Pensando em formar, treinar e divulgar a técnica agrícola denominada de “agroflorestal”, há cerca de três anos, iniciamos na Fazenda São Benedito, em Perdizes (MG), alguns encontros denominados como ”Placentário”.
Nome estranho esse, não? Pois bem, placentário deriva de placenta. Em práticas agroflorestais, este termo não tem relação direta com a biologia animal, em geral, e a humana, em particular, mas é uma metáfora bastante utilizada por agroflorestores e extensionistas.
Para esses, a placenta funciona como um útero ou berço, um espaço onde se lança mão de um número de espécies vegetais e matéria orgânica em decomposição, visando preparar o terreno para a introdução das espécies que permanecerão no sistema da agrofloresta.
A placenta é formada por espécies que irão ajudar a melhorar a qualidade do solo (como leguminosas, forrageiras) e contribuir para reter a umidade.
As terras degradadas por pastagens muitas vezes apresentam baixa fertilidade, compactação do solo e redução da biodiversidade.
A implementação de Agroflorestas, ou Sistemas Agroflorestais (SAF’s), como preferem alguns, contribui de maneira significativa para promover a regeneração do solo, a recuperação da biodiversidade, o aumento e melhoria da água, a produção de alimentos e a segurança alimentar.
Isso se faz através do plantio de espécies vegetais, de preferência as endógenas, priorizando a densidade, diversidade e estratificação dessas mesmas espécies, sejam elas de serviço ou de interesse.
.:: COP 30 e a responsabilidade pela Casa Comum ::.
Há resultados comprovados de que a implantação de agroflorestas “trazem inúmeros benefícios para o ambiente natural e social ao proporcionar a evolução na fertilidade, biodiversidade e estrutura dos solos, (...)”. (cf. a obra Agroflorestando o mundo: do facão ao trator”).
A terceira edição do Placentário ocorreu nos dias 16, 17 e 18 de outubro. Ao longo de três dias, os participantes puderam experimentar as técnicas agroflorestais.
Estes eventos atuam em sintonia com o que preconiza a Carta Encíclica Laudato Si, documento lançado pelo Papa Francisco, onde há uma preocupação com a nossa Casa Comum, o Planeta Terra.
E também atende a uma das preocupações da COP 30: o restabelecimento das áreas de florestas que foram dizimadas ao longo de séculos de ocupação branca em nosso país.
Em 2026, pretendemos continuar oferecendo o evento às pessoas que desejam aprender a implantar e manter um sistema agroflorestal.
Membro da UNESER, José Carlos Leite
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