A Festa da Padroeira 2026 terminou nesta segunda-feira (12), no Santuário Nacional de Aparecida (SP), com um convite à reflexão sobre a fé, a devoção mariana e o compromisso cristão. A Missa de Encerramento da Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi presidida pelo Pe. Marlos Aurélio da Silva, C.Ss.R., superior provincial da Província Nossa Senhora Aparecida, no Altar Central.
A Eucaristia reuniu o reitor do Santuário Nacional, Pe. Eduardo Catalfo, C.Ss.R., o administrador-ecônomo, Pe. Fábio Evaristo, C.Ss.R., o ecônomo adjunto, Pe. Adam Rapala, C.Ss.R., além de missionários redentoristas, padres da Arquidiocese de Aparecida, sacerdotes visitantes e religiosos. O Coral do Santuário Nacional e a Orquestra PEMSA acompanharam a liturgia.
Antes da entronização da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, o Pe. Mauro Vilela, C.Ss.R., animador da celebração, recordou a importância da perseverança na missão cristã. “Para semear um jardim é preciso paciência e perseverança”, afirmou.
A reflexão ganhou forma durante a apresentação do projeto Semear a Palavra, da Família dos Devotos. A proposta foi representada por uma encenação que associou o cultivo da terra à acolhida da Palavra de Deus no coração das pessoas.
No altar, uma mulher representou Maria e fez um chamado. Em seguida, os participantes se aproximaram e receberam pequenos sacos com sementes. Ao cantar em coro, o povo assumiu o convite à semeadura.
Com as sementes nas mãos, os fiéis se abaixaram para semear o chão. Depois, caminharam em direção à Imagem de Nossa Senhora Aparecida, conduzida em seu carro andor.
A encenação também apresentou Jesus semeando a terra sobre o carro andor. A Imagem de Nossa Senhora Aparecida surgiu como a flor mais bela do jardim de Deus.
Atrás do carro, um grande bandeirão com o que será a arte do teto das naves do Santuário, feita por Claudio Pastro, foi estendido sobre os fiéis.
Na homilia, o Pe. Marlos Aurélio explicou que os três Ms foram escolhidos a partir da letra inicial do nome de Maria. Para ele, a Mãe de Jesus conduz os fiéis ao encontro com seu Filho, centro da vida cristã.
O “primeiro M” foi o Magnificat, o cântico de louvor de Maria pelas maravilhas realizadas por Deus em sua vida. O sacerdote relacionou essa atitude de reconhecimento à capacidade de identificar sinais positivos na história da humanidade, mesmo diante de guerras, genocídios e contradições.
Ele também destacou os avanços conquistados por meio da ciência, dos estudos e do trabalho de pessoas comprometidas com o bem comum, independentemente de professarem uma religião.
Ao aproximar essa reflexão da Festa da Padroeira, o religioso ressaltou a força da devoção a Nossa Senhora Aparecida para a vivência da esperança no Brasil.
“E nós podemos dizer que, se o Brasil ainda é católico, é graças à devoção a Nossa Senhora. Ela continua sendo nossa Mãe e Padroeira, dando alento, dando motivação para seguirmos em frente em nossa caminhada, com a nossa esperança.”
Segundo os dados apresentados durante a celebração, o Santuário Nacional recebeu 175 mil devotos no dia 12 de outubro. A presença dos fiéis foi destacada pelo sacerdote como expressão da fé e da devoção à Padroeira do Brasil.
O “segundo M” apresentado pelo missionário redentorista foi a maturidade. O sacerdote retomou o tema da Novena e da Festa da Padroeira para reforçar que a devoção a Maria precisa estar fundamentada na Palavra de Deus.
Ele alertou para o risco de uma vivência religiosa reduzida a gestos exteriores ou à superstição. A motivação, segundo a homilia, é cultivar uma fé esclarecida, capaz de orientar escolhas e comprometer os cristãos com o Reino de Deus.
“Não se esqueçam: estamos no mês de outubro, mês missionário. Há a insistência dos papas, dos bispos, para que sejamos cada vez mais uma igreja comprometida, missionária, discípula de Jesus Cristo, e é isso que alegra o coração de Nossa Senhora, Ela que acolheu o Verbo de Deus em seu coração, mas que também praticou a vontade de Deus em sua vida. Por isso, Ela quer também que nós estejamos vivenciando uma fé adulta, madura, comprometida com os nossos irmãos e irmãs”.
