Anna Muttathupadathu nasceu em 19 de agosto de 1910, na aldeia de Kudamaloor, no distrito de Kottayam, na Índia.
Última dos cinco filhos do casal Joseph Muttathupadathu e Mary Puthukari, Ana nasceu no oitavo mês de gravidez, pois sua mãe teve um grande susto ao acordar e constatar a presença de uma cobra pertinho de sua cintura.
Anna foi batizada oito dias depois, na igreja de Santa Maria em Kudamaloor, de acordo com o rito siro-malabar.
Os cristãos siro-malabares consideram-se herdeiros dos primeiros fiéis convertidos, segundo a tradição, pelo apóstolo São Tomé, na região do Malabar.
Ana foi criada por uma tia materna, pois sua mãe faleceu quando ela contava com apenas três meses de idade.
No entanto, permaneceu muito perto de seu pai, que tentou de todas as formas superar a depressão pela perda da esposa, precedida pela de seu segundo filho. Ensinada por seu pai, Anna aprendeu a rezar de pé, na areia, de braços abertos.
A avó, por outro lado, transmitiu a ela a devoção a São José, que se materializava na participação da missa em todas as quartas-feiras, dia tradicionalmente associado ao santo pai de Jesus. Neste dia, a mulher abria a casa para alguns pobres.
Sua avó também lhe ensinou várias orações e com ela rezava o Rosário todas as noites. Além disso, frequentemente, lia para Anna trechos do livro “História de uma alma” de Santa Teresa do Menino Jesus.
Já com cinco anos de idade, Anna conduzia a oração da noite da família, reunida na “sala de oração” de acordo com o costume siro-malabar.
Em 1917, dia 11 de novembro, recebeu sua primeira comunhão: “Você sabe por que estou feliz hoje? Porque tenho Jesus no meu coração!”, disse ela entusiasticamente aos seus colegas. Em 21 de janeiro de 1925, em Muttuchira, recebeu o sacramento da confirmação.
Ana sentiu-se atraída pela espiritualidade carmelita, mas graças a seu confessor, Padre James Muricken, conheceu a congregação das Clarissas Franciscanas, fundada na Índia no final do século XIX, para servir aos pobres do país.
No dia 1 de agosto de 1926, começou, então, o postulantado, mudando seu nome para Irmã Afonsa da Imaculada Conceição, em homenagem a Santo Afonso Maria de Ligório, lembrado naquela data.
“Fiz minha profissão perpétua em 12 de agosto de 1936 e vim para cá em Bharanganam no dia seguinte. A partir desse momento parece que me foi confiada uma parte da cruz de Cristo. Há muitas oportunidades para sofrer …”.
Irmã Afonsa escreveu isso porque ficou muito doente: primeiro com uma febre tifoide e depois, uma dupla pneumonia. Na noite de 18 de outubro de 1940, um ladrão entrou na casa das religiosas: o pavor da jovem paciente agravou tanto sua condição que, por cerca de um ano, ela não conseguiu nem ler ou escrever.
No entanto, comprometera-se-ia a não deixar que soubessem de seu sofrimento. Algumas irmãs chegaram até mesmo a sentir inveja dos tratamentos que ela recebia, mas Afonsa retribuía tratando-as com extrema caridade.
Em 1945, seu estado de saúde subitamente se deteriorou: foi diagnosticado um câncer, então disseminado por todo o corpo. Além disso, vomitava até quarenta vezes por dia devido a gastroenterites e problemas hepáticos.
No entanto, documentava em seus escritos: “Sinto que o Senhor me destinou a ser uma oblação viva, um sacrifício de sofrimento…”. Sua serenidade era constante, mesmo experimentando terríveis sofrimentos à noite.
Finalmente, depois de uma longa agonia, faleceu pacificamente na noite de 28 de julho de 1946, no convento de Bharanganam. Não havia ainda completado 36 anos.
Os peregrinos que iam todos os anos e ainda vão ao seu túmulo para rezar e implorar graças, eram não apenas católicos, mas também muçulmanos e hindus, foram atraídos pela pureza de sua jovem vida e pelo poder taumatúrgico que dela recebiam.
O bispo de Palai, em 1955, iniciou o processo diocesano de sua beatificação. Em 9 de novembro de 1984, foi declarada venerável e, finalmente, em 8 de fevereiro de 1986, o Papa São João Paulo II a beatificou em Kottayam, na Índia, juntamente com o padre Ciriaco Elia Chavara.
Após a aprovação de um novo milagre por sua intercessão, o Papa Bento XVI a canonizou no dia 12 de outubro de 2008, na Praça de São Pedro, em Roma.
Sua memória é lembrada no dia 28 de julho.
.:: Sato Afonso: padroeiro dos confessores e moralistas ::.
Fonte: Instituto Histórico Redentorista
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