Por Redentoristas Em Notícias Atualizada em 12 AGO 2019 - 11H42

Vocação Sacerdotal: “Que ele cresça e eu diminua” Jo 3, 22-30

O ser humano foi criado para a comunhão com os outros seres, principalmente com os seus iguais (homens e mulheres). É um ser social, dependente da interação desde o nascimento até o término de sua existência terrena. Como consequência, todo homem e mulher só estão completos quando são com o outro e para o outro. Sair de si e ir ao encontro é uma trajetória que deve ser constante na vida das pessoas.

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A vocação sacerdotal implica estar totalmente disponível para a missão a ser executada.


É neste contexto que surge a vocação, "um tesouro escondido, uma pérola preciosa", que quando encontrada proporciona às pessoas a plena realização de si e a satisfação da necessidade existencial do outro. Com outras palavras, é um ouro que quando purificado traz beleza e suntuosidade para quem o encontra.

Quem quer possuir um tesouro escondido precisa procurá-lo. A caminhada vocacional é uma trajetória que se inicia a partir de um sentimento de convocação, um tanto nebulosa no início (Samuel) mas que aos poucos vai se clareando e deixando transparecer os elementos que a compõem: quem chama, porque chama e para que está chamando. Trata-se de um processo que exige um envolvimento progressivo de quem se sente convocado. Como todo tesouro escondido, também a vocação surpreende positivamente. A medida em que os elementos aparecem trazem com eles a beleza e a força encantadora que fazem com que a pessoa envolvida seja capaz de desprezar qualquer outra formosura para aderir à proposta feita.

:: Ser padre, vocação para servir
:: Dom Vilson: Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional

Dentre os muitos tesouros escondidos nos corações dos homens de boa vontade está a vocação sacerdotal, uma pérola preciosa que muitos procuram, mas poucos conseguem encontrá-la. Isto porque não se trata apenas do querer humano, mas da graça divina que é dada conforme a vontade do Criador e Senhor de todas as coisas. Ele chama quem Ele quer, quando quer e do jeito que melhor lhe convier; Ele não “chama os capacitados, mas capacita os escolhidos”. Este dito popular revela bem o quanto a vocação sacerdotal é como um tesouro guardado em milhões de pequenos frascos escondidos nos lugares mais improváveis: pequenos vilarejos, favelas, famílias pobres, etc. É ali, de onde menos se espera que Deus faz surgir as pérolas que serão lapidadas nos Seminários e Institutos de Filosofia e Teologia, para servir ao povo nas coisas que se referem à fé e à prática da religião.

Contudo, Aquele que chama não impõe sua vontade, mas propõe o seu querer. Por isso, como toda vocação também a sacerdotal se completa com a resposta humana; a iniciativa parte de Deus, mas se conclui com a adesão de quem é chamado. Ser sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquizedec é a tarefa para qual os que aceitam a proposta divina devem estar preparados. Portanto, a vocação sacerdotal implica estar totalmente disponível para a missão a ser executada. É para sempre.

Leia MaisVocação Humana: “Antes de nascer, te conheci” (Jr 1, 4-19)Vocação Cristã: “Deixe tudo para me seguir” Mc 10, 17-30Vocação Matrimonial: “Não são dois, mas uma só carne” Mc 10, 2-11Vocação Religiosa: “Ide e fazei discípulos por todas as nações” (Mt 28,16-20)Vocação de Maria e Ministérios: “Feliz aquela que confiou” (Lc 1, 39-45)Vocação: tesouro escondido, pérola encontrada!O sacramento da ordem e a unção recebidos pelos sacerdotes infundem neles uma realidade que vai muito além da matéria. É pela força do Espírito Santo que são ordenados e ungidos, não se trata de um poder humano que lhes é passado, mas de uma força divina que lhes torna capazes de perdoar os pecados dos penitentes, ungir enfermos para recuperarem a saúde física, celebrar Eucaristia em favor do povo de Deus. Estas ações/tarefas sacerdotais são pérolas escondidas no tesouro da vocação sacerdotal. Apenas aqueles que recebem a ordenação presbiteral/sacerdotal são “capacitados” para executá-las.

Contudo, é preciso dizer que este tesouro é colocado em vasos de barro. Embora escolhidos, ordenados e ungidos os sacerdotes continuam sendo pessoas humanas, fracas e vulneráveis como todos os seus iguais; santos e pecadores participantes da história do povo de Deus caminhando rumo ao céu. Entretanto, para eles vale o ditado: “a quem muito foi dado, muito será cobrado”. Todo sacerdote precisa ter consciência de que a missão não é sua, mas do Pai que o escolheu, ordenou, ungiu e enviou para cuidar do seu povo. Imitando o exemplo de Jesus que “passou fazendo o bem”, “que não se apegou o ser igual a Deus”, que “lavou os pés dos discípulos”, também àqueles a quem é oferecido o tesouro da vocação sacerdotal devem dizer sempre “é preciso que Ele cresça e eu diminua”. É necessário saber que se é apenas o vaso onde as pérolas são guardadas, apenas o local onde o tesouro foi depositado.

A ordenação e a unção recebidas impõem sobre os sacerdotes uma obrigação de estar sempre à disposição para servir ao povo de Deus nas coisas que se referem à fé e à prática da religião; exigem deles um desprendimento das coisas materiais (acúmulo de bens, exercício de cargos de destaque, honrarias, condecorações, carreirismos, etc.) e um imenso espírito de fraternidade e solidariedade para com os mais necessitados: “tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos é a mim que o fareis”.

Por trazer o tesouro da vocação sacerdotal em vasos de barro, os sacerdotes precisam da amizade, da solidariedade, da compreensão e da oração do povo. “O que segura o padre no altar é a oração do povo”. A mesma comunidade que se beneficia do serviço prestado pelo sacerdote precisa cuidar dele para que este tesouro não seja consumido pelas traças do uso do poder em benefício próprio, pela ferrugem da acomodação no exercício do seu ministério, para que não seja roubado pelos ladrões que querem desviar o sacerdote de sua função religiosa e atribuir-lhe outras atividades que não dependem do sacramento da ordem e da unção. “É preciso que Ele cresça e eu diminua”, esta deve ser a verdade que guie o exercício do ministério sacerdotal. “Sou apenas um servo inútil pois fiz apenas o que deveria ter feito”, este deve ser o pensamento do sacerdote no final de um dia cansativo e estressante.

Pe. João Batista de Almeida, C.Ss.R.
Missionário Redentorista

Para refletir:

1) O que fazer para se tornar mais disponível às necessidades do outro? Me preocupo em me fazer próximo dos que mais necessitam de minha presença sacerdotal?

2) A Vocação Sacerdotal não confere poder e status. O Padre age por força do Espírito Santo. Estou ciente de que ser padre é ser instrumento da ação de Deus para servir seu povo e não para ser servido?

3) Jesus passou pelo mundo fazendo o bem, nos ensinou a servir e sempre esteve atento aos mais pobres e abandonados. Ele nos ensinou que é sendo pequeno que nos tornamos grandes. Como vencer o orgulho pessoal para servir melhor?


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