Por Lina Boff Em Catequese

A Assunção de Maria

Para falamos deste tema tão provocativo, sobretudo para nós mulheres, a partir da vocação da família e da sua ativa construção da mesma, não podemos deixar de falar sobre a sacralidade do corpo humano e sua glória na plenitude da vida. Não excluímos toda a questão da verdade eclesial que este tema envolve, mas queremos apresentar uma reflexão que seja popular e ao alcance de todas as nossas famílias, devotas e devotos.

Em primeiro lugar nos perguntamos: Como Maria construiu a sua Assunção aos céus durante a sua vida histórica, isto é, quando carregava o corpo que todos e todas nós temos com suas limitações e potencialidades, corpo no qual vivemos, nos movemos e nos construímos para a vida eterna, quando Deus nos carrega em seus braços para viver na Comunidade d`Ele, do Filho e do Espírito Santo?

Diante de tal pergunta teríamos várias respostas que um tratado teológico da vida inteira não conseguiria esgotar. Antes de ser assunta ao céu, Maria foi concebida no ventre de sua mãe, pois, Deus, em seu Projeto de amor, já pensava e a amava. Foi concebida como cada pessoa deste mundo é concebida. Nasceu, teve os cuidados de sua mãe como nós tivemos, mamou do peito de sua mãe, aprendeu a falar na família. Quando cresceu foi educada no Templo com os mestres daquela cultura, como era costume, cresceu, namorou José e com ele foi prometida em casamento, como era a cultura daquele tempo; e aconteceu que, antes de viverem juntos, Maria concebeu do Espírito Santo, momento em que questionou este concebimento, mas em seguida, vendo neste acontecimento a vontade do Pai em quem acreditava, aceitou ser a Mãe do Filho de Deus e pronunciou seu SIM com toda a convicção de mulher adulta na fé.

 

"Maria aceitou ser a Mãe do Filho de Deus e pronunciou seu SIM com toda a convicção de mulher adulta na fé".

Este fato custou muito para a fé de Maria e abertura de seu corpo para tal missão, mas sentiu-se confirmada por sua prima Isabel, quando, ao visitá-la Isabel exclamou: Donde me vem que a Mãe do meu Senhor me visite?... Feliz daquela que creu, pois, o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido! Este momento foi único em toda a Sagrada Escritura: Deus se fez carne por meio da abertura e aceitação do corpo, do espírito e da fé de Maria. Ela acreditou com todo o seu ser, com toda a sua existência terrena porque já vivia aqui e agora a construção de um novo jeito de ser mãe, de ser esposa e de ser mulher. Por isso, Ela não é uma exceção, mas uma mulher que nos precedeu na construção de uma nova família para os nossos tempos e um modo novo de anunciar o Deus encarnado no meio de nós que trouxe a esperança para toda a humanidade.

Por isso tudo e por mais do que tudo isso que dissemos, Maria não é uma exceção: Ela construiu sua Assunção em corpo e alma aqui na terra e completou este Projeto do Pai, quando passou desta terra para a vida plena da eternidade com todas as santas e santos do céu. É nisso que Maria se torna regra de vida para o seguimento de seu Filho Jesus e exemplaridade na construção de uma nova família e de uma nova humanidade. 

 

Irmã Lina Boff, teóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Com dezenas de artigos publicados na Revista de Aparecida, esta grande teóloga agora é articulista do A12.com.

 

 

Leia mais sobre Maria e estudos mariológicos no site da Academia Marial do Santuário Nacional.

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