No domingo do Dia dos Pais, dia 9 de agosto, a missa celebrada às 8h, no Altar Central do Santuário Nacional foi dedicada a eles e ao início da Semana Nacional da Família.
Durante toda a semana, os devotos foram incentivados a enviarem suas intenções de oração pelos pais vivos e falecidos. Os pedidos foram apresentados ao Altar Central durante a celebração.
Na homilia, o presidente da celebração, o arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antonio da Silva, falou sobre a confiança em Deus. O bispo relacionou as leituras com os desafios presentes na vida cotidiana.
Ao comentar o encontro do profeta Elias com Deus (1 Rs 19, 9a.11-13ª) retratado na Primeira Leitura, o arcebispo destacou a presença divina nas situações simples da vida.
Dom Mário recordou que Elias precisou se retirar para uma gruta para encontrar-se com Deus, assim como os devotos fazem na Casa da Mãe. A passagem bíblica apresenta vento, terremoto e fogo. Deus, porém, se manifesta na brisa mansa.
“Além da confiança em Deus, esse texto quer nos ensinar que Ele vem até nós no cotidiano da nossa vida, nas coisas mais simples e silenciosas de cada dia. No domingo, mas também na segunda, terça, na semana inteira. Nem sempre vamos encontrar Deus no extraordinário e nem Ele é das coisas mirabolantes, mas na confiança de que estar aqui no Santuário nos reforce esse encontro com Deus.”
O arcebispo também mencionou pessoas que sofrem por causa de fenômenos naturais. A reflexão ressaltou que Deus não está associado à destruição e à morte.
O Evangelho (Mt 14, 22-33) narra Jesus caminhando sobre as águas. O episódio ocorre depois da multiplicação dos pães.
Jesus envia os discípulos para a outra margem do lago. Durante a travessia, eles enfrentam uma tempestade. Dom Mário relacionou a passagem com os momentos de dificuldade enfrentados pelas pessoas.
“Jesus manda os discípulos irem para outra margem do lago. Os discípulos pensaram ‘mas estava tão boa essa margem!’. É o mesmo que Jesus vem dizer para vocês ‘está bom aqui no Santuário com sua romaria? Mas vai para a outra margem, volta para sua comunidade, vai para sua paróquia’. Os discípulos foram para um local de missão e desafios, como se não bastasse tudo isso, a tempestade durante a noite. Por isso o Evangelho também relata o itinerário da nossa vida, com tempestades, ondas contrárias, e quantas!”
Na passagem, Pedro pede para ir ao encontro de Jesus sobre as águas. Ele começa a caminhar, mas sente o vento e fica com medo.
O apóstolo então pede socorro a Jesus. Para Dom Mário, que ajoelhou no altar exemplificando o afundar de Pedro, diz que esse momento também aponta para a necessidade de ajudar quem enfrenta dificuldades.
“Você já sentiu isso? Já se sentiu afundando algumas vezes? Quem de nós já não passou por isso? E o que diz Pedro para Jesus: ‘Senhor, salva-me’. E Jesus salvou? Salvou. Eu fico pensando assim: Jesus nos dá exemplo de quando a gente vê alguém que está afundando, de pedir ajuda a Ele, e quando a gente vê alguém afundando vai acabar de afundar? Não, vamos estender a mão.”
E explicou o cuidado de Jesus a quem sente que está “afundando”:
“Jesus nos pega pela mão, Jesus nos devolve ao barco e nos dá coragem para que possamos seguir a viagem de discípulos missionários.”
Na sequência, Dom Mário recordou a história do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida pelos três pescadores no Rio Paraíba do Sul. Ele relacionou o episódio ao relato de Pedro e às profundezas das águas.
“De profundeza e superfície, a Mãe Aparecida entende muito bem e Ela também quer o nosso resgate através de seu filho Jesus, Dla quer que a gente volte a barca. Se alguém está fora da barca, fora da harmonia da família, fora da comunhão eclesial, a Mãe Aparecida dá uma ajuda de estender a mão para o seu filho Jesus para nos integrar a barca, a comunidade, a igreja.”
Durante a homilia, Dom Mário Antonio também dirigiu uma mensagem aos pais. Ele destacou a presença paterna na família e na formação dos filhos.
“Nesse Dia dos Pais quero deixar uma palavra de gratidão a todos os pais. Ser pai é muito mais que gerar uma vida, é estar presente, cuidar, orientar, corrigir com amor, incentivar, proteger e sobretudo ensinar pelo exemplo.”
O arcebispo relacionou a missão dos pais à vida familiar e à fé.
“A palavra de Deus nos recorda ‘eu e minha casa serviremos ao Senhor’ (Js 24,15), essa é uma bonita expressão da missão do pai, ajudar sua família a encontra em deus o caminho da vida, da fé e do amor.”
Dom Mário também falou sobre a presença dos pais na Igreja e na sociedade. Segundo ele, a missão paterna envolve a construção da comunidade.
“A missão do pai não termina dentro de casa. Na família, na igreja e na sociedade, o pai é chamado a ser construtor de comunidade, promovendo uma cultura de paz, diálogo e proximidade.”
Dom Mário pediu atenção especial aos pais idosos e enfermos. Ele também recordou aqueles que enfrentam dificuldades. Ao final, o bispo confiou os pais à intercessão de São José.
“Que São José, pai do Menino Jesus, trabalhador e silencioso, inspire cada pai para viver sua missão com ternura, responsabilidade, sabedoria e fé.”
A celebração terminou com uma mensagem aos pais e às famílias e citou seu pai, Francisco Lucídio da Silva
“Feliz Dia dos Pais, que Deus abençoe todos os pais e suas famílias e faça de cada pai, inclusive o meu, um testemunho vivo do Evangelho da paternidade de vida”.
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