Por Redação A12 Em Redentoristas

Semana Santa: atuação missionária com indígenas Xacriabá

Este ano deixei Belo Horizonte para viver o tempo da Semana santa junto ao povo indígena Xacriabá. São 32 aldeias que estão localizadas na região Norte de Minas, distante quatorze horas da capital do estado. Atendendo um convite do CIMI (Conselho indígena missionário) fui enviado para a aldeia Catinguinha.

O que fez com que eu fosse até lá?

O abandono gritante daquele povo e a felicidade que sentem com uma simples presença. Sendo Redentorista percebi que era lá o meu lugar. Uma região muito quente e pobre. Distante de tudo, por isso eles não tem acesso a muitas coisas, inclusive alimentação. Linguagem muito primária, muitas vezes dificultando até mesmo a compreensão. Fui com algo bem claro na minha mente: Partia para ser presença. Não ia fazer coisas. Queria escutar a voz de Cristo no povo e poder ser pela vida a voz dele para eles. E como Ele me falou forte!

Semana Santa atuação missionária com indígenas Xacriabá

Tudo muito simples e profundo. Toda noite encontrávamos no terreiro de uma casa para cantar os benditos. Eram crianças, homens, benzedeiras, raizeiros, parteiras que se juntavam para viver o profundo mistério daquele tempo. Cantavam as dores de Cristo misturadas com suas dores. Entoavam alegres benditos que falavam da bondade de Deus. Um encanto de vozes cansadas e sofridas, mas que vibravam. Canto de quem acredita e sente que Deus escuta. A religiosidade popular é o que sustenta a fé daquela aldeia. O ano todo cultivam esse desejo de ficar perto de Deus e trazer Deus para perto deles através de suas orações.

 

"Muitas inquietações surgiram em meu coração durante esses dias com esse povo. Repensei o sentido da consagração e da doação da vida aos pobres. Pensava na vida que precisa ser celebrada antes de ritos". 

Muitas inquietações surgiram em meu coração durante esses dias com esse povo. Repensei o sentido da consagração e da doação da vida aos pobres. Pensava na vida que precisa ser celebrada antes de ritos. Questionava aquele abandono nas diversas áreas: saúde, educação, religiosa, social. Lembrei-me de Afonso junto aos cabreiros e entendi o amor que surgiu no coração dele. O povo conquista nosso coração e nos interpela no sentido mais profundo de nossa consagração religiosa. Agradeci a Deus pela oportunidade de experimentar de forma encarnada o sofrimento. Não resolvi problema da saúde, nem levei alimentos, isso seria também muito bom, mas uma coisa foi valiosa ir ao encontro: como dizia Dona Binú, mulher da casa que me acolheu: “Um irmão com nós é festa, parece que tudo fica melhor; sei muito das coisas não, mas sei que fica diferente... reforça nossa reza! Podia ficar mais com nós...”

Retornei com o coração misturado com dores, saudade e renovação vocacional. Lembrei-me do lema escolhido para minha consagração: “Consagrei-me a Deus para ser de todos. Sou Redentorista para ser dos pobres”. Deixei a aldeia escutando na estrada eles cantando o bendito: “Domingo santo. Ó que dia santo. Foi simbora missionário. Adeus! vai com Nossa Senhora, adeus!”.

 

 

Frater Marcos Silva, C.Ss.R. 
Estudante de Teologia na
Faculdade Jesuíta de Filosofia
e Teologia de Belo Horizonte

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