansidão: pacientes e misericordiosos.” Assim, quero estar atento aos sinais dos tempos, sendo na Arquidiocese um companheiro e ministro de Jesus Cristo na obra da Redenção.

A12 - Como fazer com que as paróquias sejam mais missionárias, como pediu o papa Francisco?​

 

"Acredito que para a paróquia ser mais missionária é preciso que todos, os párocos, os conselhos, os movimentos estejam motivados e conscientes, em sintonia e comunhão".

Dom Majella - Acredito que para a paróquia ser mais missionária é preciso que todos, os párocos, os conselhos, os movimentos estejam motivados e conscientes, em sintonia e comunhão. Como afirma o Papa Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium, “a Paróquia precisa fazer a sua “conversão pastoral e missionária”, para expressar melhor a sua vida e missão nos tempos atuais”. Que os padres tenham claro o que pede a Igreja e que, em sintonia com o presbitério, queiram realmente dar passos decididos. E, é claro, que os leigos, que são a maioria do povo de Deus, também devam ser motivados e formados, comprometidos e unidos. A Igreja missionária deve ser próxima das pessoas, acolhendo a todos com bondade, misericórdia, perdão, acompanhamento, sem exclusão de ninguém.

A12 - A diferença entre o perfil das cidades (Diocese de Jataí/Arquidiocese de Pouso Alegre) muda a receptividade à evangelização?​

Dom Majella - Ainda não conheço a realidade sócio-econômica-eclesial de Pouso Alegre. É fato de que precisamos encontrar caminhos de evangelização que atendam as diversas realidades diocesanas. Certamente encontrarei dificuldades. Mas, almejo olhar as paróquias para conhecer as diferentes realidades, ver quais as atividades, práticas pastorais, iniciativas que favoreçam um encontro pessoal e profundo com Jesus Cristo. Como na região do Sudoeste goiano foi necessário encontrar formas de colocar em prática a ação evangelizadora envolvendo o maior número possível de fieis na nova consciência de Igreja, uma Igreja servidora, aberta, acolhedora, animada e dedicada ao crescimento do Reino de Deus, acredito que também no Sul de Minas não será muito diferente. E, com o bom povo mineiro iremos traçar as propostas e caminhos de ação para que todas as comunidades caminhem juntas.

A12 - O senhor tem algum projeto em vista para a Arquidiocese?

Dom Majella - Continuar caminhando com as resoluções das últimas Assembleias arquidiocesanas, agindo com determinação e entusiasmo. Aqui está a motivação para buscar os meios bem práticos de reforço da estrutura paroquial, de unidade das igrejas em comunidades sólidas, com intensa participação e articulação dos movimentos e pastorais. É isto que nos possibilita ter cristãos mais ativos, preparados, comprometidos e conscientes.

 

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