Por Flávia Gabriela Em Notícias Atualizada em 18 MAR 2019 - 10H38

Milhares de peregrinos celebram Nossa Senhora de Fátima

Milhares de peregrinos participaram nesta quarta-feira, 13 de maio, da Festa de Nossa Senhora de Fátima em seu Santuário em Portugal.

A celebração foi presidida pelo Cardeal Arcebispo de Aparecida Dom Raymundo Damasceno Assis e concelebrada pelo bispo auxiliar de Aparecida Dom Darci José, o bispo de Leiria e Fátima, Dom Antônio Marto; o reitor do Santuário de Fátima padre Carlos Cabecinhas, e o reitor do Santuário de Aparecida, padre João Batista de Almeida.

 

Entre os peregrinos estava o grupo de 400 brasileiros que vieram de Aparecida para a entronização da Imagem de Nossa Senhora Aparecida no Santuário de Fátima.

A entronização aconteceu nesse dia 12, terça-feira, e a Imagem foi colocada em um trono, na Capela das Aparições.

Segundo a assessoria de imprensa do Santuário de Fátima, cerca de 210 mil peregrinos de 30 países participaram da missa. No final da celebração, a Imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima foi enviada às dioceses de Portugal para uma visita, o que deve durar um ano.

A peregrinação faz parte das comemorações do centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos, que será comemorado em 2017, com a possível presença do papa Francisco.

As comemorações em Fátima acontecem em união com o Santuário Nacional de Aparecida, que em 2017 celebra os 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora nas águas do Rio Paraíba do Sul.

Abaixo a homilia de Dom Damasceno na missa desta quarta-feira na íntegra.

 É grande alegria para mim tomar parte nessa Peregrinação  ao Santuário de Fátima. Esta peregrinação se insere dentro do espírito da longa preparação espiritual e pastoral, em comemoração ao  centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, que se celebrará em 2017.

 Este ano, como bem sabeis, o tema é: “santificados em Cristo”, e o tema do mês é: “a Mãe de Jesus”. Trata-se de uma contemplação do mistério de Deus, o Santo por antonomásia, Aquele a quem, no céu, os Querubins cantam, com vozes incessantes; Aquele a quem a Igreja, unindo-se à liturgia celeste, também não se cansa de cantar. A Igreja, que se reconhece como a comunhão dos Santos, sabe que vive da Santidade de Deus e, por isso, se reconhece chamada a crescer continuamente na santidade.

Estão unidos, por especiais vínculos de fraternidade, esta querida pátria Lusitana e o Brasil, Terra de Santa Cruz. Sem dúvida, o vínculo mais forte, é a fé católica. Mais forte, ousaria dizer, do que a língua comum, que nos permite comunicar-nos com  facilidade. E, no âmbito da fé que nos une, destaca-se sem sombra de dúvida, o amor filial e a devoção à Virgem Santa Maria. Os anos 17 do século XVII e XX são marcados por especiais eventos marianos, lá e aqui. Lá no Brasil, em 1717, o encontro extraordinário da imagem milagrosa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Aqui em Portugal, em 2017, a milagrosa aparição de Nossa Senhora aos três pastorzinhos: Lúcia, Jacinta e Francisco. Os detalhes das devoções que se formam são diferentes, aqui e lá, mas é comum o rico e profundo ambiente de oração que se cultiva e cresce.

Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegrará no meu Deus” (Is 61,10). Ouvimos estas palavras na primeira leitura da Santa Missa de hoje. Com elas se inicia o cântico da Bem-aventurada Virgem Maria, o Magnificat, que a Igreja repete todos os dias na celebração das Vésperas. Com estas mesmas palavras quero começar esta homilia, pois elas representam verdadeiramente nossos sentimentos neste momento. É grande a alegria que senti de poder vir acompanhando a Venerada Imagem da amada Rainha e Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, que foi ontem, solenemente, entronizada aqui em Fátima. Deste modo,  se manifesta ainda mais claramente os vínculos que unem o Brasil e Portugal: são vínculos de fé católica e de verdadeira devoção à Virgem Santa Maria.

