O Santuário Nacional comemora os 135 anos da Rerum Novarum e os Direitos da Pessoa Trabalhadora, encíclica escrita pelo Papa Leão XIII, documento que é um marco na história da Igreja Católica e deu origem à Doutrina Social da Igreja, nesta sexta-feira (15).
A Casa da Mãe Aparecida foi o local escolhido para um seminário em parceria com o Santuário Nacional organizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região de Campinas, que comemora 40 anos de atuação e celebra a famosa encíclica.
A missa foi o momento de encerramento do encontro, presidida por Dom Mário Antonio da Silva, arcebispo de Aparecida, concelebrada pelo reitor do Santuário Nacional, Pe. Eduardo Catalfo, C.Ss.R., padres de Recife (PE) e Cuiabá (MT) e contou com a presença de desembargadores, juízes, senhoras e senhores do Tribunal Regional do Trabalho.
Na homilia, Dom Mário Antonio relacionou a data com o Evangelho do dia (Jo 16,20-23a), no qual Jesus afirma: “vós chorareis e vos lamentareis, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.
O arcebispo destacou que a Palavra ilumina a missão social da Igreja. Segundo o arcebispo de Aparecida, a dor vivida pela humanidade pode gerar vida nova e esperança.
Ao recordar o contexto histórico da encíclica, Dom Mário afirmou:
“Quando o Papa Leão XIII publicou a Rerum Novarum, ‘Das Coisas Novas’, em 1891, sobre a condição dos operários, o mundo também vivia dores profundas: trabalhadores explorados, jornadas desumanas, crianças submetidas ao trabalho famílias sem direito e pobres descartados pelo sistema econômico".
Segundo ele, o século XIX era um tempo de lágrimas sociais:
“A Igreja não ficou em silêncio, ela escutou o clamor dos pobres, entrou nas dores do povo e proclamou que o trabalhador não é mercadoria, que o salário deve ser justo, que a dignidade humana vem antes do lucro”.
Para Dom Mário, a publicação da encíclica marcou o início de uma nova esperança dentro da história social da Igreja.
O arcebispo de Aparecida também fez um paralelo entre o cenário do século XIX e o tempo presente:
“Ali começou a nova esperança e hoje 135 anos depois, surgem também coisas novas: mudaram as máquinas, mudaram as tecnologias, mudaram as formas de exploração, mas continua existindo o sofrimento humano. Hoje, existem trabalhadores descartados pela lógica econômica, jovens sem horizonte, famílias feridas, migrantes rejeitados, pessoas substituídas por algoritmos, uma humanidade cansada, ansiosa e muitas vezes sem esperança.”
Diante desse cenário, ele reforçou a posição da Igreja:
“Por isso, a Igreja continua dizendo ao mundo que a pessoa humana é sagrada, o trabalho humano tem dignidade, o pobre não pode ser invisível, a tecnologia deve servir a vida e não dominar a vida.”
Ao citar o contexto mariano da celebração, o arcebispo afirmou que a mensagem ganha força no Santuário Nacional:
“Maria conhece as dores do povo, Nossa Senhora nasceu das águas do rio nas mãos de trabalhadores, de pescadores pobres, mas Maria também experimenta a alegria da ressurreição, por isso o evangelho de hoje é profundamente mariano, ‘ninguém vos poderá tirar a vossa alegria’.”
Dom Mário ressaltou que a Eucaristia une altar e vida. O pão repartido aponta para uma sociedade onde os bens também sejam partilhados. A comunhão com Cristo impulsiona a transformação social.
“A Doutrina Social da Igreja não é uma teoria distante, é Evangelho encarnado, é caridade social, é profecia, é defesa da vida, é presença transformadora no meio do povo.”
Ao concluir, reafirmou a esperança cristã:
“Cristo Ressuscitado continua vendo o seu povo, continua caminhando conosco, continua sustentado a esperança dos pobres. Cristo Ressuscitado continua inspirando a Igreja a defender a dignidade humana, a dignidade de trabalhadores e trabalhadoras.”
E acrescentou:
“A nossa Igreja de Leão XIII a Leão XIV, nosso querido e atual papa continua proclamando que o trabalho humano não é mercadoria, a pessoa humana não é algoritmo e os trabalhadores não podem ser esquecidos.”
Após a celebração, foi feita a leitura da “Carta de Aparecida pelo Trabalho Decente” por Cláudio Mascarenhas Brandão, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que reafirma o compromisso da Justiça do Trabalho sob o manto da Mãe Aparecida como escudo contra a desumanização.
add_box Leia a carta na íntegra!
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