O sacerdote também relacionou a maturidade da fé à solidariedade. Ao recordar a primeira leitura, do Livro de Ester (Est 5,1b-2;7,2b-3), ressaltou a importância da intercessão em favor do povo, sobretudo das pessoas em situação de sofrimento e vulnerabilidade.
A exemplo de Maria, os cristãos são chamados a acolher a Palavra e colocá-la em prática. Essa vivência envolve o compromisso com o próximo e a participação ativa na missão da Igreja.
O “terceiro M” foi a memória. Na reflexão, o Pe. Marlos destacou a importância de recordar as ações de Deus ao longo da história pessoal, familiar e comunitária.
“É importante recordar, e recordar é fazer passar pelo coração, os feitos de Deus a nosso favor.”
O sacerdote explicou que a memória cristã ajuda a reconhecer a presença de Deus mesmo nos períodos de dificuldade. Para ilustrar essa relação, utilizou a expressão “teografia”, que descreve a história construída por Deus junto de cada pessoa.
Essa trajetória, segundo ele, não está livre de desafios. Ainda assim, a fé permite reconhecer a graça e a presença divina nas experiências cotidianas.
A reflexão também retomou o Magnificat, no qual Maria reconhece que as gerações futuras a proclamariam bem-aventurada. O sacerdote relacionou essa passagem à responsabilidade de transmitir a devoção mariana às próximas gerações.
“Nós somos privilegiados porque somos da geração dos que proclamam as maravilhas de Deus na vida de Maria, mas não queremos que isso termine na nossa geração, queremos que Nossa Senhora continue sendo proclamada bem-aventurada, queremos que Maria continue sendo a Padroeira, sim, do Brasil, porque Ela ama, é a mãe dos católicos e dos não católicos.”
O Pe. Marlos também recordou o episódio das bodas de Caná, narrado no Evangelho de João (Jo 2,1-11). Na passagem, Jesus transforma água em vinho a pedido de sua mãe.
O sacerdote utilizou essa passagem para falar da esperança na transformação das realidades marcadas por dificuldades. A fé em Cristo e a devoção a Maria inspiram a construção de relações fraternas e de um mundo mais justo.
Ao abordar a memória histórica, o religioso ressaltou que a fé não deve apagar os acontecimentos do passado. Recordar permite compreender a caminhada e avançar sem abandonar os aprendizados da história.
Na homilia, ele também citou o Documento de Aparecida: “Os pobres encontram a ternura e o amor de Deus no rosto de Maria; nela vem refletida a mensagem essencial do Evangelho”.
A reflexão terminou com uma invocação à Padroeira: “Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós”.
A celebração também contou com a bênção e a entronização dos Livros dos Devotos. Os três volumes reúnem os nomes daqueles que integram a Família dos Devotos e contribuem para a manutenção da missão evangelizadora do Santuário Nacional.
Durante o rito, os livros foram apresentados como sinal de comunhão, fé e gratidão. Eles também recordam a participação dos devotos na história da Casa da Mãe Aparecida.
A homenagem destacou a contribuição da Família dos Devotos para a conclusão da quarta e última fachada da Jornada Bíblica. Com o projeto, a Palavra de Deus ganhou novas representações artísticas na arquitetura do Santuário.
Os volumes foram colocados sob o Altar Central, diante de Deus e de Nossa Senhora Aparecida. A bênção foi realizada pelo Pe. Fábio Evaristo, C.Ss.R.
Ao final da Missa de Encerramento, o Pe. Marlos Aurélio pediu orações pela saúde do Papa Leão XIV. Na ocasião, o sacerdote mencionou a internação prevista para o dia seguinte, 13 de outubro, para a retirada de um nódulo no pulmão.
Logo após a missa, os fiéis foram convidados a participar da tradicional procissão solene, que percorre o Santuário Nacional até a Tribuna Bento XVI. O dia de Nossa Senhora Aparecida encerra com um show pirotécnico.
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