O Santo Evangelho, hoje, nos apresentou um episódio um pouco enigmático ocorrido durante a vida pública de Nosso Senhor. Uma bela exclamação é feita por alguém, do meio da multidão: “feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. Palavras verdadeiras. O próprio Arcanjo Gabriel declarou feliz a Santa Virgem, dizendo-lhe: “Alegra-te, cheia de graça”. Santa Isabel também já o tinha dito, quando saudou Aquela que lhe visitava: “Bendita és tu entre as mulheres”. A condição de Mãe do Filho de Deus feito homem é realmente uma grande felicidade para Maria, e trouxe a felicidade da salvação para toda a humanidade.

Mas Jesus responde a essa exclamação com uma frase ainda mais bela: “Felizes, sobretudo, os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. Não nega que para Nossa Senhora tenha sido uma grande alegria ser sua Mãe. Aprofunda o tema da alegria, e indica-lhe um elemento ainda mais profundo: a fé. Ser a serva do Senhor, ouvir a Palavra de Deus e guardá-la no coração conferem-lhe uma dignidade que ultrapassa a geração física do Verbo de Deus. O quanto isto é verdadeiro, podemos ver na cena da Virgem de pé, junto à Cruz de seu Filho que morria. Ali ela fez o sacrifício de sua maternidade. A mãe que vê morrer o filho e se associa à entrega que Ele faz de si mesmo ao Pai, pela salvação da humanidade. E nesse sacrifício de aceitação da vontade de Deus, ao  mesmo  tempo  que sacrifica sua maternidade, tem essa mesma maternidade ampliada, recebe a mesma amplitude da Redenção realizada por seu Filho: torna-se a mãe de todos os fiéis. Pedindo-lhe um sacrifício, Deus lhe concede uma graça ainda maior.

O que há de enigmático na cena evangélica se desfaz quando se considera em profundidade o significado das palavras que aí são ditas. Aquela pessoa do meio da multidão pensa em uma alegria tão natural – a de ter um filho assim tão bom e sábio. Jesus pensa em uma alegria maior e mais profunda, uma alegria espiritual: escutar a Palavra de Deus e guarda-la no coração. O Evangelista S. Lucas, desde o início de seu Evangelho, tem o cuidado de indicar a Virgem Maria como a “serva do Senhor”, que escuta e guarda sua Palavra. Maria encontra na Palavra de Deus a alegria espiritual, e esta alegria é completa, pois Ele é a Palavra de Deus feita carne.

A Santíssima Virgem estava habituada a encontrar a alegria espiritual na adesão à vontade de Deus. Por isso pode, diante da Cruz, oferecer com Jesus o seu sacrifício e encontrar com Jesus uma vida nova, a vida da ressurreição.

Os acontecimentos que aqui se deram ao longo de 1917, quando o mundo assistia às atrocidades da Primeira Guerra Mundial, chamam à atenção ao um coração humano, o Imaculado Coração de Maria. É do coração humano que brotam todas as atrocidades. É também de um coração humano, todo ele transfigurado pela graça de Deus, que brota a paz. O lugar onde os mistérios de Cristo eram meditados e compreendidos com fé pura e simples é de onde brota a paz. “Maria conservava todas estas coisas em seu coração” (Lc 2, 19.51). O Imaculado Coração de Maria é o lugar onde a Palavra de Deus foi acolhida em plenitude. Por isso, o ventre imaculado de Maria é o lugar onde a “Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós”.

O hino da Carta aos Efésios, proclamado como segunda leitura de hoje, mostra como S. Paulo é cheio de admiração pela generosidade de Deus, pelo esplendor da graça de Deus. Em Cristo Ele “nos abençoou com toda bênção espiritual” (1,3), com a finalidade de que sejamos “santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (v. 4). Este é o desígnio de Deus, é seu projeto e sua vontade. Para isso nos adotou como filhos e filhas, por isso nos deu o perdão dos pecados e derramou com imensa generosidade sobre nós as suas graças.

Unamo-nos, com todo o coração, ao hino de ação de graças do Apóstolo Paulo.  Somos o povo para com o qual Deus usou de misericórdia e concedeu tanta riqueza de graças. O Senhor nos conceda ainda a graça de saber reconhecer quais são as maiores alegrias, de desapegar-nos das alegrias naturais, sem desprezá-las, porque também elas são dons de Deus. Assim saberemos procurar e encontrar a alegria maior à qual ele nos chama: “Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. Em Jesus Cristo somos “herdeiros predestinados” à alegria que não conhece ocaso.

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida, SP

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