Por José Eymard Em Notícias Atualizada em 12 AGO 2019 - 11H15

Vocação Cristã: “Deixe tudo para me seguir” Mc 10, 17-30

No dia do nosso batismo, o celebrante perguntou aos nossos pais: “qual nome vocês escolheram para seu filho?” Fomos apresentados e acolhidos pelo nome. A Igreja militante recebeu não somente “mais um” membro, mas “o” João, “a” Maria, recebeu você, obra única e perfeita de Deus. Pelo sacramento, nos tornamos participantes da família do Senhor e o nosso coração foi aberto para receber a Palavra e vivê-la com alegria.

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Pelo batismo recebemos a vocação cristã e também uma específica.


Pelo batismo, recebemos a vocação cristã e também uma específica, que é discernida ao longo da vida (matrimonial, religiosa, sacerdotal...). Mas a base de qualquer vocação é o seguimento de Jesus Cristo. Ele é o modelo perfeito a ser seguido. A intenção de cada cristão é assemelhar-se a Ele. Quando olhamos a vida dos santos e nos admiramos com as virtudes que praticaram, na realidade estamos olhando o próprio Jesus, que foi inspiração para os bem-aventurados. Alguns santos desejavam tanto se assemelhar a Jesus que chegaram a receber os estigmas: Santa Rita na testa, Padre Pio e São Francisco nas mãos e tantos mártires. O batizado tem essa missão: ser imitador de Jesus Cristo.

A primeira atitude da imitação cristã é se esvaziar, como o próprio Jesus fez. Sendo Deus, despojou-se de si, se fez pequeno e empobrecido para nos engradecer e nos enriquecer (Cf. 2Cor 8,9). O despojamento foi a maior dificuldade daquele homem rico do evangelho narrado por Marcos:

Quando ele se pôs a caminho, alguém correu a seu encontro e, ajoelhando-se diante dele, perguntou-lhe: “Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?” Disse-lhe Jesus: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão Deus somente. Conheces os mandamentos: Não matar, não cometer adultério, não furtar, não levantar falso testemunho, não prejudicar ninguém, honrar pai e mãe”. Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde minha juventude”. Jesus olhou para ele com amor e disse-lhe: “Falta-te apenas uma coisa: Vai, vende tudo o que tens e dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Ao ouvir estas palavras, ficou abatido e retirou-se triste, porque era muito rico. (Mc 10,17-22).

Leia MaisVocação Humana: “Antes de nascer, te conheci” (Jr 1, 4-19)Vocação Matrimonial: “Não são dois, mas uma só carne” Mc 10, 2-11Vocação Sacerdotal: “Que ele cresça e eu diminua” Jo 3, 22-30Vocação Religiosa: “Ide e fazei discípulos por todas as nações” (Mt 28,16-20)Vocação de Maria e Ministérios: “Feliz aquela que confiou” (Lc 1, 39-45)Vocação: tesouro escondido, pérola encontrada!O homem rico retirou-se entristecido da presença de Jesus, pois não foi capaz de renunciar a si mesmo e as suas riquezas para partir ao encontro do “tesouro escondido.” O gesto de Jesus é muito sensível. O evangelista nos conta que Ele olhou com amor para aquele homem. Um olhar misericordioso, que não condena e que nada impõe. Mas mesmo diante da suavidade de Jesus, o homem rico não se esvaziou e entrou em conflito consigo mesmo. Ali se tornara um grande miserável, pois não tinha a certeza da melhor herança: o céu.

Com esse mesmo olhar, Jesus se volta a cada batizado. A pergunta que nos faz, também causa em nós um conflito interior. É possível renunciar aos caprichos e vaidades para encontrar o “tesouro escondido”? A resposta não pode ser da boca pra fora, porque quem faz a pergunta conhece o nosso coração. Se a resposta é negativa, não há motivos para desespero. É feliz quem se reconhece limitado, porque dá o primeiro passo para se libertar da vaidade e abrir o coração para a mudança.

Quando se fala em mudança, há uma vocação que precisou arrancar de si o jeito de “homem velho” e renascer pela força da ressurreição. Refiro-me a São Pedro. Negou Jesus, negou o grupo dos apóstolos e negou a sua própria essência (Cf. Lc 22,54-62). Mas, diante da presença do Senhor ressuscitado, renasceu para, com total doação, edificar a Igreja. Pedro não só encontrou o “tesouro escondido”, mas foi capaz de revelar o mapa deste tesouro para multidões. Lemos nos Atos dos Apóstolos que: “crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles.” (At 5,14-15).

A vocação cristã nos pede essa mesma transformação à qual São Pedro passou. O batizado deve sair de si mesmo e se tornar outro Cristo, sendo sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16). Mas, para isso, é preciso ver e experimentar (Jo 1,39). É impossível amar sem conhecer. O próprio Jesus repete o convite que fez aos primeiros seguidores: “vinde e vede.” Após renunciar a si mesmo, é necessário ao cristão aprofundar no conhecimento de Jesus. Só fala com autoridade daquilo que se conhece e experimenta. O cristão precisa beber da fonte da qual provém todo amor, paz e que permite a ele um autoconhecimento. Jesus é a fonte que sacia qualquer sede (Cf. Jo 4, 1-29). Assim, o conhecimento nos leva a uma verdadeira conversão.

Após renunciar a si mesmo, se tornar outro Cristo e experimentar a verdadeira conversão, o cristão precisa ser pregoeiro da Palavra. O Papa Francisco, em sua mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, disse que os batizados têm a missão de contribuir para o crescimento do Reino de Deus na sociedade: “Penso na opção de se casar em Cristo e formar uma família, bem como nas outras vocações ligadas ao mundo do trabalho e das profissões, no compromisso no campo da caridade e da solidariedade, nas responsabilidades sociais e políticas, etc. Trata-se de vocações que nos tornam portadores de uma promessa de bem, amor e justiça, não só para nós mesmos, mas também para os contextos sociais e culturais onde vivemos, que precisam de cristãos corajosos e testemunhas autênticas do Reino de Deus.”

Por fim, ao cristão que deseja vivacidade em sua vocação, é indispensável seguir os conselhos da Virgem Maria, a primeira cristã. Nossa Senhora nos aponta a direção correta, nos iluminando a fazer tudo o que Jesus nos pedir (Cf. Jo 2,5). Peçamos à Mãe, que nos foi dada na hora da Paixão, o auxílio necessário para vivermos com fidelidade e generosidade a vocação cristã. Busquemos ao lado d’Ela o “tesouro escondido”, que nos garante a felicidade perpétua.

José Eymard Miranda Leite Sobrinho
Seminarista da Arquidiocese de Aparecida

Para refletir:

1) Reconheço e tenho vivido a importância do meu batismo e da Vocação Cristã?
2) Consigo renunciar a mim mesmo para me tornar outro Cristo, deixando tudo para seguí-Lo?
3) De qual maneira vivo minha Vocação Cristã na comunidade e na sociedade?


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